GoT 3×10 — Mhysa

O season finale de Game of Thrones teve um quê de anticlimático, o que acaba fazendo sentido já que travou um livro todo na metade para continuar na próxima temporada. Ao contrário do nascimento dos dragões de Daenerys e a ascensão dos White walkers, finales repletos de momentos empolgantes, o episódio sabiamente intitulado Mhysa foi carregado de algo que tem aparecido com frequência maior na série: sentimento. Foi singelo, acomodado, quase familiar, e consequentemente, um alívio perfeito para o episódio anterior.

Daenerys é o que todo mártir procura, a personificação da esperança e uma figura superior que supre vários tipos de carência. Em palavras mais abrangentes, uma mãe. O símbolo da boa rainha não é uma figura que causa medo, e sim amor. O dualismo dos dois distintos sentimentos é algo muito trabalhado no núcleo de Daenerys, e pode até tocar em pontos mais delicados como o fato de ela não ter tido uma mãe e perder o filho ainda na barriga quando ainda era apenas uma troca que o irmão fez. O resultado disso foi um empenho ainda maior em reviver três dragões, e agora, um povo todo.

got 3x10

O conceito da mãe veio de todos os lados nos momentos derradeiros da temporada. A mãe que morreu sofrendo pelo filho e a que morreu sem nem ter tido a chance de se tornar mãe explodiram no episódio anterior através da emoção e depressão que uma guerra gera, enquanto Cersei exercia o lado mais lírico do assunto ao lamentar sua infelicidade como mãe. A figura materna pintada no episódio, combinada com o discurso de Tywin sobre seu clã são provas irrefutáveis de que Game of Thrones é sobre família. Tem honra, conflitos, até guerra, jogo de poder. E que família não tem isso?

Partindo do fato de que os White Walkers se estabeleceram definitivamente como a maior ameaça do enredo, a guerra contra eles necessitará alguma união. Sendo assim, o final de Game of Thrones pode até ser margem para algum tipo de previsão óbvia. Remetendo ao que citei algumas reviews atrás, o gelo está dominando o continente, enquanto Daenerys está vindo com o fogo.

Em questão de estabelecer solos mais fixos, Mhysa se saiu perfeitamente bem. Arya e Bran estão cercados de uma atmosfera instigante. Não há qualquer possibilidade de esses dois personagens não renderem os melhores momentos no futuro da série. Primeiro porque Bran representa uma brecha interessantíssima da mitologia da saga, e segundo porque Arya é Arya. A frieza e a melancolia combinam com ela, e a atriz está tão sensacional que quem nos aponta a maturidade que ela adquiriu não é o roteiro, e sim a jovem Maisie Williams.

got 3x10 (2)

E Daenerys e Arya apenas comandam o que é uma sucessão de personagens femininas boas. Não precisa cair no arquétipo da kick-ass para ser uma excelente mulher em uma história, lugar-comum que muitos roteiros de séries hoje em dia estão aderindo. Catelyn e Sansa, por exemplo, de duas maneiras completamente diferentes, são minuciosamente construídas sem a necessidade de inseri-las em uma cena obrigatoriamente relacionada à guerra ou ao combate. Há personagens masculinos igualmente bons em Game of Thrones, mas vários deles caem em unidimensionalidades; Joffrey é aquilo, sem pôr nem tirar, e é uma certeza de que o personagem não vai apresentar nada mais que o que já conhecemos. Já Osha, por exemplo, a selvagem grosseira, pode muito bem revelar uma faceta de coração partido que jamais imaginaríamos. Justamente por conta da habilidade de se modificar e crescer junto com a história é que Jaime é o personagem masculino mais interessante da série em questão de análise de roteiro. Tyrion, Jon e Bran, outros que rendem boas análises. Mas no geral, as mulheres são de longe uma das melhores coisas que Game of Thrones tem a oferecer.

O finale foi cheio de pouca resolução, mas o Casamento Vermelho mostrou que nada nunca está estagnado. Agora é a hora de movimentar as coisas, e enquanto isso, nós esperamos pelo próximo ano. Aproveito para dar até logo e agradecer pelos comentários (que eu não respondo por muita falta de tempo, mas sempre leio). Voltaremos a nos falar em setembro com as reviews de Homeland.

E se preparem, o inverno parece estar finalmente chegando.

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Personagem afeminado de Cavaleiros do Zodíaco será mulher em remake da Netflix.

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!