Glee 3×09 — Extraordinary Merry Christmas

A pergunta que fica depois desse episódio especial de Natal é “mas cadê a tal homenagem à Star Wars?”. Primeiro foi todo aquele alvoroço com a presença de Chewbacca no estúdio, o elenco excitadíssimo tirando e postando fotos com o grandalhão no Twitter. Depois, no próprio episódio, Artie diz que sua ideia, que o coral apresentaria sob sua direção em uma emissora de TV local, era prestar uma homenagem ao especial de Natal de Star Wars (?) e ao especial protagonizado por Judy Garland. Mas já falo sobre o resultado da mistura inusitada.

Mais uma vez, Ryan Murphy nos deixa em dúvida se aquela conversa de praticamente todo episódio de The Glee Project, de que não sabia o que escrever pros candidatos, não é realmente verdade. A sorte dele é que ele é bom em escrever cenas. Sua dificuldade está em juntar os fragmentos de ideias. Imagino o caos que deve ser uma reunião com os roteiristas. As ideias são ótimas, todas relacionadas ao tema do episódio ou à trama em destaque naquele ponto da história, mas elas não se ligam.

E Extraordinary Merry Christmas é um belo exemplo disso. Temos algumas histórias, como o convite para participarem do especial na TV, o chamado de Sue para que participem da distribuição de comida aos desabrigados e Rachel e sua lista de presentes. O problema é que todas elas funcionam perfeitamente separadas, mas parecem não ter nenhuma conexão, além do fato de se passarem na época de Natal.

Apesar de todos os buracos (crateras quase), como a total ausência de Sugar Motta, que não deus as caras nem pra fazer figuração na sala do coral, não foi um episódio ruim. E o episódio dentro do episódio foi a melhor parte dele. O especial de Natal dirigido por Artie ficou bem bacana, as melhores músicas estavam nele e poderia ter sido o único plot para podermos dizer que Glee fechou 2012 em grande estilo.

Todo em branco e preto e com cenário e figurinos inspirados nos anos 50, a homenagem à Judy ia muito bem, até que Finn e Puck entram em cena vestidos de Jedis. E qual o sentido disso? Nenhum, além de ser toda a referência à Star Wars do especial. Chewie ficou mesmo só com aquela pontinha besta no começo. Tivessem feito um coral de wookies e teria sido sucesso na certa.

No fim, todas as histórias convergem para uma lição de moral piegas e, talvez, datada. Mas parece que Ryan Murphy descobriu para que público ele está escrevendo a série e agora passou a explicar didaticamente a moral da história, referências e piadas em praticamente todos os episódios. O que tira um pouco da graça, no final, já que didatismo em excesso se torna bastante maçante.

Pelo menos, ele resolveu aproveitar e responder algumas questões que ficaram no ar, como o destino das pernas mecânicas que Artie ganhou no Natal passado.

Mesmo assim, o episódio ainda teve algumas boas tiradas, praticamente todas saídas da boca de Sue Sylvester. É bom ter a velha Sue de volta, e pudemos ver Jane Lynch nos brindar com o seu jeito meio apático de quem sabe que está certo ao dizer algumas verdades sobre o mundo. Como ela o vê, que fique claro. A melhor de todas foi ela dizer que chamaria o coral mesmo depois de terem destruído os clássicos da música americana, um mash-up de cada vez. Tem como não amar essa mulher? Mas aí entra um outro furo do roteiro: ela demorou 6 meses para lembrar que a irmã morreu. Talvez as eleições tenham tomado muito o tempo dela. Finn dizendo que estava namorando Kim Kardashian, quando recebe a lista de presentes de Rachel, também foi muito bom. Interessante que a pessoa mais animada com o Natal é a garota judia.

No lado musical, nove performances para ocupar bem o tempo do episódio. De memorável mesmo, My Favourite Things, de A Noviça Rebelde. Óbvio que era a música perfeita para Lea, que não nos decepcionou, mas a surpresa ficou por conta de Amber Reiley, que conseguiu deixar de lado todos os vícios de diva da black music e mostrou uma voz limpa e firme, e segurou bem sua parte na música. Mataria pra poder ter visto Niki, a produtora musical, dando duro para fazer Amber não falsear nem uma vez.

Let it Snow também ficou bem bacana na voz de Kurt e Blaine. Santa Klaus is Coming to Town poderia ter ficado melhor, principalmente por ter sido um dueto de Puck e Finn, que sempre apresentam coisas interessantes. Talvez a roupa de Jedi tenha prejudicado a performance dos rapazes. Christmas Wrapping foi uma delícia. Primeiro, porque Brittany voltou a cantar e a performance das Cheerios, apesar de não ter absolutamente nada a ver com o que estava acontecendo, foi bem divertida e a música do The Waitresses parece ter sido feita para um performance daquelas.

Fora do especial de Natal, temos as boas Extraordinary Merry Christmas, na voz de Blaine e Rachel, com aquela pegada pop que é a marca do rapaz desde os tempos de Warblers, e River, de Joni Mitchel, perfeita para a volta de Rachel fazendo um solo. De resto, tivemos uma versão burocrática de All I Want for Christmas is You, de Mariah Carey, cantada por, surpresa!, Mercedes; Blue Christmas, na voz de Rory, justificando a presença de Damian na série; e Do They Know It’s Christmas, com todo mundo cantando na performance do abrigo para sem teto. Ao contrário da temporada passada, CD e episódio tiveram músicas diferentes. Pena, porque fiquei curioso para ver uma performance de Santa Baby na voz de Naya.

E foi isso, nada de tão emocionante quanto se podia esperar para quem se lembra do episódio de Natal da temporada passada. Agora é esperar pelo retorno da série no dia 17 de janeiro. Até lá!

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