Glee 3×13 — Hearts

“Eu prefiro bem mais ver você e Santana se beijarem do que isso que chamam de Finchel.” — Figgins

Depois que Ryan Murphy e sua gangue resolveram retomar as rédeas criativas de Glee nessa temporada, acredito que ninguém mais possa reclamar do nível do que estamos vendo agora. Obviamente não é a primeira temporada blábláblá Whyskas sachet blábláblá. Vamos encarar a realidade: a primeira temporada já acabou, Glee ganhou novos rumos e cores e a vida deve continuar. Mas se você é daqueles que sentiam saudades de coisas como narração em off, Ryan Murphy resolveu o seu problema. Até isso o episódio teve.

Além de continuar nos mostrando a história do noivado de Rachel e Finn, Hearts vem recheado de novidades, começando por nos apresentar aos pais de Rachel. Brian Stokes Mitchell e Jeff Goldblum foram uma escolha perfeita, e Jeff deu o ar nonsense ao episódio na ausência de Sue Sylvester, coisa que ele mostrou saber fazer muito bem em sua participação em Will & Grace. Claro que a razão para conhecermos o casal é o casamento de Rachel e Finn, e a intervenção armada pelos Srs. Berry e Sr. e Sra. Hummel na tentativa (sem sucesso) de fazer o casal mudar de opinião.

Kurt foi um personagem importante nesse episódio. Claro que foi irritante vê-lo mais uma vez deprimido por Blaine não estar ali, algo bem parecido com todo o drama da volta dele para o McKinley e, meu Deus, como eles iriam levar um namoro sem passar várias horas por dia, todos os dias, juntos? Santa Kurt não consegue ficar feliz enquanto o namorado está em casa se recuperando de um problema de saúde, é isso? É, é isso. De qualquer forma, Kurt teve um papel importante no retorno de Karofsky, que todos já davam como fora da série, e no que deve acontecer daqui pra frente com ele.

Mas primeiro, o que foi a volta de Karofsky, hein? Confesso que esperava que fosse ele embaixo daquela fantasia de gorila, mas quando ele tira a máscara e é ele mesmo que está ali, foi um choque. Vontade de fazer Kurt largar Blaine pra ficar com o garoto na mesma hora. E é aí que entra a importância de Kurt, já que ele deve ser responsável pela grande reviravolta que vem pela frente, de acordo com alguns rumores bem rumores que andam circulando por aí, e que se forem verdade, vão concretizar algo que eu já esperava para Karofsky desde a temporada passada. Mas quanto a isso, só podemos esperar.

Outra novidade do episódio foi a entrada de Samuel Larsen, vencedor do The Glee Project junto com Damian McGynty, na trama, realizando a vontade de Ryan Murphy de ter um personagem cristão, ou pelo menos um personagem cristão que falasse sobre o assunto, já que Mercedes e Quinn já enveredaram pelo tema, mas superficialmente. O personagem foi bem interessante, teve uma função bacana no episódio, mas vamos precisar esperar pra ver o que mais está reservado pra ele, porque por enquanto não vejo muito mais serventia pra ele a não ser como figuração, como aconteceu com Damian.

E falando em Damian, o rapaz também ganhou destaque nesse episódio e se mostrou bem mais à vontade em cena do que em episódios anteriores. A disputa entre ele e Artie para saber quem levaria Sugar à festa da garota foi bem aproveitada e, mesmo que tenha ficado claro que a história de não ter o visto renovado era mentira, ele deu a pista mais no fim do episódio. Achei que Artie fosse descobrir antes da festa para desmascará-lo, mas Ryan deve estar preparando algo maior para a dupla.

Outro destaque do episódio foi a história de Brittany e Santana, tendo que lidar com o preconceito. Mas pra mim o destaque mesmo ficou com a lista de músicas que Brittany selecionou para dar de presente de Dia dos Namorados para Santana. Mas isso fica pra depois.

A parte musical do episódio foi bastante eclética, começando logo de cara com L-O-V-E, um clássico do Jazz imortalizado por Nat King Cole e que ganhou versão fofinha com Mike e Tina. You’re the top, música de Cole Porter para o musical Anything goes (que já teve outras músicas usadas em Glee), ganhou versão simples no episódio cantada por Hiram e Leroy, acompanhados de sua filha Rachel, ao piano. E é claro que os fãs de Gilmore Girls lembraram de Richard e Emily fazendo sua versão da música na formatura de Rory, que você pode ver aqui. Ignorem a dublagem italiana a reparem que o pianista é o mesmo Brad Ellis de Glee.

Artie atacou de Let Me Love You, de Mario, e foi de longe a música e a performance mais fracas do episódio. E olha que Hearts teve um mash up de Cherish de Madonna com Cherish de The Association que nem menina Daiane salvou. A mistura ficou tão confusa que parecia simplesmente que estavam cantando duas músicas simultaneamente, um horror.

Rory fez uma versão fiel à original, e nem por isso menos competente, de Home, de Michael Bublé, e conseguiu convencer a todos de que estava prestes a voltar para casa. Samuel Larsen parece ainda não ter conquistado a confiança de Ryan Murphy e seu Joe não repetiu o feito de Damian McGinty, que ganhou um solo logo em sua primeira participação. Stereo Hearts, a música de estreia dele, foi dominada por Sam e Quinn. Quem sabe da próxima vez.

Love Shack, do B-52’s foi sem dúvida a melhor música do episódio. Mal podíamos ouvir Lea Michele e Heather Morris ao fundo, mas a energia que Darren Criss e Chris Colfer colocaram na música e na performance foi contagiante. Há tempos Kurt não tinha uma performance interessante.

Mas o destaque acabou ficando mesmo com a versão de Amber Riley de I Will Always Love You, que pra quem ainda não sabe, é de autoria de Dolly Parton. A performance acabou se transformando em uma homenagem involuntária à Whitney Houston, autora da versão mais conhecida da música. Provavelmente todos que assistem à série, e a própria Amber, deveriam estar esperando e torcendo pelo momento em que Mercedes fosse cantar esse clássico da música negra moderna americana. E não tenho problemas em dizer que eu me decepcionei com o resultado.

Talvez Amber estivesse nervosa com a oportunidade e a responsabilidade (lembrando que a música e o episódio foram gravados quando Whitney estava viva), mas achei que ela estava desconectada da música, não transmitia emoção. Talvez tenha criado expectativas demais, também, mas no clímax da música Amber pareceu desperdiçar a chance de mostrar sua potência vocal e preferiu garantir o básico para não correr o risco de errar ou parecer pretenciosa. De forma nenhuma foi uma performance ruim, mas deixou um gostinho de que poderia ter sido mais. No fim, Whitney ainda ganhou homenagem, uma mensagem de que todos iremos amá-la pra sempre (Whitney Houston, 1963–2012, We Will Always Love You).

Santana and Brittany Infinite Playlist

Antes de terminar, eu queria destacar a seleção de músicas que Brittany faz para Santana, que passa tão rápido, que só parando o vídeo pra poder aproveitar esses detalhes minúsculos que Ryan Murphy coloca nos episódios e que fazem a diferença. Já falei mais de uma vez, mas vale lembrar do anel de noivado de Kate Middleton que Beist usa no episódio em que Sue rouba o namorado dela. Um detalhe pequeno, delicado e que diz muita coisa.

Brittany chama a seleção de Playlist Infinita de Santana e Brittany, e é composta pelas seguintes músicas:

Purple People Eater, de Sheb Wooley, é uma música infantil de 1958, que chegou ao primeiro lugar da Billboard no mesmo ano, e fala sobre uma criatura roxa comedora de gente que quer entrar para uma banda de rock.

Disco Duck, de Rick Dees and His Cast of Idiots, é uma sátira disco com uma história boba, mas que é deliciosa e tem uns vocais que lembram muito a voz do Pato Donald. A Disney teve que desmentir em várias ocasiões que Clarence Nash, o dublador oficial de Donald, tivesse participado da gravação. A música ficou por uma semana como número 1 da Billboard, em 1976.

Monster Mash, de Bobby Picket, faz parte do disco de 1962 chamado The Original Monster Mash, recheado com canções sobre monstros. Primeiro lugar da Billboard daquele ano em 20 de outubro.

On Top Of Spaghetti, de Tom Glazer, de 1963. Música infantil que conta a história de uma almôndega que se perde quando alguém espirra, fazendo ela rolar do topo de uma pilha se espagueti.

Pac-Man Fever, de Buckner e Garcia, faz parte de um disco conceitual de mesmo nome da dupla, em que cada música fala sobre um jogo clássico de vídeo-game, usando sons dos próprios jogos. A música foi lançada como single em 1981, alcançando o Top 10 da Billboard.

Osama — Yo’ Mama, de Ray Stevens, faz parte do disco de mesmo nome do cantor country, lançado em 2002, e é um recadinho para Osama Bin Laden, que tinha acabado de abalar as estruturas dos EUA.

Different Strokes Theme, abertura do seriado que no Brasil ganhou o nome de Arnold e ficou famoso por seus “episódios muito especiais”, que tratavam de temas polêmicos como drogas e racismo.

Porque essas músicas não saem da cabeça de Brittany toda vez que ela pensa em Santana é um dos maiores mistérios da humanidade, mas eu recomendo muito que você clique em todos os links e veja os vídeos, porque vale mesmo a pena.

Agora, me fala se não é uma seleção genial que Ryan Murphy escondeu dentro desse episódio?

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