Hannibal 1×08 — Fromage

Eu prefiro intestino”, Hannibal

Confesso que, para mim, comer carne nunca mais foi a mesma coisa depois de Hannibal. A partir de Fromage, tocar violoncelo também não será algo comum. Nunca vi ou toquei uma corda de intestino, apenas as de aço, mas agora já estou bem desconfiada daquele arco que “dizem” que é feito de crina de cavalo. Mas isso é reflexo do poder que Hannibal tem de impregnar a mente do espectador com imagens marcantes. O desconforto que muitas cenas causam, às vezes, demora mais que alguns minutos para passar — e só por isso a série de Bryan Fuller já merecia sua renovação (embora este oitavo prato do banquete tenha sido a segunda pior audiência da história de Hannibal). A audiência medíocre foi também consequência de o episódio ter sido exibido no mesmo dia em que vários season finales.

O mais interessante do capítulo foi ver Hannibal crescer mais e mais em importância na trama. Se os três primeiros episódios fizeram crer que Will Graham era o protagonista, agora parece que a história está mesmo girando em torno daquele que nomeia a série. E as possíveis consequências das mortes de Franklin e Tobias, que puseram o Dr Lecter sob o holofote de uma investigação policial e plantaram uma pulguinha atrás da orelha de Jack Crawford, podem ser bem grandes. Assim espero, já que Hannibal tem mania de não levar muito adiante alguns arcos, que se finalizam dentro dos próprios capítulos.

hannibal ep108 Demore Barnes

A teatralidade com que os assassinatos da série são encenados ganhou nível épico com todo o posicionamento do trombonista morto: palco, luzes, um grande teatro. Roubou o posto daquele caso dos anjos. E nenhum outro momento “vendo através dos olhos do assassino e pensando como psicopata” foi tão incômodo quanto Will tocando as cordas vocais daquele corpo. Ou com os detalhes de como o intestino humano era transformado em cordas de violoncelo. Sério, seria fácil considerar tudo isso tão surreal se o próprio Bryan Fuller não tivesse tuitado um documentário sobre o uso de intestino de animais na luthieria (ok, depois de conseguir ver apenas metade desse documentário, acho que eu nunca mais vou encarar um prato de macarrão como antes). Mas intestinos são a matéria prima do assassino da semana.

O misterioso Tobias Budge (Demore Barnes) havia aparecido brevemente no episódio anterior. Seu ar soturno até tinha dado dicas de que ele escondia um grande segredo, mas suas duas ou três falas em Sorbet fizeram dele um mero coadjuvante, até então. Aqui, sua presença foi importante para mostrar que Hannibal, embora seja um predador confiante, também é descuidado e nem percebeu que estava sendo seguido, observado e descoberto! Os diálogos entre os dois assassinos me pareceu uma versão mais sofisticada de Dexter, especialmente no que diz respeito ao confronto entre os dois. Primeiro, durante o jantar, em que ambos admitem seus planos de matar um ao outro para servir aos seus propósitos macabros. Depois, no surpreendente corpo-a-corpo. Quem diria que o Dr Lecter era tão bom de briga, não é mesmo? Mas gostei que o diretor Tim Hunter (que já fez de Glee a Breaking Bad, passando por Revenge e House) optasse por não fazer do Dr Lecter um super homem. Deixou toda a sequência da luta muito mais real, com aquela sensação de que a coisa toda podia ter dado muito errado para o nosso protagonista.

Porém, foi de uma sessão com a Dra Du Maurier que saiu o momento mais revelador de Fromage: a confissão de que Hannibal vê em Will um possível amigo. “Vemos o mundo de formas diferentes, ainda assim ele pode enxergar o meu ponto de vista”, disse o terapeuta. Essa revelação acrescentou um tempero especial ao prato, pois a preocupação que Hannibal demonstra por Will é genuína (como também aconteceu ao saber do câncer de Bella). Será que o assassino espera que Will, um dia, compreenda sua motivação, sua opção de vida? Ou será que ele deseja que Will carregue seu legado, seja seu aprendiz? Ou ainda, será que eles poderão ser aliados? Muitas questões em aberto.

Espero apenas que os próximos pratos continuem saborosos e densos e que não esqueçam de personagens que são promissores e que estão fazendo falta, como Abigail Hobbs e Freddie Lounds.

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