Hannibal 1×13 — Savoureux (Season Finale)

O sangue de Abigail está sobre todos nós… e o de Will também” Bloom, Alana

Não era um amigo. Não era um paciente. Para Hannibal, Will não foi nada mais do que um experimento.

A dica já havia sido dada pelo próprio canibal no episódio passado. E neste season finale ficou mais do que evidente, na constatação da própria “cobaia”.

Savoureux foi a sobremesa, mas para o espectador pode ter deixado um gosto amargo na boca. Will e Hannibal se encararam em lados opostos das grades prisionais, mas não nas posições certas. O que pode ser frustrante para o espectador, que anseia pelo tal “final feliz”, mas foi fabuloso como cliffhanger. Fico me perguntando se esse teria sido o final caso a série não ganhasse uma renovação. Hannibal e sua vitória… que agora, espera-se, seja apenas temporária.

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Muitas perguntas surgiram deste final: Como Will vai provar sua inocência, estando preso? A equipe aceitará as evidências ou buscará as que provam a inocência do agente especial? Hannibal continuará por perto? Já na minha primeira review, eu disse que um bom suspense era feito de muitas perguntas e, neste aspecto, Hannibal não decepcionou. O mais empolgante é que vieram também muitas respostas, deixando a temporada de 13 episódios muito bem amarrada.

Hannibal Lecter orquestrou todos os fatos e evidências para que todos os crimes do Imitador pesassem sobre Will. Talvez a sua falha tenha sido essa. Quando se tratava apenas do desaparecimento de Abigail (como o Will vomitou uma orelha inteira e INTACTA, não afetada pelo suco gástrico?), o agente especial estava pronto para aceitar a culpa. Mas quando foi informado de que responderia por crimes cometidos antes da sua febre atacar, passou a entender que estavam armando para ele. Chegou a cogitar até a possibilidade de que Jack fosse o responsável por essa armadilha. Pronto. O plano maligno de Hannibal não poderia ter terminado melhor, com Jack e Will um contra o outro.

O Dr Lecter plantou provas em cada mínimo detalhe. Um desses momentos pode ter passado despercebido para o grande público, já que aconteceu justamente no quarto episódio, aquele que foi exibido apenas na internet e apenas alguns trechos. Mas já lá, em Ceuf, víamos um sorrateiro Hannibal entrando na casa de Will e plantando evidências, que só foram encontradas agora, nove episódios mais tarde. Isso mostra a consistência da trama, que mesmo desviando aqui e ali, conseguiu finalizar a primeira temporada sem grandes buracos na história.

Sempre tivemos pistas de que essa história de amigo não passava de balela. Mas Hannibal fez com que todos acreditassem, manipulando, inclusive, sua própria terapeuta, Bedelia Du Maurier. Mais do que uma batalha de manipulação, Hannibal travou uma guerra de credibilidade, em que Will perdeu miseravelmente. É o único que sabe a verdade sobre Hannibal Lecter e sobreviveu para contar, mas quem é que acredita em um louco?

Falando em acreditar, todas as pessoas ligadas a Will estão enfrentando dificuldades em crer que o agente seja capaz de tantas mortes elaboradas. Tivemos momentos tristemente brilhantes para o elenco de apoio. Beverly, que é uma coadjuvante super bem construída, embora seu espaço na série seja pequeno, quebrou o silêncio de todos, querendo que Will lhe desse uma resposta mais fácil de assimilar, uma direção a seguir e provar sua inocência. E como não se arrepiar com a atuação de Caroline Dhavernas, com seu grito silencioso dentro do carro? O desespero de sua Alana Bloom, mesclando a incredulidade com a culpa. Sua cena com Will, na sala de interrogatório, foi um dos momentos mais sentidos de Savoureux.

Para Jack Crawford, tudo está muito complicado. Na teoria, é a segunda vez que ele empurra um agente para o abismo. Mas ele questiona as próprias descobertas e as evidências (manipuladas), exclamando em um determinado momento: “Então agora Will Graham é um serial killer que guarda troféus?”. Laurence Fishburne entregou uma atuação comedida, que se distancia de seu último investigador na televisão, em CSI. Jack sempre foi um personagem sofisticado (no sentido de complexo) e o ator escolhido não poderia ter sido mais adequado.

E não é apenas pela amizade que estes personagens se recusam a acreditar no cenário que se desdobra diante deles. Hugh Dancy construiu um Will Graham doce, dócil, em conflito, apesar de seu lado sombrio, que é mais um carma do que uma arma. É um heroi trágico, com a pior característica que alguém em sua posição pode ter: a fragilidade. Além de frágil, Will é também ingênuo — é só ver o que a descoberta sobre Abigail ser assassina fez com a cabeça dele. Durante todo o tempo, ele bloqueou a verdade sobre Hannibal em sua mente e, só agora, consegue ver o psiquiatra como ele realmente é. Mas daí ele foi trancafiado em uma instituição onde mentes são manipuladas de acordo com interesses escusos.

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O arco da primeira temporada se fechou com a queda de Will e o triunfo de Hannibal Lecter, que nos fez lembrar o tipo de monstro que este é. O personagem é cativante, é carismático, é inteligente. Apenas o espectador sabe o tamanho da sua monstruosidade. Sua mente é tão doentia que ele é capaz de provocar a destruição das pessoas a quem se apega. Supondo que, em algum momento, ele tenha realmente se importado com Will. E como não se chocar com as lágrimas que ele reservou à morte de Abigail? A menina foi a filha que ele nunca cogitou ter, mas foi um dano colateral necessário para sua própria sobrevivência. Mas acredito realmente que ele se sentiu um pouco pai dela. E terminou honrando-a, a vitela abatida em idade tão tenra, que ele dividiu com Bedelia. RIP Abigail.

Embora a refeição tenha sido densa, ainda ficou a fome de saber como Will foi parar em sua cama, todo enlameado, todo arranhado, com uma orelha entalada na garganta. Ficou a sede de justiça por nosso heroi. O apetite voraz por uma reviravolta. Agora, só no ano que vem para encararmos nossas respostas e outro banquete canibal.

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