GoT 4×04 Oathkeeper

Um homem sem motivos é um homem acima de qualquer suspeita. Sempre mantenha seus inimigos confusos. “ — MINDINHO

Diferente do episódio anterior, Oathkeeper consegiu conduzir a história do episódio ao lembrar-nos quais são suas melhores características. Ao iniciar com a cena de Verme Cinzento aprendendo a ler, a série nos dá a profundidade que ficou faltando no encerramento do episódio anterior. Daenerys possui diversos personagens ao seu redor, mas é raro os vermos tendo sua personalidade esculpida. Quando Game of Thrones escolhe omitir o quão boa é a construção de personagens que estão ao redor do elenco principal, perdemos importante contexto.

Ainda no mesmo arco, Daenerys teve melhor execução do que ultimamente vinha apresentando. Apesar de cenas que soam repetidas (como aquela em que os escravos recém-libertos gritam “Mysha” enquanto Daenerys passa por eles, nos lembrando da cena final da temporada anterior), a história conseguiu levar isso um pouco além.

Agora, temos uma melhor percepção da mulher que Daenerys está se tornando: arrogante e imprudente. Mesmo assim, ainda fazem falta cenas em que ela discute suas atitudes com seus conselheiros que, assim como outros personagens que a rodeiam, passam boa parte de suas cenas servindo de decoração, com pouca ou nenhuma fala.

GoT 4x04

Avanço também pôde ser percebido no arco de Jon Snow, embora continue de certa forma monótona, a curta cena em que Snow treina seus companheiros serve para acender alguma chama de expectativa para o que está por vir. É sempre bom quando somos lembrados que eles são uma patrulha por um motivo.

Talvez o maior problema do arco seja o fato de que o bastardo de Ned Stark esteja tão no centro das atenções que, frequentemente, esquecemos que existem pessoas que estão acima dele. Retratá-lo como líder nato traz poucos benefícios para o personagem.

É por isso que histórias como a de Jaime fazem do personagem muito mais interessante. Chega a ser irônico ver o personagem no meio de tantos questionamentos morais, principalmente por estar no centro de uma guerra familiar entre seus irmãos, tendo sua irmã e amante questionando sua lealdade, enquanto seu irmão detento se vê às vésperas de um julgamento por regicídio, um título carregado pelo próprio.

Partindo disso, entendemos as motivações que o levaram a entregar a espada para Brienne. Em parte, ele não se considera capaz fisicamente e moralmente de brandir a lâmina. A capacidade de manter promessas é uma característica inquestionável de Brienne, que no episódio de estreia desta temporada fez menção à morte de Renly, não apenas por ele ser seu objeto de desejo, mas porque sua lealdade continua, independente de sua morte. O mesmo com Catelyn Stark.

E embora essa cena tenha trazido bastante consistência para o episódio, foi impossível não se ofender com o conjunto de cenas que explicava toda a trama por trás da morte de Joffrey. Naquele momento a série se prestou a explicar o óbvio e eliminar o suspense que tinha sido construído de forma inteligente, utilizando-se de enquadramentos e cortes de cena para aguçar a curiosidade.

Comentei algumas vezes nas últimas reviews que uma das melhores coisas que a série poderia fazer para quem assiste aos episódios é nos dar algo para esperar. Foi exatamente isso que aconteceu nas cenas finais que, além de surpreenderem os leitores dos livros com mudanças drásticas, trouxe uma confusa (mas proveitosa) revelação sobre os White Walkers.

Enquanto fica difícil saber quais são as intenções da série em colocar o grupo de Bran em risco, é ótimo podermos ter a chance de vermos os White Walkers além de uma ameaça. O cântico que as esposas de Craster entoaram colocando-os como deuses, aliado ao que aconteceu na última cena, abre possibilidades para uma interpretação mais ampla de um dos mistérios da série. E dado à crueldade das cenas que vimos antes disso, fica fácil torcer para que os caminhantes brancos façam algo que possa ser considerado bom.

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