Gotham 1×04 — Arkham

Ninguém procura por um homem morto”. — COBBLEPOT, Oswald “Penguin”

Preciso começar esse review com um comentário pertinente, ao menos para mim, na verdade uma dúvida: sou só eu que me distraio de vez em quando, ou quase sempre, com o nariz do Bem McKenzie? O nariz dele é bem estranho, isso eu penso desde The OC, mas tudo bem, é que os planos de Gotham sempre mostram um close dele, alguns por episódio. Mas vamos ao que interessa: uma vez superado o empecilho nariz do detetive James Gordon, falarei sobre Arkham.

Surpreso mesmo eu fiquei quando comecei o episódio e descobri que não havia assistido ao final do anterior. Então tive que voltar e a grande surpresa do final já estava estragada, não que tenha sido grande coisa, mas deve ter sido legal ter deixado o episódio três com aquela ansiedade para ver o que acontecia durante a visita do Oswald (Pinguim) ao apartamento de James. Só para depois descobrir que não aconteceria nada espetacular, o que era de se esperar, mas eu gosto da forma que estão nos reapresentando o Pinguim, que aparentemente vai ser o primeiro vilão clássico do universo Batman a ascender durante a série.

Fiquei feliz que o “bandido” desse episódio (lembrando que bandido entre aspas, porque Gotham nos apresenta uma gama de personagens ambíguos até agora). Enfim, fiquei feliz com o fato dos jornais de Gotham não deram um nome a ele, do tipo Spikeman, ou coisa do gênero como aconteceu no episódio anterior com o BallonMan. O apelido circulou apenas entre os envolvidos no caso, no entanto, dar codinomes aos bandidos faz parte da cultura dos quadrinhos em geral e vamos combinar que Gotham não tem vergonha de suas origens, tudo na série grita HQ’s.

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Gotham me surpreende por ter um clima muito mais Tim Burton de 1989 e 1992, do que da era Nolan do cinema. Os personagens caricatos, a linguagem pesada e as poucas cenas de ação mostram um cenário muito parecido com um jogo de Xadrez, no qual se vê pouco movimento das peças principais, como Don Falcone e Don Maroni, os grandes mafiosos rivais que comandam o crime organizado na cidade.

Sempre um destaque especial, mas também com pouco movimento para Fish Mooney. A atriz entrega uma personagem fantástica, mesmo sob o clima um tanto forçado das situações nas quais os roteiristas a colocam. E uma lembrança feliz desse episódio, para mim ao menos, foi o que eu intitulei como “Cat Fight for Fish”: seu plano maquiavélico para derrubar os dois maiores mafiosos de Gotham inclui colocar duas candidatas a uma vaga de emprego misterioso, ou nem tanto, para lutarem uma contra a outra pelo trabalho, literalmente lutar. Ninguém pode negar que essa solução foi no mínimo engraçada.

Ok. Nem de longe esses assuntos foram o tema principal do episódio, que veio com o título Arkham, e nos mostra a origem e um lugar tão importante para o universo Batman/Gotham. E foi por isso que tivemos o “Ritman/Spikeman” na história, já que ele era o cara contratado para matar, com a intenção de manipular os votos dos vereadores, que estavam incumbidos da decisão sobre qual projeto de revitalização era melhor para a área da cidade que incluía Arkham.

E no fim das contas, Gordon consegue pegar o assassino, no caso Bullock adiciona mais um bandido morto à sua coleção e o prefeito acaba aprovando uma fusão dos projetos rivais, beneficiando as duas famílias de mafiosos. Nada de surpresas até aqui, porque na série o que tudo indica é que a bandidagem vai ganhar muitos pontos antes do lado do bem conseguir ao menos chegar próximo do gol, cesta, ou qualquer lugar onde marquem-se pontos em algum esporte que você queira fazer analogia.

Não posso deixar de citar participações sempre agradáveis e cheias de vida por parte dos personagens Bruce e Alfred. Acredito que os dois são os que mais provocam aquela sensação de expectativa nos fãs. Mas lembrando que a série é sobre a origem do futuro Comissário Gordon, o futuro Batman vem só de carona.

Pinguim faz seus movimentos para deixar de ser um peão e começar a atuar entre os reis e rainhas do grande tabuleiro de personagens da série. Percebe-se pelo calibre dos atores escalados para Gotham que houve uma preocupação excepcional com o carisma, tanto para o bem quanto para o mal, e mesmo aparições mais tímidas como a de Edward Nigma, nosso futuro Charada, valem a pena nosso tempo.

Como todos esperavam, a série já conseguiu uma temporada completa e provavelmente terá uma infinidade de outras temporadas pela frente, se continuar assim. Pessoalmente, acho que o roteiro não chega a ser fraco, mas mesmo para mim, que não acompanho o universo das HQ’s, não é muito inovador. O que não faz a série ser ruim. Ressaltando que essa é uma visão pessoal, na minha opinião não fez a estreante desfilar entre as melhores da fall season, no entanto, eu estou do lado oposto da gama de fãs que, com razão, já dão feedbacks extraordinários para a produção.

Costumo escrever as críticas baseadas nos acontecimentos mais interessantes dos episódios, no que me chama mais atenção e quem se destaca na tela. Gotham deixa esse trabalho difícil, pois tem muitas estrelas, o que não sobrecarrega o personagem Jim Gordon, mas cobra mais do ator Bem McKenzie, afinal ele deve ser a atração principal, não? Por enquanto isso não pareceu problema, o ator tem se mostrado capaz de sobressair a toda essa confusão e entregar um trabalho memorável.

Fica sempre o desejo de que Gotham traga muita alegria aos fãs, eu com certeza pretendo acompanhar a série pelo tempo em que ela estiver no ar, pois a TV precisa de mais produções ousadas assim. Reescrever um universo como esse não é tarefa fácil, afinal, nem todo mundo é um Burton ou Nolan da vida.

Críticas e comentários abaixo. Sejam razoáveis, essa é minha primeira review de Gotham.

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