Hannibal 3×09 — …And the Woman Clothed with the Sun

Hannibal entregou mais um episódio incrível e Armitage mostra bem mais de seu personagem.

Acredite, estou sorrindo.” — DOLARHYDE, Francis

Com certeza, uma das melhores coisas que aconteceu nessa temporada foi essa incrível chegada em Dragão Vermelho. O roteiro, a direção e as atuações estão afiadíssimos. Destaque para Armitage que mal abriu a boca em dois episódios e simplesmente está sensacional.

O episódio mergulhou bastante em fazer um paralelo entre todos os personagens da trama, sem exceção. E, buscando na nostalgia, nos assustamos com a tamanha mudança que os personagens passaram ao longo destas três temporadas. O principal foi, claro, entre Hannibal e Dolarhyde. Por mais que o objetivo de Francis seja o de se tornar o grande dragão vermelho, a série tentou mostrar como Hannibal esteve alguns passos à frente nessa situação. E ele foi o grande dragão vermelho da grande maioria dos personagens.

O trecho que a pintura faz referência conta que um dragão vermelho (alegoria para o demônio bíblico) está à espreita, esperando que a mulher vestida de sol dê a luz para lhe roubar o filho. É uma forma alegoria a uma força negra que leva de alguém toda a luz, toda a esperança de seu mundo. E, de certa forma, Hannibal foi o dragão vermelho de Alana, Jack e Will.

Hannibal_3x09 - N

Alana poderia muito bem viver uma vida bem pacata e sossegada com Margot, uma vez que ela também se tornou herdeira da riqueza dos Verger. Mas ela prefere estar naquela instituição, em posse de todas as chaves que prendem Hannibal. A luz foi tirada dela. Jack também poderia estar tranquilo, depois de pegar o canibal com certeza recuperou a honra, reputação e tranquilidade para seguir uma vida tranquila sem perseguir assassinos, coisa que se culpou bastante quando Bella estava perto da morte. Mas ele prefere manipular até mesmo Will de maneira fria, somente para alcançar o Fada-dos-Dentes. A luz foi tirada dele.

Will teve sua luz removida de formas incontáveis e o episódio quis mostrar isso de maneira bem forte a primeira delas: Abigail Hobbs. A maneira com que ele se aproximou da garota foi o suficiente para que “suas mortes” fossem o suficiente para causar uma dor imensa dentro do rapaz. Mais ainda quando ele percebeu que a garota que ele tanto tentava trazer de volta para a luz mergulhou na escuridão junto de Hannibal. Fora toda a história de oferecer perdão ao seu nêmese, a perseguição pela Itália, a maneira com que ele levou Will para um lado sombrio, por aí vai.

Mas Will é peculiar em diversas formas. Todas as vezes que mergulha na escuridão ele consegue encontrar de volta essa luz. Alana, Abbigail e Jack, eles nem sequer se agarram ao pouco que resta deles mesmo. Will, até mesmo nos momentos mais sombrios de si mesmo se agarrava na esperança de que poderia voltar a ser o que era. O oposto disso foi a intenção dele em reencontrar Hannibal. Ele queria, de novo, voltar para essa escuridão que foi fundamental para colocar Hannibal onde está.

Já com Dolarhyde, finalmente ouvimos sua voz. E dá medo. Além da sutileza com que a série está colocando o personagem na tela. O contato dele com McClane (Rutina Wesley, a amada Tara de True Blood) foi primordial para entender o personagem.

Ambos os personagens são pessoas que sofreram bastante com a questão da piedade, mas que resultaram em coisas completamente diferentes. A cicatriz na boca de Dolarhyde é decorrente de ele nascer com lábio leporino. O pouco que fala com certeza é uma cicatriz emocional dos problemas de dicção que provavelmente teve quando mais jovem. E ele se assusta como a garota que conheceu consegue superar sua situação e ser bem mais que isso, ser alguém como qualquer outra pessoa. Enquanto os outros personagens mostram quem são sem sua luz, Dolarhyde encontrou uma para se apoiar. Talvez, se salvar.

Infelizmente, a temporada (e a provável vida) de Hannibal se aproxima do fim. Mas com certeza a série está crescendo em um nível absurdo que bem lembra o fim da segunda temporada. Quem sabe o fim dessa seja tão chocante quanto a anterior.

Referência do título do episódio: O Grande Dragão Vermelho e a Mulher vestida com o Sol — esta é a segunda pintura de William Blake com o Dragão Vermelho. Trata-se de uma pintura semelhante à primeira, porém de um ângulo diferente. A pintura foi feita para ilustrar bíblias no século XIX e hoje está na Galeria Nacional de Artes em Washington D.C.

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