Hannibal 2×03 — Hassun

Tenho nenhum sentimento romântico por Will Graham. Tenho apenas uma curiosidade profissional.” — BLOOM, Alana

As refeições deliciosas servidas por Hannibal continuam. Seja na soberba gráfica apresentada nos assassinatos quanto na trama maravilhosa, a briga de gato e rato entre Will e Hannibal. Ou vai dizer que não? O episódio foi recheado de pequenos detalhes que dizem muita coisa (não que seja uma novidade) e a dinâmica entre os dois protagonistas está tomando uma forma excepcional.

O episódio já começou muito bem, mostrando Will encarando o fato de que ele pode receber a pena de morte. E por mais que seja Hannibal quem o manipulou, ele parece, no sonho, aceitar o fato de que foi ele quem deixou isso acontecer. Confundir Hannibal como um amigo lhe custou tudo. E até pouco tempo atrás, custou sua sanidade. Will vem demonstrando bastante que não está mais em um estado de caos total em sua cabeça. Ele já encontrou o que queria em sua mente e aceitou. Todos os diálogos entre ele e Hannibal expressam bem isso. A questão é que Hannibal crê que Will aceitou sua natureza assassina, enquanto na verdade Will decidiu entrar na valsa e dançar no mesmo ritmo do psiquiatra.

É incrível como em uma produção bem feita, uma momento que dura mero um segundo tem um significado absurdo e, às vezes, diz muito mais que um episódio inteiro. Não foi o caso do episódio de se resumir em uma cena, mas o leve sorriso que Hannibal expressou no começo do julgamento de Will foi muito simbólico. Por que? Só por conta que a advogada de acusação chamou Will de o homem mais inteligente ali naquela sala. Hannibal, só com um leve sorriso, zombou muito do que ela disse. E o canibal tem, em parte, total razão para essa zombaria.

Hannibal 2x03

E ele não está muito afim de largar o osso. Isso já está bem claro desde o começo da segunda temporada. Hannibal vai brincar com a mente de Will até o último segundo possível. E não só com Will, é claro. Como disse Jack, o circo só está ficando maior. E pra isso ele montou um palco para o espetáculo que ele vai apresentar a partir de agora. Ele tem total consciência de que ao matar primeiro e então mutilar, ele cria um padrão diferente e não cria margem para Will sair inocente. A ideia é, realmente, estender o show o máximo possível, sem livrar ou acusar seu bichinho de estimação. E é assim que ele vem tratando Will nestes episódios. Ele não quer seu brinquedo fora da gaiola, livre o suficiente para tentar algo contra ele, seja caçando provas ou seja abraçando uma natureza assassina e o matando. E ele já percebeu isso também, com a cena em que ele é chamado para fora da cela pelo Hannibal/alce e depois de volta pela sua aparência humana.

Jack começou a sair da encruzilhada que entrou. Até agora ele só fez foi lamentar a situação. Mas ele acredita em Will, mesmo que seja uma leve esperança. Não foi a toa que ele abraçou a ideia de que o assassino de verdade estava lá fora e não mediu esforços em trazer a verdade aqui. Sua razão o obriga a acusar Will, mas ele sente que tem algo errado, ele sabe que o amigo jamais mataria desta forma. O conflito destas duas coisas não o deixava tomar partido e, agora que finalmente se posicionou, foi uma coisa equilibrada. O Will que ele conhece, realmente, não matou. Mas entende que ele pode ter feito isso sem estar consciente.

Por sorte de Will, Alana não precisou depôr. Por mais que o advogado treinasse, ela não iria conseguir esconder muita coisa sem parecer falsa ou que estava medindo o que dizia. E a frieza com que ela mente às perguntas olhando Will nos olhos chega a dar medo. A doutora está realmente disposta à tudo para dar paz à mente do rapaz, não é a toa que ela não conforma com a ideia de abandonar a defesa que vinham fazendo. Ela acredita que Will precisa de paz, precisa se isolar de contatos humanos que não sabem medir as palavras ou as experiências que divide. E isso não é de hoje, claro.

E quem quer que sejam as pessoas que fazem toda a arte plástica dos assassinatos da série precisam consultar um psiquiatra. A cada dia as cenas criadas ficam mais graficamente deslumbrantes e assustadoras. A maneira com que o juiz foi assassinado e encenado foi incrível, com uma mensagem pesada e clara: a justiça não é só cega, como irracional e impiedosa, como bem disse Hannibal. E era exatamente o que ele queria passar com esta morte. Não que ele queria que entendessem que a justiça estava vendo errado ao olhar para Will. Mas, o mais importante, é que com a morte do juiz ele prolonga o tempo com que ele vai poder brincar com Will.

Voltando ao canibal, é notável que ele sente falta de sua psiquiatra (e nós de você, Gillian!). Ela sempre desempenhou um papel importante para Hannibal. Não faz muito tempo que ela fugiu e ele está arriscando passos largos, movimentos mais atrevidos. Assassinar um juiz no tribunal não deve ser uma tarefa fácil. Mas a questão é que ela sempre foi sua cautela. Ao questioná-lo, seja de qualquer assunto, ele enxergava um norte que o impedia de ir além. E esta falta de cálculo preciso sobre seus movimentos irá custar caro, como já vimos antes.

Felizmente, não tem nem possibilidade de falar de um deslize qualquer sobre Hannibal. Três episódios exibidos, três episódios perfeitos. Cada segundo, cada linha da série está sob medida para entregar episódios fenomenais. E esperamos que continue assim.

P.S.: Infelizmente, a Carol Maglio não vai mais trazer pra vocês as reviews de Hannibal. Vão ter que me aturar aqui toda semana. Mas prometo que vou tentar entregar textos tão bons.

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