Glee 4×12 — Naked

Rachel, você não pode fazer uma cena com nudez”. — Santana.

Naked foi mais um episódio padrão para agradar a audiência. E conseguiu. Mas o que mais interessa no décimo segundo episódio da atual temporada de Glee é o que Ryan Murphy ser Ryan Murphy.

A história foi bem simples e englobou dois arcos narrativos: Rachel e o New Directions.

Sobre o Coral, ninguém, de fato, acreditou que o New Directions estaria de fora das seletivas e de disputar as Nacionais. A maneira usada para colocá-los de volta aos mapas foi engenhosa e provou a teoria levantada por Sam. Não é preciso nem dizer que o início do episódio foi delicioso, especialmente as ácidas críticas ao jornalismo como forma de consumo. Os repórteres esperando na porta com os microfones, a crise da âncora de televisão revoltada com o tipo de notícias que era obrigada a dar (ela dizer que não se formou para isso foi o ápice) e o outro âncora aguardando a chegada de uma nova apresentadora gostosa. Contemporaneidade impera.

A crítica ao jornalismo continua com a volta do sempre ótimo Fondue para Dois. A entrevista de Brittany é a insossa Marley, que não se decide o que quer (e ainda protagonizou uma performance completamente insípida). As perguntas constrangedoras feitas à entrevista e os closes no gato garantiram a diversão. Quem nunca presenciou um talk-show nestes moldes?

Brittany teve mais bons destaques no episódio. A atriz Heather Morris consegue extrapolar os limites e diverte até mesmo explicando como marca as respostas em um gabarito até formar figuras sexuais. Cara de pau deliciosa.

A falta de dinheiro para conduzir o Coral até a disputa em Indianápolis move Tina ter uma brilhante e excitante ideia: vender um calendário com os meninos do Glee Club em trajes sumários. Ryan sabe o bom produto físico que tem nas mãos e conhece bem seu público. Ninguém reclama de ver Sam, Blaine, Blake e Jake sem camisa se exibindo em fetichismo. É bom trabalhar e bem com as cartas que se tem nas mangas.

Sue Sylvester está de volta e recebe um xeque-mate de Finn. Ainda que em uma aparição bem bobinha, é sempre bom ter Sue Sylvester destilando seu veneno. Só não é legal vê-la submissa a Finn, mas nenhum grande trauma foi causado.

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A produção do calendário rendeu cenas hilariantes como a yoga liderada por Sam para treinar os corpos dos meninos e o bronzeamento artificial em cada um deles (passar bronzeador em Jake? Para quê?).

Porém, exibir o corpo desencadeou crises em dois personagens: Artie, por motivos óbvios, e Sam (ainda que sua entrada sem camisa e com o óculos de sol no corredor da escola seja memorável). Desde que foi promovido como a versão masculina de Brittany, Sam teve seu baixo rendimento escolar e QI questionável elevados até a estratosfera. Preocupado com os resultados, ele entra em crise por ser apenas um corpinho bonito. Seu desabafo para Blaine foi tocante. E mais tocante ainda foi a injeção de ânimo dada por Blaine, garantido o loiro bocudo é especial e que todos o amam.

É saudável notar como Blaine superou que Sam é hetero e que não vai acontecer nada entre eles. Contudo, permanece um mistério a insistência em manter a paixonite de Tina por mais episódios. Não empolga.

Outra coisa que não tem empolgado muito é o romancezinho entre Jake e Marley. Os dois são fofinhos, lindinhos, mas sem graça. O dueto dos dois foi morno e o solo de Jake desnecessário. Tanta enrolação só para receber um “eu te amo”, ainda mais em tempos em que dizer essas palavras é corriqueiro? Soou um tanto forçado esse arco e talvez não insistam mais nisso.

O grande destaque do episódio fica mesmo para Rachel. Ela é convidada para ser a atriz principal em um filme de uma estudante (impossível não rir com o exagerado título da produção) e a diretora informa que haverá um topless em uma das cenas.

Para os brasileiros, fica complicado compreender tamanho drama por uma cena de nudez. As atrizes por aqui tiram a roupa por muito menos. Mas os Estados Unidos ainda continuam muito pudicos. Porém, aonde vão os limites de um ator? Tudo é válido mesmo para se alcançar o estrelato?

O símbolo máximo disso está na presença de duas Rachel em cena, a atual e a antiga. A antiga ressurge para relembrar a nova de onde ela veio, suas raízes, e incentivá-la a seguir em frente. E ainda presenteou o público com a melhor performance do episódio, “Torn”, de Natalie Imbruglia (os noventistas vibraram ao extremo com a escolha).

Os amigos de Rachel parecem discordar da decisão de Rachel. Notaram como apenas Brody, que é novo da vida da moça, concorda com a nudez? Kurt e as musas Quinn e Santana não. Essas duas ressurgiram das cinzas e foram até Nova Iorque lembrar a amiga dos perigos de se escolher esse caminho. No fim das contas, Rachel retoma seu lado puro e diz um não firme para a produtora do filme.

Aos poucos, Rachel tem esquecido seus velhos hábitos, deixando a velha Rachel para trás. É um poderoso material o que Ryan Murphy tem nas mãos. Fica a torcida para que ele saiba como usar isso.

São as pequenas coisas que ainda continuam atraindo em Glee. A história é super clichê piegas e continuará sendo. O drama do garoto que não se acha capaz, mas que recebe uma ajuda dos amigos pra dar a volta por cima; ou da jovem que precisa ser relembrada de onde veio e quem ela é. Todavia, é nos detalhes que a série se sobressai. E depois de todos os detalhes ressaltados aqui, Ryan ainda pode continuar encantando pelos detalhes.

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