Glee: da telinha para as folhas de papel

Não tem como começar a primeira coluna do ano sem desejar um 2014 repleto de novidades — na TV e fora dela. Depois de cair dentro das ceias de Natal e Ano Novo, chegou a hora de voltar à rotina e ver o que janeiro trará. É tempo de voltar os controles remotos para a HBO com suas séries premiadas e estreias bastante esperadas.

Para os retornos comuns do novo ano, um dos esperados é Glee, que volta em fevereiro nas noites de terça-feira. Será que é uma tentativa de reaver a audiência perdida? O problema de Glee não seja só de audiência mas também de roteiro, e principalmente a falta de um dos protagonistas.

É isso mesmo que você está pensando, querido leitor. A Com Texto e História de hoje invade os corredores do McKinley High School, as ruas de Lima e as aspirações de Rachel Berry. Como toda firma que se preze, no fim de ano aqui no Box de Séries tivemos um amigo-oculto, e felizmente ganhei do meu — o nosso amigo Pierre — o livro Glee: O Início, escrito por Sophia Lowell.

Glee O início

O livro — ao contrário do que sempre acontece — não inspirou a série, e sim o contrário. Glee foi planejado inicialmente para ser um filme centrado em Rachel Berry. Além disso, a obra foi publicada em 2011, quando a atração já estava caminhando para a terceira temporada.

Desde quando fiquei sabendo que a série tinha um livro me perguntei como que funcionaria, já que tudo em Glee gira em torno de performances musicais. Aqui que está o diferencial: mesmo com referências musicais (Bleeding Love de Leona Lewis, Just Dance de Lady Gaga, entre outros), o romance tem foco no desenrolar dos fatos.

A proposta é mostrar o que aconteceu antes do piloto da série (como Rachel chegou no clube Glee, quando suriu o triângulo amoroso Finn-Quinn-Puck, de onde surgiu a amizade de Mercedes e Kurt). Uma espécie de prequel. A narrativa em terceira pessoa é bem simples, divertida e fiel ao perfil de cada personagem. Evidentemente, os leitores do romance são os espectadores da série, mas isso não é uma orbigatoriedade. O enredo de O início é autoexplicativo e permite conhecer cada personagem sem nem mesmo ter acompanhado um episódio da série.

O efeito interessante do livro — para mim que o leu cinco temporadas depois dos eventos narrados — é ver como os rumos da série mudaram totalmente, mesmo o romance sendo uma produção original, ou seja, não é ligada com a da série.

Antes mesmo de William Schuester ter interesse em resgatar o clube do coral, o qual fez parte quando estudava, o glee — composto por Mercedes, Tina, Kurt e Artie — era a escala inferior na cadeia alimentar do McKinley High School. E abaixo dele, Rachel Berry. Uma aluna brilhante, mas que dividia opinião entre os professores — algum a adoravam por ser aplicada, e outros a odiavam pelo mesmo fato — e era totalmente excluída pelos alunos da escola. Seu maior desejo era demonstrar o quão talentosa ela é.

No topo do sistema de castas do ensino médio, as líderes de torcida, treinadas pela eloquente Sue Sylvester, e os jogadores de futebol, que não era um motivo de orgulho para a escola, já que perdiam todas as partidas, mas mandavam nos corredores. Quinn Fabray, a imagem da adolescente perfeita e invejada, que está entre a paixão selvagem pelo pegador da escola Puck, e o padrão do genro favorito para os seus pais, o quarterback Finn Hudson.

Dentre as mudanças, Rachel Berry, a adolescente sedenta pela fama que chegava a ser irritante e não fazia questão nenhuma de ser agradável, ferozmente crítica, agora uma adulta centrada e apaixonante, sem perder a fome pelo estrelato. E também Tina, a falsa gaga altamente tímida, que agora, na série, briga por um solo e já quis ser a Nova Rachel. Como Mercedes nunca percebeu que Kurt era gay, mesmo o garoto suspirando quando via Finn?! A impressão da essência de cada personagem é a marca maior do livro, que transpassa para o seriado.

Os lábio de Rachel formigaram por estarem tão perto de Finn. Ela tivera um sonho, há algumas noites, no qual eles estavam sentados em uma biblioteca […] e ele olhava por cima de um livro e se inclinava para beijá-la. Quando ela acordou, todo o seu corpo formigava. O beijo parecia real; tão real que ela sentiu que o sonho fora uma premonição. Ela beijaria Finn Hudson algum dia.” (página 220)

Para os saudosistas, uma oportunidade de relembrar a “era de ouro” de Glee. Para os amantes de leitura, uma literatura juvenil divertida e bem gostosa de ler. Além de O início, a série de livros continua com Foreign Exchange, que se passa entre os episódios Hell-O e Power Of Madonna, e Summer Break, com eventos narrados após o season finale da segunda temporada, ambos ainda sem versão em português.

Ficha técnica

Título: Glee — O Início

Autor: Sophia Lowell

Editora: Galera Record

Edição: 2011

Páginas: 224

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