Hannibal (2001) | Crítica

Hannibal (2001) é um bom filme com boas atuações e roteiro satisfatório, mas não faz justiça à obra original ou suas outras adaptações

Será que eles te receberiam de volta? O FBI? As pessoas que você muito despreza tanto quanto eles desprezam você? Dariam eles uma medalha, Clarice? Você a colocaria em uma moldura e penduraria na parede pra que pudesse olhar e lembrar que é corajosa e incorruptível? Ah, pra isso a única coisa que você precisa, Clarice, é de um espelho.” — LECTER, Hannibal

Mesmo tendo uma obra prima do cinema como base e o peso de um personagem fantástico interpretado por um ator igualmente incrível, Hannibal (2001) não consegue atingir o mesmo feitio de seu predecessor. Foram vários os defeitos do filme ao longo do caminho, que fizeram com que esta adaptação perdesse um bom bocado do brilho e daquilo que fascinou em Silêncio dos Inocentes.

O primeiro grande susto no filme é a troca de Jodie Foster por Julianne Moore, no papel de Clarice Starling. Muitos podem apontar Foster como uma Clarice mais cativante e interessante, outros podem dizer que Moore trouxe uma Clarice mais densa. Por mais que a Clarice de Foster rendeu um Oscar e, de fato, tem um quê a mais, as personagens que elas trouxeram para a tela são bem diferentes e, em relação ao filme que estão, foram condizentes.

Em Silêncio, Clarice era nova, inexperiente, sonhadora e tinha toda a disposição de enfrentar o mundo, quantas vezes fossem necessárias. Já em Hannibal, 10 anos depois, Clarice está cansada. Fazem 10 anos que ela luta contra um bando de homens e um bando de criminosos, ao mesmo tempo. E pra que? Para a sua carreira ser destruída porque o ego de um homem se recusou a aceitar uma ordem.

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Hannibal foi delicado quando trouxe o assunto à tona no filme ou talvez fosse o roteiro tentando não entrar no assunto de forma direta. Ele menciona que ela ama uma agência que não a ama de volta, mas o problema da personagem é o mesmo de 10 anos atrás: um mundo machista que se recusa a deixá-la passar. Exceto quando Paul se ofereceu para um caso com ela, novamente, que o filme aceitou entrar nesse assunto um pouco mais direto. Mas, num geral, o mundo machista de Clarice, que foi peça fundamental de Silêncio, ficou nas entrelinhas deste filme. Infelizmente.

Mas o filme teve bastante sucesso em estruturar a personagem para esse filme, deixando ela cansada e insatisfeita. Clarice não queria somente sua restituição no FBI ao caçar Hannibal. Ela queria, novamente, a glória. A mesma que provou quando matou Bufallo Bill, porém, desta vez mirada em Hannibal.

A segunda negligência está no nosso querido canibal. Ele não é mais aquela criatura fria que era capaz de causar calafrios na alma que conhecemos em Silêncio. Aqui, ele foi reduzido a um pedrador com gosto refinado e humor ímpar. Toda sua história na Itália foi interessante e o cerco que Verger causa no personagem é ótimo. O personagem, infelizmente, ficou acuado ao longo do filme, apenas colocando a cara de fora nos últimos momentos.

O ápice do filme, o jantar de Starling, apesar de ser sua melhor parte também é, um pouco, sua ruína. Por mais que toda a cena seja impecável, a conclusão dela e do filme deixaram muito a desejar. Depois de finalmente incluir momentos de embate psicológico entre os personagens, o roteiro levou Hannibal a uma posição de vilão e sua redenção ao cortar a própria mão. E simplesmente vai embora. O filme acaba quase sem entregar um fim.

O roteiro e o filme tentam certos atrevimentos que somente a série, mais de 10 anos depois, conseguiria atingir (transformar o grotesco em belo). E ao deixar de lado um dos principais aspectos da obra, o embate psicológico, o filme falhou. Infelizmente.

Talvez, o único aspecto em que o filme consegue sobressair seja em sua trilha sonora belíssima e arranjos musicais por Hans Zimmer.

Hannibal está longe de ser um filme ruim, mas também está muito longe de fazer justiça à obra original e outras adaptações, tanto as que vieram antes quanto as que vieram depois.

Ta-ta. H.” — LECTER, Hannibal

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