Hannibal 1×06 — Entrée

Aqui estamos: um bando de psicopatas ajudando uns aos outros.” Lounds, Freddie.

Chegamos a um prato de mais sustância em nosso banquete. Saborosíssimo por sinal (e o primeiro episódio realmente empolgante na minha opinião).

A principal mensagem que permeou todo o sexto capítulo de Hannibal foi: nem tudo é o que parece ser. Nem todo mundo é quem diz ser. Aliás, aquele acima de qualquer suspeita é o que mais guarda segredos. Aquele que parece ter muito a revelar pode não possuir nenhum mistério. E pelo visto, só mesmo as uvas servidas na sobremesa não têm nada a esconder.

Eddie Izzard, famoso comediante de stand up britânico, interpreta o Dr Abel Gideon, que está internado em Baltimore. Ele mata uma das enfermeiras do local (hello, como me deixam um cara de alta periculosidade sem monitoramento na enfermaria?) e passa a clamar para si os créditos de uma série de assassinatos cometidos há dois anos pelo Estripador de Chesapeake. Óbvio que, não sendo ele o Estripador, o verdadeiro assassino não gostaria de ver outro assumindo “as glórias pela sua arte”. Mas tudo leva a crer que Gideon possa mesmo ser quem diz ser, afinal, desde que ele foi encarcerado, o Estripador não fez nenhuma vítima. E o que ele faz com a enfermeira não deixa dúvidas de que ele preenche os requisitos. Aliás, acho importante destacar aqui que Hannibal não economiza na violência gráfica. Imagens perturbadoras são expostas em longos takes — o que é muito raro para um programa de TV aberta nos EUA. Mas o diretor Michael Rymer faz questão, por exemplo, de manter a câmera na enfermeira enquanto seus olhos são esmagados e não desvia para Will ou opta por uma visão mais afastada (como faria qualquer Law & Order ou Criminal Minds). Mesmo nos flashbacks de Jack, a câmera não tem pressa ao desfilar sobre os corpos das vítimas ou sobre poças de sangue.

hannibal ep6

Mas como eu disse, o verdadeiro Estripador, ao saber que outro tenta assinar suas esculturas, trata logo de dar as pistas de que ele ainda anda pelo mundo, ao invés de permanecer no conforto de ter outro pagando por seus crimes. E para que ele se revele, Jack não hesita em usar a ambição de Freddie Lounds, que busca seus furos jornalísticos.

E com essas pistas / provocações, muito me espanta que Jack, no meio de todo o turbilhão deste caso, tenha ido procurar o aconselhamento de Hannibal sobre o câncer de Bella. Ora, se o caso do Estripador de Chesapeake envolve o desaparecimento em aberto de sua assistente há dois anos (a sagaz Miriam, interpretada por Anna Chlumsky), era de se esperar que Jack se visse atormentado por este fato, nem que fosse um pouquinho. Bom, não demoramos a descobrir que o verdadeiro Estripador quer forçar Jack a se sentir culpado pela suposta morte de sua antiga aprendiz. Ou vê-lo esperançoso com a possibilidade de ela ainda viver.

Muito me intriga o tempo que Dr Hannibal Lecter demora a aparecer no episódio: 14 minutos. Durante 14 minutos, ele nem é citado. Sei que, mesmo nos livros, a história não começa girando em torno dele, mas nós já sabemos quem ele é, já sabemos do que ele é capaz, não é como se ele fosse um personagem inédito. Então, conhecendo o potencial de Lecter, ficamos um pouco ansiosos para vê-lo mais em ação. Mas é o final de Entrée que nos revela o porquê de todo esse banho-maria. Hannibal, o predador, o Estripador de Chesapeake. Por quais outros codinomes já terá sido chamado?

E, apesar de meticuloso e metódico (como destacou Will), é um predador que precisa agir no impulso, às vezes. E talvez, numa dessas vezes, tenha cometido algum descuido. Eles sempre se descuidam em algum momento…

Muito do tempero desse episódio veio em identificar referências dos filmes e dos livros de Thomas Harris. Com certeza, as mais suculentas foram as visitas que Will, Jack, Alana e Lounds fizeram ao hospital estadual em Baltimore, terrivelmente familiar. O lugar que, (se tudo correr conforme esperamos) dentro de alguns anos, testemunhará os diálogos cheios de desafios entre Hannibal Lecter e Clarice Starling, em lados diferentes das grades. Particularmente, a sequência em que Alana caminha pelos corredores, ao encontro de Gideon, deve ter feito muitos fãs de O Silêncio dos Inocentes se empolgarem. Outra emoção para os fãs do livro: a maneira como Miriam encontra o Dr Lecter e descobre sua natureza é bem semelhante a como Will o conhece em O Dragão Vermelho. Aposto que quem leu o livro também teve um arrepio ao ver o Dr Chilton ( Raúl Esparza) à mesa com Dr Lecter. O que o futuro guarda para os dois?

A “entrée” foi o prato que, esperamos, antecederá os pratos principais — e se a entrada já foi nesse nível, uau, dá água na boca de imaginar o que está por vir!

Observação: Entrée “vazou” na internet 24 horas antes de sua exibição na NBC. Esperava-se com essa estratégia que se criasse uma cadeia de recomendações entre o público. Pelo menos, na internet funcionou. Durante todo o dia, nas redes sociais, quem já havia assistido ao episódio postava coisas do tipo “melhor episódio até agora, vocês não podem perder”.

Observação 2: Bisbilhotando o twitter do Bryan Fuller, eu descobri que a MGM detém os direitos sobre O Silêncio dos Inocentes e, inclusive, sobre o nome Clarice Starling — o que significa que provavelmente não veremos a personagem na série. É suficiente para azedar nossa sobremesa?

Observação 3: No episódio da semana que vem, tem Gillian Anderson! Yes!

Sobre o Autor

Avatar

BOXPOP

Site especializado em cultura pop, fundado em agosto de 2007. Confira nossos podcasts, vídeos no youtube e posts em redes sociais. Interessados em contribuir como autor no site podem entrar em contato: contato@boxpop.com.br

Deixe um comentário

clique para comentar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

OUÇA O BOXCAST

VIDEOCAST

Personagem afeminado de Cavaleiros do Zodíaco será mulher em remake da Netflix.

Confira o que achamos da versão ilustrada de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban em português.

Wanessa tá de clipe novo. E o clipe define o que "é ruim mas é bom".

SEJA UM PADRINHO!

Contribua!