Homeland 2×02 — Beirut is Back

Quando li que o final de Beirut is Back seria surpreendente — a própria atriz Morena Baccarin provocou os fãs pelo Twitter — tudo passou pela minha cabeça. Cheguei a pensar até que Carrie encontraria sua irmã ou pai mortos quando voltasse para casa. E ainda assim, nada que imaginei chegou perto do que aconteceu na última cena. Simplesmente porque era de se esperar que um momento grande e decisivo como esse demoraria pelo menos uma temporada a chegar. Saul encontrou a gravação de Brody. E agora?

Carrie deu mais um passo em direção a reestabelecer seu emprego e credibilidade. O que obviamente culminou em um ataque de ansiedade, e a euforia inicial de uma nova missão já está aos poucos trazendo a agente à sua forma original. Sentimos muito por Carrie, torcemos por ela, torcemos pela saúde e sanidade dela. Mas por outro lado, será que queremos vê-la como uma professora de inglês e não viajando para o Oriente Médio e voltando a implicar com o Brody? Creio que a resposta unânime será “não”. E se isso significa trazer a Carrie ruim de volta, com uma bagagem emocional do tamanho do Líbano, então os roteiristas dessa série realmente precisam ser louvados por saberem manipular um conflito psicológico dualista raramente visto por aí.

Brody realmente está do lado de Nazir. A prova final disso surgiu com esse episódio. Ele continua extremamente nervoso, ansiedade a mil, mãos tremendo, mudando a cor do rosto uma tonalidade diferente por episódio. Repito a pergunta da review anterior: cadê o soldado controlado que enganou até o polígrafo da CIA? Mandar um SMS para o Nazir no meio de uma sala repleta de pessoas que querem capturá-lo foi a palavra final em atitude desesperada. Pergunto-me até se a ausência da Carrie não é um fator que possa estar contribuindo para sua falta de controle. Mas agora, pelo menos, não há dúvidas de que Brody esteja disposto a arriscar tudo para completar sua missão; a CIA finalmente tem uma chance de pegar Nazir, e o congressista sozinho consegue arruinar os planos.

Ao mesmo tempo em que Carrie parece estar praticamente reinstituída, Saul encontra, costurado por dentro de uma mochila pega no apartamento de um comparsa de Nazir, a fita com a gravação de Brody. Como aquilo foi parar lá, ainda não sabemos. Até mesmo porque não dá para imaginar o que vai acontecer agora. Será que Saul, por algum motivo superior, vai esconder o que descobriu por alguns episódios? Talvez até mesmo pelo bem de Carrie? Creio que o medo de mostrar para a amiga que ela estava certa o tempo todo seja maior que a obrigação profissional de dividir a gravação com a agência. Mas só podemos esperar, já que o cliffhanger mais surpreendente da série instalou um choque geral nos espectadores e nos deixou apenas com suposições.

Ficamos também com uma cena maravilhosamente fotografada, no telhado de um prédio em Beirute, onde Carrie abre o coração para Saul, e divide seus medos, receios e preocupações sobre si mesma. O amor que eles nutrem um pelo outro vai além da amizade e do relacionamento mentor-protégée, e o diálogo designado para essa cena, mais as brilhantes atuações de Danes e Patinkin, criaram um segmento memorável sobre um momento puramente humano inserido em um caos de guerra, terrorismo e doenças mentais.

O nível de obra-prima que o roteiro de Homeland atinge é tão grande, que mesmo com tudo isso acontecendo, eu ainda arrumo tempo para me importar com os dramas pessoais de coadjuvantes que tem pouco a ver com o arco central. Dana serve como uma agente de ligação entre Brody e Jessica, já que o casamento está aos poucos caindo em ruínas. Mike tenta se reconectar com o amigo, e levanta suspeitas, o que pode ser um encalço para Brody. Adoraria vê-lo mais envolvido. E o vice-presidente não me passa nada além da sensação de que ele é um verdadeiro canalha que ainda tem muita coisa ruim para fazer.

No fim, mesmo que atentados terroristas e explosões e guerras não sejam a solução ideal, ficamos com um ponto de interrogação na cabeça: estaremos, afinal, acompanhando uma série com dois partidos liderados por pessoas ruins?

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