Glee 3×11 — Michael

Somos pessoas. Sei que o resto do mundo não nos vê assim, mas quando nos zoam e nos jogam coisas e nos jogam em lixos e dizem que somos perdedores com sonhos idiotas, dói muito.

Lindo, né? Uns diriam lindo, outros diriam piegas. Pode ser as duas coisas, sem problema. Porque foi um episódio lindo ao mesmo tempo em que foi piegas, sem nenhum demérito. Mas destaquei essa frase por outro motivo: é, ou pelo menos era, a essência de Glee. Era pra ser uma série sobre um bando de garotos diferentes que foram unidos pela música e que, por mais que se esforçassem, não conseguiam fazer o resto das pessoas entenderem que as diferenças não importam e cada um pode fazer aquilo que bem entenda, tipo um jogador de futebol cantar e dançar ou um deficiente ter uma vida normal. Pena que tudo isso ficou pra trás há um bom tempo.

Mas vamos ao que interessa: Michael. Um bom episódio dentro de uma temporada que começou prometendo muita coisa e cumprindo muito pouco.

Finalmente, tivemos um episódio com algum roteiro. Não foi a melhor das histórias, mas pode abrir caminho pra bastante coisa. Tempo não vai faltar para desenvolver algo decente, já que ainda estamos no meio dessa temporada. Pena que a outra metade foi desperdiçada com episódios soltos que, provavelmente, só fizeram a alegria dos fãs dos casais da história.

Ryan Murphy, pelo jeito, resolveu que vai iniciar os episódios com um musical logo de cara, o que, pra mim, é um grande problema. No episódio passado, a performance ficou completamente perdida, e nesse, apesar de ter sido um número muito bom, foi meio bobo começar com uma música chamada Wanna Be Starting Something. Não precisava anunciar que o espetáculo ia começar, não estávamos no circo.

Apesar de termos uma história, ela foi bem simples e serviu pra mostrar que Vocal Adrenaline já era, o que pega mesmo são os Warblers e seus patéticos números musicais à capella. E com isso, temos Santana ganhando mais destaque, quase ganhando a liderança do grupo. Kurt se transformando numa pessoa insuportavelmente correta e de bom coração, o que pode ser explicado pelo destaque que o personagem ganhou a partir da segunda temporada e se transformando num ícone, principalmente, da audiência gay da série, o que pode dificultar/alterar o rumo e a forma de apresentação do personagem a essa altura.

Will aparece cada vez mais omisso, deixando que todas as decisões sejam tomadas pelos alunos. Quem deixaria adolescentes resolverem um problema como o de Blaine em cima de um palco, ao invés de levar o caso à polícia? Só Mr. Schue, pelo jeito. No fim, chegamos à conclusão de que Sue estava certa o tempo todo.

Talvez a melhor história tenha sido a de Rachel e Finn, que não participaram muito da disputa New Directions x Warblers, já que ganharam uma trama só deles. Pode ser uma história meio Malhação, meio série da CW, mas é, provavelmente, o que vai abrir as mudanças para a nova temporada de Glee e todas as mudanças que deverão acontecer já que boa parte dos alunos terão se formado.

Mas como eu disse no começo, o episódio consegue superar todos os problemas, ou pelo menos, nos faz esquecer deles com boas performances. Wanna Be Starting Something, apesar da escolha óbvia, abre bem o episódio. Bad fez uma bela homenagem ao cara que definiu o videoclipe como nós conhecemos, mesmo que a gente saiba que ninguém marca encontros em estacionamentos desertos levando um slushy quenão derrete. Dianna Agron, já em tom de despedida, fez sua melhor performance em todas as temporadas com Never Can Say Goodbye. Sam e Mercedes fizeram uma versão de Human Nature que só não ficou melhor do que a de John Mayer no memorial de Michael Jackson. Quando Mercedes não tenta ser a diva que ela não é, consegue fazer coisas lindas.

Ben ganhou uma versão simples e bonitinha com Rachel e Finn, mas que Kurt consegue deixar brega. Sinto falta daquela energia que Chris Colfer colocava em números como Rose’s Turn, fazia com que o personagem ganhasse outras cores. Black or White foi OK, mesmo sem entender muito o porquê ela foi escolhida para dar uma lição aos Warblers. Mais uma vez, uma homenagem ao pai dos videoclipes com a sequência que foi a sensação na época do lançamento do vídeo nos anos 90. Todo mundo queria mostrar como aquele efeito de transformar um modelo no outro foi feito.

Mas homenagem mesmo aos vídeos de Michael foi feita em Scream, com Artie e Mike reproduzindo fielmente o vídeo de MJ e Janet Jackson. Achei um pouco forçado, mas mostra que mais de uma década depois, o vídeo ainda é superior a muita coisa que anda sendo feita. I Just Can’t Stop Loving You serviu para que Finn mostrasse a Rachel o que ele realmente sente e tentar tirar uma resposta da garota.

E o melhor do episódio eu deixei para o final: Smooth Criminal. Provavelmente, uma das melhores coisas já apresentadas em Glee, um arranjo inusitado e poderoso, só com violoncelos e a voz cada vez melhor de Santana. Impossível ver a cena uma única vez. Ao lado de Santana e Sebastian, a performance contou com a participação de Luka Sulic e Stjepan Hauser, do duo 2 Cellos, que já haviam colocado um vídeo da música anteriormente no Youtube, que acabou inspirando a cena do episódio.

Foram nove música no total, numa temporada em que os números musicais iriam diminuir para abrir espaço para a história dos personagens que ainda não tinha ganhado destaque. Então, agora vamos esperar pelo episódio com convidado especial na temporada em que não iríamos ver convidados especias porquê, bem, todo mundo sabe o porquê.

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