GoT 4×10 — The Children [Season Finale]

Os jovens podem até se alegrar com o novo mundo que você construiu para eles, mas para os velhos demais para mudar, só existe o medo e a miséria.” — FENNESZ

Sendo um leitor dos livros, grande parte da diversão de assistir a Game of Thrones vem das tentativas de prever o momento em que certos acontecimentos serão exibidos pela série (e como eles foram visualmente interpretados pela série).

Há duas semanas, em uma conversa com um amigo, disse que o nono episódio seria bom, mas abaixo do esperado para os patamares do tradicional episódio-evento, e que o último episódio seria uma sucessão de eventos impactantes. Enquanto eu estava completamente certo sobre The Watchers of The Wall, não posso dizer o mesmo de The Children. Eu estava meio certo.

Não é fácil assistir Game of Thrones. Seja você fã apenas da adaptação televisiva ou ávido leitor dos livros, a série sempre irá encontrar uma forma de colocar esses dois distintos grupos sob o mesmo percurso nebuloso que se tornou tentar entender a direção em que a série ruma. Diferente do que podemos supor, a série sabe usar isso em seu favor ao subverter os patamares que ela mesma construiu.

The children mostra isso ao continuar exatamente do ponto onde o episódio anterior terminou. Os primeiros minutos nos faz compreender por que a chegada das forças de Stannis precisava de um respiro após a tentativa de invasão a Muralha. Embora a chegada de Stannis tenha sido o ponto mais baixo desse arco, o dialogo entre Snow e Mance fez o desenvolvimento de personagem caminhar mais do que a temporada toda conseguiu, porque extraiu dele a humanidade que faltou em diversos momentos.

GoT 4x10

Fragilidade é uma característica importante para que qualquer personagem torne-se identificável e para que possamos enxergar o peso das situações pelas quais eles passam. Essa foi a característica mais latente durante todo o episódio.

De alguma forma, todos os personagens cederam à pressão que a vida e os tempos de guerra (interna e externa) os impuseram a cada um deles, revelando segredos, chegando a extremos antes inimagináveis e lançando-se ao desconhecido.

Outros pontos fortes de The Children vieram através da habilidade da série em trabalhar os temas do episódio, tanto de forma irônica (o episódio foi exibido no dia em que os Estados Unidos celebram o dia dos pais), como os diversos sentidos que ela pode assumir. Enquanto esse nome é utilizado para descrever o desconhecido grupo de habitantes de Westeros, grande parte das cenas envolviam pais e filhos direta ou indiretamente.

É por isso que, particularmente, a morte de Sandor Clegane foi uma das mais singelas do episódio. Sem tirar o crédito de Tyrion e Tywin, a relação ao estilo Síndrome de Estocolmo trouxe o melhor dos dois personagens, mesmo em momentos em que suas histórias pareciam não ter muito propósito.

Ao todo, este último episódio pode ser entendido como uma síntese de toda a temporada. Embora repleta de momentos memoráveis que propõem mudanças em grande parte de sua história, os problemas que a série enfrenta ficam visíveis e, às vezes, difíceis de compreender dadas as escolhas feitas pelos roteiristas.

A parte mais intrigante de todo o episódio, para quem já conhece os livros, foi a ausência de um acontecimento completamente importante que só beneficiaria o potencial do episódio. Mas estamos falando de uma temporada cujo posicionamento de alguns de seus eventos foi trocado de ordem sem explicação aparente.

Para aqueles que sabem do que falo, só restou uma ponta de decepção em um episódio que poderia ser ainda mais do que foi. Para quem não sabe, dizem que a ignorância é uma benção. Porque essa expectativa se tornará uma tortura que só terminará ano que vem. Não é fácil assistir Game of Thrones.

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