GoT 4×01 — Two Swords

O rei nunca está a salvo.” — LANNISTER, Jaime

Algo que me agrada em Game Of Thrones é sua capacidade de se reler e utilizar simbolismos que nos relembram de acontecimentos passados, ao mesmo tempo que são usados para dar seguimento a novas tramas.

Temos uma amostra disso logo na primeira cena de Two Swords ao vermos Gelo ser derretida e virando material para duas espadas. Tal cena nos remete à situação dos Stark pós-casamento vermelho. E essa mesma espada também foi responsável por trazer mais peso à história de Jaime. Não apenas ele ganhou uma nova lâmina, mas uma nova camada em sua personalidade cada vez mais relatável.

Há uma metáfora interessante a ser usada quando se trata dos personagens de Game of Thrones. Todos eles ganham camadas e profundidade que fazem deles completamente diferentes entre temporadas. Porque, assim como a espada, eles são constantemente forjados por eventos que moldam suas personalidades.

GoT 4x01

No entanto, mesmo com toda essa forja, isso não impediu que o episódio perdesse o fôlego em certo momento. A mesma habilidade que a série possui de renovar personagens, também falha ao querer manter alguns deles na estagnação.

Jon Snow e Daenerys são facilmente os favoritos do público e estão distantes o suficiente do resto dos núcleos de outros personagens para terem cenas e momentos voltados unicamente para eles. Mas são justamente esses momentos em que a série evita ser ousada demais.

Jon Snow admite ter quebrado os votos da Patrulha da Noite, mas isso não surte efeito algum. Mesmo falando de Game Of Thrones, sabemos que existe um seleto grupo de personagens que estão no lado seguro da trama. Jon Snow é um deles.

E assim como o bastardo, Daenerys não terá muito o que apresentar até que se chegue o momento em que ela fará alguma coisa impactante na temporada para depois voltar a ficar apagada. Como foi logo após ela ter conseguido o seu exército. Enquanto isso, a série disfarçará esse buraco mostrando dragões sempre que puder.

E essa é uma dos pesares da série ter alcançado o patamar da cultura pop. Haverá momentos em que ela precisará agradar o público que não enxerga as nuances da série, dando a eles uma cena de impacto, vistosa aos olhos, mas que pouco tem a acrescentar à trama como um todo (como o rapto dos dragões na segunda temporada).

Uma série falha quando permite que a barreira que separa o mundo criado para série se torne transparente o suficiente e permita que você interprete as escolhas dos roteiristas para os personagens. Isso tira nossa capacidade de imersão e nos faz enxergar qualquer história como produto.

Voltando ao episódio: Ainda com muito a ter que lidar, Two Swords ausentou alguns núcleos para favorecer os que tiveram foco neste início de temporada, principalmente a apresentação de um novo núcleo de personagens que chegaram com Oberyn Martell. Com o lema “Insubmissos, Não Curvados, Não quebrados”, os representantes da casa Martell, apesar do pouco tempo de tela, possuem potencial para causar mudanças no equilíbrio do jogo dos tronos, se a casa fizer jus ao lema.

A quarta temporada de Game of Thrones finalmente chegou e, diferente da maioria das séries que alcançam esse patamar, ainda possui fôlego porque se esforça para manter seus personagens frescos de alguma forma. Mas é impossível não deixar de perceber que o constante acréscimo de personagens e o desnível de roteiro entre os núcleos acabe se tornando uma faca de dois gumes de aço valiriano.

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