Game of Thrones 6×06 — Blood of My Blood

Blood of My Blood mostra como Game of Thrones não precisa se apoiar em cliffhangers para apresentar um episódio consistente.

Tive muito tempo para pensar sobre o quão bom era em aparentar ser boa. Todas aquelas histórias que eu disse a mim mesma sobre quem eu era e por que fiz as coisas que eu fiz. Havia tantas mentiras naquelas histórias.” TYRELL, Margaery

Soa até estranho não ver pelas redes sociais manifestações sobre Blood of my Blood. O episódio não teve um final como The Door, mas foi um episódio consistente que proporcionou material para discussões sobre os rumos da série e trouxe de volta Benjen Stark, encerrando um mistério que teve início na primeira temporada.

Blood of My Blood começa quase que exatamente onde parou, com Meera e Bran fugindo do exército de White Walkers. Com este início, Game of Thrones reforça sua maneira mais ágil de lidar com os eventos da trama. Tão ágil que a série planta diversas cenas através das visões de Bran que servem de alimento para teorias sobre os rumos da temporada. Este é um dos diversos momentos importantes do episódio que aparentemente não tem recebido a devida atenção após o fim do episódio.

Enquanto exploramos o passado com Bran, o presente em Westeros também proporciona conflitos que tiram a maior parte dos personagens da monotonia. Com Tommen firmando uma aliança com a igreja — longe das vistas de seu conselho, que inclui seus pais — o personagem se estabelece como um problema tão ruim quanto seu irmão Joffrey e coloca Cersei e Jaime em uma situação muito desconfortável.

Isso colabora para movimentar o elenco de Porto Real que agora aponta para os Frey e Correrrio, mesmo lugar para o qual Brienne está rumando desde a última vez que a vimos. Quem conhece os livros e prestou atenção no diálogo de Walder Frey deve ter pego algumas dicas do que isto pode significar em termos do retorno de personagens que foram dados como mortos.

Claro, a série pode estar apenas brincando com as expectativas de quem anseia pelo retorno de personagens cuja morte não está necessariamente confirmada, mas esse é o tipo de movimento que nos mostra o quanto nós como espectadores ainda investimos na série.

Com quatro episódios restando, Game of Thrones parece finalizar a construção do grande conflito que deve acontecer até o final da temporada. No norte, todos os indícios apontam para uma batalha contra Ramsay; enquanto no sul Porto Real terá que lidar com uma guerra interna entre a casa Lannister e a nova aliança do reino.

Ambos os polos possuem um braço que se estende até os Frey, que muito possivelmente amarrará esses dois lados do conflito, podendo trazer novidades para a guerra que está por vir.

Longe dali, Arya dá um passo à frente em sua história que até o momento vinha se arrastando sem uma conclusão bem definida. A garota Stark só falha em seu objetivo após se ver refletida no sofrimento de Cersei, percebendo que no final das contas as duas não são tão diferentes assim. Ambas perderam pessoas que amavam, ambas querem o acerto de contas pelos danos que a guerra pelo poder em Westeros lhe causou.

Isso muda o principal objetivo de Arya, que aparentemente estará mais compreensiva com seus inimigos agora que parece entender o ângulo deles. O grande problema a ser resolvido em sua história é saber como ela será reinserida em Westeros e nos conflitos principais da trama agora que, aparentemente, sua jornada solitária se aproxima do fim.

Resta saber também se a garota Stark terá confiança suficiente para ir adiante em seu confronto contra seu mentor, e o que ela sairá ganhando com isso, já que seu treinamento está incompleto, impossibilitando que ela saiba como mudar de figura como Jaqen.

Quem também está alheio e sem direção clara para a história é Sam, que neste episódio recebe uma parcela considerável de tempo para conhecermos sua família, principalmente seu pai tirano. Diferente de Arya, a súbita decisão de levar Goiva e seu filho consigo não determina uma evolução do personagem, restando ao furto da espada de aço valiriano como o evento de maior importância da cena (não querendo dizer que a cena foi desnecessária).

Blood of my Blood, à primeira vista, pode parecer um episódio fraco, principalmente vindo em sequência à ressurreição de Jon Snow, ao extermínio de Daenerys e à morte de Hodor. Mas não é apenas disto que Game of Thrones vive, e tão importante quanto grandes momentos como esses, é o caminho que os leva até lá.

Há um terrível problema entre quem assiste Game of Thrones somente para ver dragões, Daenerys gritando em valiriano ou personagens principais morrendo. A série é mais do que isso. Por seis temporadas (e contando) a série tenta estabelecer profundidade e dar dimensões à história que retratada. Blood of my Blood é a oportunidade que a série não deixou de aproveitar para mostrar que há mais do que Jon Snow revivendo, Hodor morrendo, e Daenerys e os dragões para esta temporada.

E um bom exemplo de como isso se dá na série é justamente a cena final com Daenerys montada em Drogon. Não há avanço ou sequer utilidade para cena, a não ser mostrar um dragão gigante para simbolizar o tamanho de seu poder, um aspecto da personagem que é explorado com frequência pela série e que no episódio já tinha sido demonstrado através de um diálogo com Daario Naharis.

Trazer um dragão para encerrar o episódio prejudica o propósito de Blood of my Blood, episódio que serviu para estabelecer os rumos da história até o fim da temporada sem deixar de apresentar elementos de extrema importância, como o retorno de Benjen Stark, as visões de Bran e a expulsão de Jaime da guarda real, que como consequência o coloca em direção a um enredo que trará novas revelações.

E se há algo que Game of Thrones falhou neste episódio foi em continuar ignorando a existência dos eventos em Dorne, que até agora parece não influenciar ou ter qualquer relevância no que vem acontecendo em Westeros, mesmo com Ellaria sendo responsável pela morte de Myrcella e seus pais tendo aparentemente se esquecido dela.

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