GOT 3×05 — Kissed by Fire

As pessoas tem fome mais que de comida. Elas clamam por distrações. Se nós não darmos a elas, elas criarão suas próprias. E suas distrações provavelmente acabarão com nós sendo rasgados em pedaços.” Olenna Tyrell

Uma coisa necessária para a avaliação de uma série é analisar como ela lida com um gênero que não é o principal dela. Apesar da categoria imposta para a inserção da série em premiações, Game of Thrones é uma fantasia. Dentro da fantasia, há drama e aventura. Mas como esses subgêneros são levados?

Não é a toa que Game of Thrones possui tantos personagens. Já pararam para pensar o que seria do arco dos Patrulheiros e dos Selvagens se Jon Snow fosse um personagem diferente, sem o conflito do “sou um bastardo, não me encaixo em nenhum lugar”, ou como as coisas seriam guiadas se fosse qualquer outro além de Daenerys tentando atravessar um mar para tomar seu posto de direito? Sendo assim, é como se Game of Thrones criasse um gênero próprio, que possibilita englobar os outros sem ser necessário rotular. Tomando liberdade criativa, chamo o gênero da série de gênero de personagens.

Em Lost, série com uma mitologia vasta assim como Game of Thrones, o fato de Jack ser um personagem teimoso e com necessidade de consertar o que estava quebrado e Kate ser uma moça inconstante com dificuldade em se acertar em algum lugar impulsionava determinadas coisas, mas não tudo. No fundo, a mitologia sobre a Ilha, sua Luz, Jacob e seu irmão e o destino manipulando-os como marionetes era a motriz que dava os pontapés para quase tudo o que ocorria, dentro e fora da Ilha.

Game of Thrones 3x05 (2)

Já em Game of Thrones, assim como já evidenciado, situações são determinadas e destinos são traçados graças à escolha e personalidade dos que as vivem. Aqui, não existe um Jacob mexendo os pauzinhos para as coisas fluírem. Todos estão jogados na arena da guerra e do desespero, ameaças estão vindo de todos os lados, e cada um deles está jogando esse jogo… sozinhos.

Isso foi evidenciado principalmente no plot de Jon Snow e Ygritte, tão singelamente importante que o episódio até recebeu o título após a maneira que a moça é chamada entre os Selvagens; a Beijada Pelo Fogo. A conversa entre Jon e Tyrion no começo da série entra em questão mais uma vez; o bastardo abraçou sua origem e seu rótulo, se fortaleceu com isso, só com isso ele tomou a determinação de se unir a outros bastardos e rejeitados e quebrados. Foi uma bela cena a deles juntos. Rose Leslie, tão apagadinha na primeira temporada de Downton Abbey, merece destaque pela eterna provocação que apresenta ao interpretar a personagem.

Kissed by Fire foi, também, um episódio repleto de história antiga (o que é sem dúvida um prato cheio para qualquer fã interessado nas raízes da série), mas não jogada aleatoriamente, como por exemplo na cena da segunda temporada onde Arya recita para Tywin a história dos três primeiros Targaryen a chegarem em Westeros. Aqui, a confissão de Jaime é relacionada à ascensão de Daenerys, e as relações sempre estremecidas entre as Casas tomam novas formas. Tyrell, como a rosa de seu emblema, está criando raízes dentro do leão. Os Karstark retiraram suas peças do jogo, então é a hora dos Frey entrarem na partida.

Game of Thrones 3x05

Já virou hábito apresentar novos personagens o tempo inteiro, então só nos cabe receber de corações abertos mais duas: a perturbada Selyse e a carismática Shireen, esposa e filha de Stannis. Selyse, mais que o marido, está cega pela fé corrompida que o Deus da Luz de Melisandre (e surpresa!, de Thoros e da Irmandade também) joga nos meros mortais, então nos foquemos na beleza desvirtuada de Shireen, desfigurada por fora, mas linda e vivaz como um filhote de cervo por dentro. Lindas e valentes, essas crianças de Game of Thrones.

O personagem camaleônico é frequente. Diferente do anti-herói, que assume facilmente os dois lados da moeda, o camaleão não apresenta ambiguidade; ora ele é um, ora é outro, e isso vem como uma cortina que cai e revela um novo palco. Jaime se encaixa perfeitamente no camaleão. Mas também, em uma série repleta de traidores e desvirtuados, quem não o é? Agora, eu pergunto: tem como não considerar Game of Thrones uma série de personagens?

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