Girls 4×01 — Iowa

Estamos aqui. Juntos. Agora.” — Adam

Deve ser difícil chegar na idade da Hannah e ver que muitos dos seus sonhos ainda não se realizaram. Naturalmente, ser a voz da sua geração não é um objetivo fácil de atingir (e de exigir para si). É uma meta no longo prazo. Pena que Hannah, assim como qualquer jovem, não entende isso. Quer vivenciar intensamente o momento, o agora, o hoje, o instante, já. Mas viver intensamente em Nova York é moleza. Será que ela vai conseguir fazer isso no Iowa?

A quarta temporada começou do mesmo modo que a primeira: Hannah e seus pais no restaurante. Sua mãe, Loreen, dizendo o que a filha deve ou não fazer, e seu pai, Tad, sempre com o coração abastecido de compaixão, tomando partido da filha [até na batata frita]. Ao contrário do clima pesado da primeira cena da série, dessa vez a notícia é boa, a reunião é de celebração. Olhar para o passado de Girls é lembrar que há 4 anos a Hannah não tinha motivos para sorrir. Era uma garota cheia de combustível, mas que não ia a lugar nenhum. Agora, Hannah está pelo menos se movimentando. Só ainda não sabemos se é pelos motivos certos.

A presença de Adam na vida dela representou, neste momento, uma âncora difícil de se libertar. Se ficar longe dele é só mais um passo para que ela prossiga atrás do seu sonho, Hannah provou que está disposta a fazê-lo. Isso é maduro, além de louvável — assim como foi levá-lo ao jantar, junto com os pais. Mas que deu um aperto no coração vê-los se distanciando, isso deu. Se nesse período eles vão ou não se separar, só o futuro dirá.

girls

Uma cena que me chamou atenção foi a de Hannah e Adam assistindo o vídeo para o comercial que ele fez (que rendeu uma piada genial com a marca Torpica): Hannah não sabendo consolar o namorado num momento duro da vida profissional de Adam, em que ele dá claros sinais de cansaço mental em relação aos seus desejos, sabendo que todos estes sentimentos são atenuados quando ele vê que os desejos de Hannah estão só começando a dar certo. É o clássico “estamos em lugares diferentes, momentos diferentes” que acontece entre muitos casais. E ela lá, atônita. Analfabetismo emocional.

Marnie é uma sociopata, todos sabemos e estamos acostumados. Mas às vezes ela passa dos limites. Toda a história dela com o Desi e o Ray foi uma bizarrada tão grande que me fez pegar até um pouco de nojo da forma como ela insiste em ser mesquinha e controladora. Mas, no fundo, não é totalmente uma má pessoa. Apesar de seus momentos de vilã, ela sempre quer pagar de boa moça, comedida, que não comete erros. Aquela cena com a Clementine foi para chorar de vergonha. A verdade é que ela e o Desi até combinam. Mas ele é bom demais para ela. Ela já na casa dos 25 anos e ainda fica triste ao saber que não é o centro das atenções. Deprimente.

A Jessa também é outra nem muito lá, nem muito cá. De fato, todo esse plot dela com a Beedie, apesar de curto, mostrou uma clara renovação da personagem em busca de aceitação do seu próprio lado bom, em oposto a Marnie, que não consegue aceitar seu lado ruim. Deveras confusa, Jessa não tem toda a preocupação e comprometimento social das outras garotas (como essa fissura em achar um emprego, por exemplo), e isso a ajuda a se divertir, mas às vezes a faz estar em lugares errados nas horas erradas. Assim como acontece na vida real. O espírito deve ser indomável sempre, mas sua mente precisa domar essa indomabilidade… porque pode virar descontrole. Girls dá lição de vida mesmo sem querer.

Já Shoshanna, coitada, mal sabe por onde recomeçar. Ela, apesar de parecer boba, é muito lúcida. O pedido de desculpas para Ray foi sincero e nos fez lançar um novo olhar para a personagem. Imagino que ela deverá ter uma boa passagem nesta temporada, exatamente por ter terminado a faculdade. Girls caminha junto com seus personagens na medida em que elas amadurecem, e junto disse vem a mudança de seus conflitos. A cena da despedida da Hannah só comprovou isso. A série permance engraçada, relevante, imperdível.

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