GoT 4×03 — Breaker of Chains

O que faz de um rei bom?” — LANNISTER, Tywin

Houve um tempo em que Game of Thrones foi criticada por ser uma série misógina. Embora não seja raro vermos cenas em que mulheres exibem o corpo com uma frequência maior do que a parte masculina do elenco, podemos interpretar isso como uma forma de a série usar essas cenas como alegoria para mostrar o quão horrível isso é.

Basta olharmos com um pouco mais de atenção para compreendermos que as mulheres de Game of Thrones são personagens fortes, importantes e raramente existem para servir como objeto para algum personagem masculino. E também não é raro vermos George Martin defendendo suas personagens em entrevistas.

Infelizmente, Breaker of Chains trouxe uma cena que, além de ser uma modificação grosseira do que estava nos livros, foi um atentado ao bom trabalho da série em favor das mulheres. No material original, o momento em que Jaime e Cersei fazem sexo no septo enquanto velam o corpo do filho é um ato mútuo, consensual, que nos ajuda a entrar mais a fundo na frustração e fragilidade dos dois personagem perante a perda do filho, resultado não alcançado pelo episódio, que apenas causou desgosto por tamanha grosseria.

GoT 4x03

É difícil achar uma explicação para a inserção de tal cena, afinal, Game of Thrones provou diversas vezes saber o que faz quando se trata de potencializar as histórias de seus personagens. Com a recente morte de Joffrey, levando as atenções para a casa Lannister, é impossível que Jaime e Cersei precisassem de alguma ajuda extra para que os rumos desses personagens tivessem mais força, tornando a situação ainda pior.

Mas não foi apenas o estupro de Cersei que colaborou para o desempenho ruim do episódio. Um segundo momento decepcionante aconteceu durante a cena final com Daenerys. Já tinha reclamado na review de Two Swords que o grande problema das cenas que envolvem a personagem é a falta de objetivo. Em Breakers of Chains não foi diferente, com a personagem dando continuidade à invasão de cidades de libertação de escravos.

Nas primeiras vezes que isso aconteceu em temporadas anteriores, as cenas tinham mais efeito tanto por serem novidade, como por terem uma relação muito mais forte com Daenerys do que elas têm agora. Mas em dado momento, tais cenas soam como truque velho, além de deixarem explícito o quão pouco a série tem de material para a personagem. No entanto, a reação entusiasmada das pessoas com essas cenas me deixa confuso. Vocês realmente se satisfazem com tão pouco?

Com isso posto, os momentos fortes do episódio foram os que trabalharam os desdobramentos da morte de Joffrey, especialmente a cena em que Tommen é perguntado por Tywin o que faz de um rei bom. O diálogo entre os dois nos proporciona mais da história dos reis de Westeros, assim como nos dá material para avaliarmos qual o potencial do novo rei e o que esperar dele.

Game of Thrones sempre ganha quando nos dá uma mínima noção do que esperar no futuro (assim como aconteceu no episódio passado com as visões de Bran). Mesmo que não cumpra com as nossas expectativas, poder esperar algo da série é sempre melhor do que nos manter passivos em frente à tela sem nada que nos instigue.

Outro ponto forte que a série com frequência explora é a simpatia que os personagens têm um pelo outro. Enquanto pudemos ver isso na cena entre Sam e Gilly, mesmo que tenha sido na forma atrapalhada dele não saber o que fazer ou o que sente, o momento mais especial do episódio não podia vir de outro personagem senão de Tyrion, que estava despido da eloquência capaz de ofender diplomaticamente para se deixar levar pela fraternidade que ele sente por Podrick.

Era praticamente impossível esperar que após um evento tão grande o terceiro episódio desta temporada pudesse superar o anterior. Mas é minimamente aceitável que a série soubesse trabalhar com os efeitos que a morte de um de seus melhores personagens causou em todos os outros. No entanto, a série traz nesta semana um episódio que pode não ter sido ruim, mas que se torna decepcionante por não cumprir expectativas mínimas e transformar seu melhor potencial em algo grotesco.

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