Glee 3×10 — Yes/No

Finalmente um episódio de Glee com alguma história. Ou várias, como foi o caso de Yes/No.

Não que isso seja ruim, claro. Essa temporada começou com histórias fracas e episódios que pareciam não ter história alguma, apenas cenas aleatórias unidas por números musicais. O único problema em começar a introduzir histórias interessantes a essa altura é que ficamos com a impressão de que a produção se deu conta de que já estamos praticamente na metade da temporada e as histórias precisam ser introduzidas o quanto antes. Sendo assim, o episódio ficou curto para tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.

Começamos pelo destaque que Becky ganhou nesse episódio. Aliás, destaque que ela vem ganhando desde o começo dessa temporada. Talvez se Ryan Murphy não tivesse focado na deficiência de Becky, acho que ninguém se lembraria disso. Com certeza essa é a intenção da personagem desde a sua entrada, já que se trata de uma série sobre aceitação e tolerância (ou pelo menos já foi uma série sobre isso). Mas esse episódio nos lembrou de que eles tem necessidades como qualquer outra pessoa, e nem sempre a maneira como os outros os veem bate com como eles se percebem, o que pode trazer algum desconforto para todo mundo. Ponto para tio Ryan, que soube muito bem mostrar isso e teve a grande sacada de usar a narração em off de Sua Majestade A Rainha (na ficção, claro) Helen Mirren.

E por falar na realeza, impossível não rir com mais uma referência à corte inglesa que Murphy faz nessa temporada. Depois da delicadeza do anel de noivado de Kate Middleton dar as caras na mão de Beist e da participação de Helen Mirren, temos os chapéus de Beatrice e Eugenie Ferguson marcando presença nas cabeças de Sue e, mais uma vez, Beist, naquela que foi a melhor performance do episódio. Mas essa parte fica pra depois.

Apesar de Becky ter roubado a cena nesse episódio, o assunto principal é o pedido de casamento que Will vai fazer à Emma. Como ele é William Schuester, óbvio que ele precisa que adolescentes o ajudem com isso, afinal de contas, até hoje ele não teve nenhum controle sobre sua vida ou coragem pra fazer o que realmente quer ou gosta. Incrível como mesmo sendo o plot principal do episódio, Matthew Morrison conseguiu transformar essa história na mais fraca de todas as apresentadas.

Além da continuidade de Sam ama Mercedes, que não sabe se continua com seu namorado que usa jaqueta da escola ou volta pros lábios enormes de Sam, ainda tivemos a revelação de que o pai de Finn não é o herói que criaram para ele, o que o deixa completamente desnorteado. Cory mais uma vez fez um bom trabalho, não mudando as cores de seu personagem, que é provavelmente o que muita gente esperava que tivesse acontecido. Mas um Finn revoltado, nos moldes de Quinn no começo dessa temporada, seria destoante demais do personagem que Cory construiu nesses dois anos e meio, afinal um cara que não sabe lidar com sentimentos não pode ter reações muito efusivas.

Fechamos o episódio entendendo a posição de Artie, empáticos à dor de Becky e comemorando o casamento de Will e Emma. Finn, porém terá que esperar pelo seu desfecho. Numa das poucas vezes (senão a única) em que criou um cliffhanger, Ryan Murphy nos deixou curiosos para saber qual a resposta de Rachel ao pedido de casamento de Finn. Ela dirá sim, e veremos os fãs comemorando o feliz desfecho de Finchel, ou ela dirá o não do título que não apareceu no episódio, fazendo com que a garota volte a ser odiada por ser egoísta e só pensar nela? Não que casamento antes dos vinte anos seja a solução para qualquer problema existente ou que dizer não e ser egoísta nesse caso seja ruim, afinal ela terá que abrir mão de muita coisa para ser a senhora Hudson, casada com um dono de oficina mecânica. Enfim, teremos que aguardar para descobrir isso.

A parte musical foi bastante decepcionante. Baladas são um caminho fácil pra alcançar o topo das paradas ou fazer de um disco, ou um episódio de série no nosso caso, populares. E se alguém tiver dúvida, é só ouvir um disco de boa parte das divas do pop atuais e comprovar isso. Alguns são tão cheio de baladas que chega a ser impossível ouvir. Infelizmente, é o caso desse episódio.

Um pedido de casamento deve ser romântico, mas não levar as pessoas às lagrimas por qualquer coisa que não seja felicidade. Without You e The First Time I Saw Your Face são músicas que falam da importância do outro, mas pelo amor, né? São muito piegas.

Summer Nights, de Grease, ficou bem deslocada. Tivessem feito uma introdução à música, teria ficado bem melhor. Ótimas performances, mas começar um episódio de cara com ela ficou meio estranho. E isso numa temporada em que teríamos poucos números musicais por episódio.

Moves Like Jagger/Jumping Jack Flash e We Found Love ficaram bacanas, mesmo que a primeira seja um mash up e não tenha absolutamente nada a ver com proposta de casamento. Mas a gente sabe que Ryan só queria ver Matthew dançar, certo? We Found Love teve uma performance mais interessante do que a música, mas consegue entrar num As 7 melhores da Jovem Pan.

A melhor performance ficou à cargo da futura Sra. Schuester feat. Sue e Beist. Wedding Bell Blues, de Laura Nyro, é uma delícia e perfeita para a voz de Jayma Mays e é impossível assistir à performance sem um sorriso no rosto.

Como curiosidade, Wedding Bell Blues, como bem lembrou a querida @rehvivan, já apareceu na série mais amada aqui do Box de Séries: ela fez às vezes de valsa no segundo casamento de Emily e Richard em Gilmore Girls. @gilmoreguy deve ter ido às lágrimas nessa hora.

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