Homeland 2×01 — The Smile

Enfim, retorna para seu segundo ano um dos melhores thrillers psicológicos já feitos para a TV, em sua melhor forma possível; explorando ao máximo o que seus personagens tem a oferecer dentro dos plots. Ninguém está ali por acaso. Cada um tem seu papel a cumprir.

É uma sensação agridoce ver o novo estado de Carrie Mathison. Temos certeza de que é muito bom para ela o recém-adquirido período de calmaria, onde ela cuida do jardim, cozinha e dá aula de inglês a árabes vivendo nos Estados Unidos.

Por outro lado, secretamente torcemos para vê-la novamente a ativa, correndo para todos os lados tentando fazer o que sabe fazer de melhor: proteger o país. Até Saul Berenson ligar com a proposta de levar Carrie até Beirute, no Líbano, onde uma nova informante só aceita falar com ela. Ponto para os roteiristas por obrigarem Carrie a ser inserida novamente no mundo das missões antiterrorismo, o que prova que aquela agência, apesar da presença do brilhante Saul, acaba não funcionando direito sem ela.

Fica claro o quanto David Estes precisa dela, mas reluta ao aceitar para si mesmo que aquilo não significa o retorno de Carrie a CIA. E a ânsia por fazer parte da guerra ao terror toma conta da personagem, que aceita a missão e é reintegrada ao universo dos disfarces, trocas de identidade e perseguições pela cidade. E um sorriso — hilário, por sinal — finalmente toma conta do rosto de Carrie. Todo o processo de criação e desenvolvimento de personagens se volta a esse momento: o que os motiva? Temos a prova definitiva de que Carrie vive apenas pela tensão gerada pelo seu trabalho.

Do outro lado, temos Nicholas Brody, o convertido, o aliado de Abu Nazir e novo inimigo secreto dos EUA. Pelo menos, até onde a consciência de bom soldado americano permitir, já que Brody tenta se convencer de que não é um terrorista e quer apenas destituir qualquer coisa que tenha tido a ver com a morte de Issa e das crianças.

Ao receber a missão de invadir o cofre do escritório de Estes e roubar códigos sobre alvos do exército americano, notamos um desacordo entre o que vimos no começo da série — um homem controlado que consegue enganar até o polígrafo da CIA — com o que estamos vendo agora: um novo candidato a vice-presidente que se enerva facilmente. O que prova que Brody está conflito e precisa agir com mais suavidade e normalidade se quiser completar suas missões dentro da Casa Branca.

Outro arco sensacional do episódio foi o de Dana Brody, agora em uma nova escola, que perde a calma durante uma reflexão entre a sala sobre os conflitos do Oriente Médio e revela mais do que devia. Morgan Saylor é a melhor coadjuvante da série; Dana parece estar sempre de deboche, e o que não vai de acordo com o que ela pensa deve ser simplesmente ignorado. E quando a cena exige mais da atriz, como por exemplo a do telefonema no season finale da primeira temporada, a garota leva sua performance a outro patamar, um ainda mais relacionável e tangível. E a devoção ao seu pai, ajudar no que for necessário, ainda mais agora que Jessica está dividida, pode render bons momentos desse incomum relacionamento de pai e filha.

Carrie feliz da vida brigando com terroristas no Líbano, Saul supervisionando ao lado dela, Brody cada vez mais nas boas graças do vice-presidente, Estes contrariado por ter de pedir ajuda, Dana defendendo seu pai a qualquer custo e Jessica repensando seu casamento e apoio ao marido. E Abu Nazir por aí, ainda planejando sua vingança e com infiltrados até nos jornais americanos. Homeland se consolida o suspense mais poderoso e o drama mais verossímil da televisão atual. E que venha a segunda temporada e que Carrie encontre a caneta verde.

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