Hannibal 3×01 — Antipasto

Hannibal volta sem nenhuma amarra em um episódio introspectivo sobre Bedelia e Hannibal

Dante escreveu que o medo é quase tão amargo quanto a morte.” — LECTER, Hannibal

Dante não estava morto quando escreveu.” — DU MAURIER, Bedelia

Estamos de volta na mesa de jantar com Hannibal, finalmente. Mais de um ano atrás fomos largados da mesma maneira que Will: dilacerados com um finale que pra sempre vai arrepiar muita gente. A capacidade artística de Bryan Fuller e sua equipe chegou a um ponto absurdo e provou que a série pode ser cada vez melhor. E exatamente aquele clima extremamente artístico foi transportado para esse episódio e, segundo o próprio Fuller, para a temporada toda.

Ao contrário do que o nome do episódio sugere, nada no episódio foi antipasto. Claro, foi somente o primeiro episódio, mas a série entregou tanto sobre Hannibal e Bedelia que de season première tinha pouca coisa. Foi um mergulho mais do que surreal e profundo dentro destes dois personagens e a relação entre ambos está escancarada.

Incrível como a série faz referências tão absurdas, chega a ser encantador. Absolutamente tudo é de uma simbologia que assusta. Hannibal se tornar curador de Dante Alighiere não é um mero acaso: Bedelia está vivendo sua própria Divina Comédia e Hannibal é seu Virgílio, seu guia do Inferno. Bedelia encontrou em Hannibal o fascínio por tudo aquilo é negro. A morte. Foi o próprio Hannibal que a introduziu a este mundo, colocando em seu caminho o paciente que ela mataria. Ele bem sabia qual seria o resultado e foi exatamente o que aconteceu. Se é um fetiche, uma fantasia com a morte ou com Hannibal, é difícil dizer. Mas ela não consegue se afastar daquele mundo, da sensação que sentiu em tirar uma vida.

Hannibal_3x01

Essa foi a real razão pela qual ela aceitou Hannibal em terapia. Ela usava ele como a maneira de entrar nesse mundo sem necessariamente entrar por si mesma. E quando Hannibal se expôs, ela não teve outra maneira maneira de sair. Ela estava tão afundo naquele mundo escuro que não tinha para onde sair. Ela é, antes de mais nada, uma prisioneira de si mesma que de Hannibal. Ela quer ir mais à fundo neste “Inferno”, mas Hannibal é apenas seu guia e aponta o caminho. E claro, para ela, sobra medo. Na frase que diz na abertura deste texto fica bem claro que ela prefere o medo à morte. Prefere afundar neste inferno do que ser vítima dele.

Ela bem que tentou sair disso, fugir. Num momento de extrema lucidez ela enxergou exatamente que assim que ela cruzar seu Caronte, o rio que leva ao primeiro círculo do inferno, não tem mais volta. E ela quer voltar, ela tenta voltar. Mas a presença de Hannibal é mais forte, é mais pesada e ela não consegue.

Ele não tem mais Will nem Bedelia para conversar, para sua terapia. Sua solução é recriar Gideon em sua mente e extravasar o que sente. Bedelia já não é mais o que ele quer ou precisa, ele tem apenas essa opção. E, sendo ele mesmo para Gideon, entramos ainda mais dentro da mente desua mente.

Hannibal está completamente sozinho. A solidão tomou conta de todo o ser dele, isso fica bem claro somente na existência de Gideon e a terapia em sua mente. E isso está o consumindo, pouco a pouco. Will deixou ele completamente vulnerável e, ainda sim, sente o peso de tudo o que aconteceu. Esse mesmo é o conflito que existe dentro dele. Um amor e um ódio que dividem espaço. O amor pela aproximação com Will, o ódio pela aproximação tirar sua máscara.

Mas, isso tudo, é só o começo. Esse primeiro episódio levou a gente mais para dentro de Bedelia. Ainda tem uma temporada inteira pela frente pra explorar Hannibal. Esse episódio também é uma excelente amostra como Bryan Fuller sem correntes consegue desenvolver os personagens de maneira incrível, sem ficar seguindo linhas e fórmulas que antes precisava para manter a série no ar. Usaram Mizumono como exemplo artístico e de roteiro e entregaram esse episódio fenomenal.

O jantar apenas está começando. Ainda faltam doze pratos

Prato do dia — Antipasto: não é um prato em si, mas sim a primeira refeição de um jantar. Na cozinha italiana, normalmente são servidos queijos, anchovas, cogumelos, vegetais e outros alimentos mais leves com o acompanhamento de azeite. Normalmente é um aperitivo, uma abertura, para então o jantar ser servido.

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