Hannibal: A Origem do Mal (2007)

Hannibal Rising tenta desmistificar o canibal em um filme com atuações inconsistentes e roteiro fraco que quase destroem o personagem

Eu te amo” — LECTER, Hannibal

O que restou em você para ser amado?” — LADY MURASAKI

Dentre todos os filmes e produções envolvendo Hannibal, Hannibal Rising recebeu a responsabilidade mais difícil de todas: reconstruir o personagem que tanto conhecemos e adoramos sob uma perspectiva um pouco diferenciada e sem o responsável por eternizá-lo em nossa mente, Anthony Hopkins.

Sempre soubemos quem Hannibal era e é bem provável que o autor sempre evitou explorar seu passado ou suas origens exatamente para não transformá-lo em algo próximo de humano. Pode parecer estranho, mas é a realidade: a partir do momento que vemos a origem de seu comportamento maníaco e seus motivos, ele se torna tão humano quanto nós, quanto qualquer outro personagem. No cinema, o personagem sempre foi um monstro, uma criatura que ia além (ou abaixo) do que era humano. Um mito vivo.

Quando vemos que ele não é nada além de humano que foi danificado por experiências traumatizantes e somos forçados a encarar a realidade: qualquer pessoa poderia estar naquela situação. Qualquer um pode se tornar Hannibal. E o filme, na maioria de seu tempo, explora exatamente esse aspecto e como pessoas em situações parecidas absorvem os acontecimentos e consequências de maneiras completamente diferentes.

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Lady Murasaki é o maior exemplo que o filme poderia dar. Ela perdeu o que tinha de família em Hiroshima quando jogaram a bomba atômica, além de agora estar sozinha no mundo. Inclusive, ela repassou seus conhecimentos, experiências e doutrinas para Hannibal. Ainda sim, eles seguiram caminhos diferentes. Um mantendo a honra e outro partindo pela estrada do maníaco assassino.

O objetivo do filme parece que foi exatamente esse e nisso ele obteve bastante sucesso. Hannibal foi desmistificado. O aparente sucesso do roteiro do filme está ligado à Thomas Harris, autor dos livros, que participou ativamente na produção dele. Mas em outros aspectos o filme não teve tanto sucesso.

Primeiro está na atuação de Gaspard Ulliel. Ora funcionava, outros momentos não. Na grande maioria, soava tão forçado que chegava a doer assistir, principalmente perto do final e nos momentos em que ele baixa o espírito assassino e faz uma cara de quem chupou limão e não gostou. Tem que se relevar em algumas horas porque, no fim das contas, aquele não era o Hannibal que conhecemos, mas uma versão que ainda não se transformou de fato nele. Mesmo assim, não é fácil.

Segundo, na maneira que o roteiro às vezes tratou o próprio personagem e sua história. Murasaki pareceu sempre preocupada com as opções de Hannibal mas não tentou interferir — inclusive, ajudou em muitos momentos — e, ao fim de tudo, implorou para ele parar. Além de, basicamente, ser nada além de um pequeno conto de início do mito que seria o futuro canibal. Não há construção de seu caráter nem personalidade. Apenas vemos um único diálogo sobre ele enfrentando os valentões no orfanato, além de uma cena, do nada, a pose do personagem ficou refinada. Uma hora Hannibal não é, outra hora é. O que vai completamente contra o próprio título do filme.

Hannibal Rising, assim como Hannibal (2001), não vive para fazer justiça ao personagem. O que ele adiciona ao personagem é pouco pra quase nada e chega perto de destruir. O filme veio pra desmistificar Hannibal e conseguiu. Mas quem disse que queríamos isso?

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