Glee 3×17 — Dance With Somebody

“Eu tenho TOC. Eu jogo fora uma vassoura depois de tê-la usado uma vez e você acha que eu vou me casar num camping?” — Emma

Quando a produção de Glee anunciou que na volta do hiato iriam fazer um episódio tributo à Whitney Houston, muita gente fechou a cara e encarou a notícia com desconfiança. Será que Whitney merecia mesmo ser celebrada ou tudo não passava de um golpe para se aproveitar da comoção gerada pela morte precoce da cantora?

Quem se perguntou se Whitney merecia (mais) uma homenagem com certeza não viveu nos anos 80/90. Quem viveu essa época com certeza se lembra que Whitney dominava as rádios, principalmente nos anos 80. Nos 90 ela ganhou a concorrência de Mariah Carey que fez tanto barulho (literalmente) que conseguiu ganhar o ódio eterno de Madonna (mas ficou amiguinha de Whitney). E quem viveu essa época com certeza também agradeceu a ausência nesse episódio tributo do hit onipresente nas rádios e programas de TV dos anos 90, I Will Always Love You (lembrando que continuamos ignorando aquela versão sem graça de Amber Riley). Mas não estamos aqui para falar de cantoras dos anos 90 certo?

Sabendo que ela merecia, sim, um tributo, vamos à segunda pergunta: seria só oportunismo? O episódio tratou de mostrar que não era bem esse o caso quando deixou claro logo no começo que a homenagem, ao contrário do que aconteceu com o The Power of Madonna, seria focada nas músicas e não na vida/personalidade da cantora. Ponto mais uma vez para Ryan Murphy que conseguiu ligar a perda de uma das maiores vozes da música aos dramas vividos pelos personagens de Glee nesse momento.

Poderíamos logo de cara lembrar o quanto Mr. Schue atrapalha quando tenta ligar o sofrimento dos alunos pela morte de Whitney com a perda que estão prestes a sofrer e Santana responde que eles sentem falta da grande cantora que Whitney foi, só isso, mas é impossível não escolher a conversa que ele tem com Emma sobre o medo de que o coral não esteja no casamento dos dois como o mais emocionante do episódio. Claro que faz a gente pensar que Will precisa de mais amigos da sua idade, mas mesmo assim é fofo.

Poucas vezes as músicas de um episódio se encaixaram tão bem na história, e algumas parece que haviam sido escritas exatamente para Dance With Somebody, principalmente as que fizeram parte do plot de Kurt e Blaine. Em “It´s not Right But it’s Okay”, com Blaine, a escolha foi pela versão remixada da música (uma praga dos anos 90 que insiste em não morrer), enquanto Kurt foi de “I Have Nothing”, numa versão que ficou meio estranha na voz do garoto. Kurt precisa urgente voltar aos números de musicais.

O episódio abre com uma versão simples e matadora de “How Will I Know” com as melhores vozes “femininas” do coral. Tina podia ter participado, mas acho que pouparam a garota para o que vem por aí. “I Wanna Dance With Somebody” ganhou vida nas vozes de Brittany e Santana, que se apresentaram com vestidos idênticos aos de Whitney, com direito a luvas e arranjos nos cabelos. Heather Morris está bem mais para Britney Spears do que para Whitney Houston, mas a gente releva por tudo o que ela já nos deu como Brittany.

É claro que não bastava só colocar Rachel e Santana resolvendo todas as pendências na cena do armário, as duas ainda tinham que cantar “So Emotional” e Joe resolve se declarar para Quinn com “Saving All My Love For You”, a mãe das baladinhas modernas.

E pra fechar temos “My Love Is Your Love” e aquele momento em que todo o coral participa e abraçando e festejando que tudo termina bem. Ou quase tudo, porque Artie sofre do mesmo mal que acomete Mariah e acredita ser negro. Kevin McHale é até satisfatório como ator, mas como performer ele deixa muito a desejar, principalmente porque ele se esforça muito em todas os números musicais, mesmo aqueles em que não participa.

Talvez o episódio não tenha feito justiça à obra de Whitney, mas pelo menos deixou claro que ela sempre será lembrada por sua música e pelo que ela representou. E também serviu para mostrar, mais uma vez que, naquilo que se propõe, Glee ainda está muito a frente da concorrência.

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