Glee 4×18: Shooting Star

Dizer que Ryan Muprhy é um gênio devia ser o suficiente para uma review de Shooting Star, porque se existe uma certeza nessa vida, é essa: Ryan Murphy É um gênio.

Durante o hiato de três semanas que separou Guilty Pleasures de Shooting Stars, muito se especulou sobre a natureza do décimo oitavo episódio da atual temporada de Glee. E é claro que com um nome que faz referência à tiros (mesmo que literalmente signifique estrela cadente), já se cogitava que Glee fosse tratar de um assunto que, infelizmente, acabou se tornando rotina: os tiroteios nas escolas. Como bons neuróticos, os americanos já estavam se horrorizando com a ideia desde que o nome do episódio foi divulgado, afinal, segundo a lógica deles, o último incidente do tipo havia acontecido há poucos meses e tudo ainda era muito dolorido. Porque não falar sobre um problema é a melhor forma de lidar com ele, não é mesmo?

Bobagens à parte, apesar de estapafúrdia, um tiroteio dentro do McKinley passou a ser uma ótima teoria sobre o que iria acontecer nesse episódio, que teve uma sinopse de apenas duas linhas divulgadas. Junte isso às informações divulgadas pelo próprio Ryan de que seria um episódio mais emotivo que o Break Up, e que Brittany, Sam, Sue e Becky ganhariam destaque e pronto, já esperávamos que a cena de abertura mostrasse com detalhes atiradores invadindo o colégio.

Não foi o que aconteceu — e confesso que a frustração chegou a bater forte aqui, principalmente porque a balança do episódio pendia mais para o lado da comédia — mas ver Lord Tubbington se tornando o centro das atenções acabou dissipando a má vontade inicial com o episódio. Interessante o recurso usados nas vezes em que Brittany foi conversar com a câmera e usaram um efeito similar ao das abertura antigas dos filmes de 007, como se a câmera saísse do cano de uma arma. Talvez tenha sido proposital, porque da primeira vez eu achei que o tiroteio fosse começar.

Depois de algum tempo do episódio rolando, a impressão que dava era a de que, além de Lord Tubbington, a história de Ryder ganharia destaque e, finalmente, descobriríamos quem era a Katie real. De qualquer forma, já me apaixonei pela Katie que não se chama Katie, a garota tem mais carisma que Jarley e Kitty combinados, o que, convenhamos, não é lá muito difícil de acontecer.

Glee 4x18 Shooting Star

Quando tudo parecia perdido no quesito fortes emoções, vem o primeiro ataque cardíaco do episódio: os tiros. Era verdade! O McKinley seria palco de um tiroteio. E numa das melhores sequências da história de Glee, acompanhamos o desespero daquele grupo de pessoas. Desespero por quem não estava ali com eles, “protegidos”, desespero por não saber exatamente o que estava acontecendo fora daquela sala e — porque não? — o desespero de saber que alguém ali pode ser a falsa Katie.

A falta de qualquer outro som, a não ser o das respirações ofegantes e choro, tanto na sala do coral, quanto no banheiro onde Brittany está escondida, foi a escolha perfeita para o momento. Qualquer outra coisa teria diminuído a intensidade de tudo o que estava acontecendo.

Apesar de ter sido um dos grandes momentos de Glee, não dá pra deixar de pensar que poderia ter sido melhor se realmente tivesse existido um atirador, e que alguém na sala de coral poderia ter sido atingido enquanto se movimentava pela sala. Mas talvez não fosse esse o tom perfeito para Glee e Ryan já nos presentou com algo do gênero na primeira temporada de AHS.

Quando Sue diz que nenhum aluno será expulso do colégio porque foi a arma dela que disparou, já fica claro que ela está protegendo alguém, mas descobrir que Becky foi a autora do disparo, mesmo que acidentalmente, causou o segundo ataque cardíaco do episódio (que só perde no quesito “agora eu morri mesmo” para outra cena de AHS, dessa vez da segunda temporada, quando Lana consegue escapar de Briarcliff). Pensando com mais calma, é meio óbvio que Sue defendesse Becky, mas no calor do momento, Becky parecia incapaz de algo do tipo, provavelmente até por um pouco de pré-conceito. Mais um ponto para Ryan Murphy, trabalhando a inclusão social.

Musicalmente o episódio foi bem enxuto. Começamos com Brittany e Sam fazendo More than words, dos one hit wonders do Extreme, passando por Ryder com Your Song, de Sir Elton John, e fechando lindamente com Say, de John Mayer, cantada pelo New Directions.

Shooting Star foi o início da reta final da quarta temporada de Glee. Se os próximos episódios conseguirem manter o nível de qualidade que foi apresentado (potencial e competência pra isso a gente sabe que não falta pra ninguém ali), duvido que a série não seja renovada para mais uma temporada, mesmo que Ryan já tenha novos projetos em andamento. Não acredito que ele já tenha chegado onde queria em Glee.

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