GoT 4×07 — Mockingbird

O que posso comprar com gratidão?” — BRONN

Tendo lido Tormenta de Espadas, o terceiro livro que serve como espinha dorsal para esta quarta temporada, começo a contar nos dedos os momentos-chave da história que, supostamente, devem acontecer nos episódios que sombraram. Sem dar nenhum tipo de spoiler, este é um livro que muda dramaticamente o equilíbrio das tramas de Westeros, como pudemos ver logo no início, com a morte de Joffrey.

É por esse motivo que, quem leu os livros, se mostra um pouco mais paciente com o lento desenvolvimento de algumas tramas, porque, logo mais, algo de importância pode acontecer. No entanto, a série não é apenas para quem leu o material original. E é nesse ponto que a série mostra certa fragilidade ao deixar à deriva quem apenas assiste à série.

Porém, Game of Thrones, no episódio desta semana, manteve sua consistência ao começar com cenas de um de seus melhores personagens: Tyrion. Quase que dando sequência aos eventos do episódio anterior, passamos por boa parte do episódio, vendo o anão procurando desesperadamente alguém que lute em seu nome. Enquanto, obviamente, a tarefa não foi fácil, essa dificuldade serviu de fonte para todos os personagens que dividiram tempo de tela com Peter Dinklage, que continua com sublimes diálogos e atuação no ponto certo.

GoT 4x07

Uma característica que vale a pena ser ressaltada é a ausência de contato físico entre os personagens. Houve momentos que a ternura compartilhada entre Tyrion e Jaime era tão palpável que um abraço entre irmãos caberia muito bem durante a cena, mas para evitar recorrerem a momentos de sentimentos mais explícitos, o episódio nos conduziu a sentir o momento, ao invés de participarmos apenas como espectadores.

No entanto, o episódio faz exatamente o contrário quando é Bronn que visita a cela de Tyrion. Ao mesmo tempo em que o aperto de mão deixa clara a fraternidade que um tem pelo outro, também mostra que esses laços são bem diferentes do que Tyrion tem com o irmão.

Essa característica é importante para observarmos que a série sabe exatamente qual é o lugar que cada personagem de Game of Thrones ocupa ao desenvolver relações interpessoais. A série sempre soube dar personalidades críveis, de forma que suas particularidades podem ser percebias por nós, raramente falhando na construção do caráter dos personagens.

Sentimentos como esse estiveram presentes durante todo o episódio, com destaque para o que pode ter sido a melhor cena que Arya teve durante a temporada.

Além de aproveitar para não deixar-nos esquecer de que estamos lidando com uma situação de captor e raptada, a série coloca toda sua força em extrair simpatia em duplas improváveis ao torná-los mais do que bons e ruins, mas peças lapidadas por eventos que mudaram suas vidas.

E enquanto vemos Sandor Clegane como o resultado de um trauma de infância, acompanhamos Arya se tornando cada vez mais madura e esperta com o passar do tempo, mesmo estando em um arco que dê poucos recursos para ser trabalhada.

Se houve uma falha em suas cenas neste episódio, foi a ausência de reação da personagem ao descobrir a morte de Joffrey. A série pareceu se esquecer de que o finado rei constava em sua lista de vingança.

Na mesma situação se encontram as histórias de Jon Snow e Melissandre (e todo o elenco de Pedra do Dragão). A série possui muito com o que lidar com toda a trama e acaba tendo que sacrificar algumas partes dela. O grande problema é que, em algum momento, esses arcos que foram forçosamente ignorados se tornarão importantes para o desenvolvimento da história, mas estarão prejudicados pelo desenvolvimento fraco, afetando nossa capacidade de se importar com os rumos que eles tomam.

Desse destino nem mesmo Daenerys tem se mostrado capaz de se ver livre. Apesar da mudança na dinâmica de suas cenas, a personagem se vê rodeada novamente em estagnação. Não bastasse isso, sua cena com Daario Naharis acabou servindo unicamente para justificar a presenta de Jorah, que, nos livros, se mostra muito mais apaixonado pela mãe dos dragões do que na série que completamente ignora essa faceta do personagem.

Mas enquanto Game of Thrones segura algumas histórias, existem alguns momentos em que ela prefere ir direto ao ponto, como foi o caso do evento desenvolvido no final deste episódio. Passamos um bom tempo vendo Sansa sofrer todo o tipo de violência que podíamos tomar como quase certo que a personagem não escaparia da loucura de sua tia.

O mais interessante de toda a cena que envolve a morte de Lysa Arryn são as possibilidades que isso traz para a personagem. Apesar de estar longe do território Lannister, isso não significa que ela esteja livre dos perigos que Petyr Baelish é capaz de fazê-la sofrer. Isso fica bem claro na cena em que ele diz que ela é mais bela que a mãe, a mulher por quem ele faz questão de dizer que foi a única que amou.

Isso nos faz concluir de que não são necessários longas cenas ou inúmeros episódios para fazerem personagens e histórias de Game of Thrones funcionarem na tela da TV. Algo que a série parece ainda ter problemas de saber como desenvolver tramas que seja inéditas para o livro sem distorcer seu direcionamento, ou como aproveitar as histórias já existentes sem parecer que tais cenas estejam lá pra mostrar o personagem porque ele precisa ser mostrado fazendo alguma coisa.

Adaptação é justamente o trabalho de transportar um conteúdo de uma mídia para a outra levando em consideração os desafios que cada formato impõe. Criar conteúdo novo jamais será um pecado quando eles adicionam algo de importância para a trama como um todo. Do contrário, tais histórias lançam a serie em queda-livre. E como bem mostrou o episódio, essa é a direção errada para voar.

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