Homeland 3×02 — Uh… Oh… Ah…

É muito complicado ver o que antes era o principal e mais interessante mote de Homeland hoje ser uma das coisas que atrasam a série: sua protagonista. Portanto, é difícil considerar Carrie um tópico relevante, pelo menos por enquanto. Obviamente, sua piora é proposital, mas faz também com que tudo ande para trás. Aconteceu com Carrie o que aconteceu com Sookie Stackhouse nas últimas temporadas de True Blood; ela se tornou um acessório, sempre dentro do quadrado dos outros, mas fora do seu. Por hora, já que o outro protagonista está ausente e os dois juntos carregam a trama central, Homeland está sendo conduzida pelos seus coadjuvantes de outrora, que podem muito bem ser considerados protagonistas atualmente, não por número de episódios em que aparecem, mas por plots que rendem.

Sim, vamos considerar o agora. Até mesmo porque Brody com certeza voltará em breve. Agora, há três focos em Homeland: Saul, Dana e Peter. A presença dos três personagens é o que constitui a solidez da série. Eles nos surpreendem e estão em constante transformação. O roteiro flui através deles, e os tons para o futuro da temporada são dados a partir de singelas modificações em personalidade, desenvolvimento e situações baseados em suas personas.

Homeland-Uh-Oh-Ah

Lesli Linka Glatter, nome que com certeza todo mundo viu em pelo menos uma série que assiste, sabe trabalhar as minúcias dos personagens através da direção, e Uh… Oh… Ah… (sim, esse é o ridículo nome do episódio e teremos que aprender a lidar com ele) foi até hoje a ilustração mais exímia de direção competente em Homeland. A perspectiva foi exercida através de planos em close instituídos com propósitos singelos, e a história foi belamente contada através do uso da direção não como técnica, mas como narrativa.

Primeiramente, o esclarecimento absurdo de Dana rendeu cenas maravilhosamente bem concebidas, por conta da direção de Glatter e roteiro de Chip Johannessen, e obviamente, atuação de Morgan Saylor. Mais uma vez traçando um paralelo entre Dana e Carrie, a impulsividade da garota não se torna imprudência como no caso da agente. Dana enxerga as coisas com clareza — tanto é que a nitidez ao seu redor é tangível no que diz respeito ao foco e enquadramento dos planos — e, acima de tudo, sabe aplicar isso em sua vida. Antes ela queria morrer porque, naquele momento, era o que lhe parecia certo. Felizmente não obteve sucesso, e agora trocou a própria perspectiva e quer viver. E não necessariamente viver, mas uma coisa ainda mais forte: se sentir viva.

Saul é um contraponto para essa necessidade de vida, já que ele não demonstra nada além de desgaste e cansaço. Isso é exemplificado através de uma estranha intolerância com a nova colega de trabalho Fara, muçulmana no meio de agentes da CIA, que recebe olhares desconfiados de todos, mas a pior das reações vem do homem que deveria fazê-la se sentir segura e aceita. O Saul das outras temporadas faria exatamente isso, mas o Saul atual já não mais tolera as coisas com facilidade. O personagem se desvirtuou por completo, mas não acredito que por descuido dos roteiristas. É um período de transição para Homeland.

E Peter está em cima do muro, em um embate moral e colocando a cabeça no lugar para aceitar melhor sua situação presente. Por já ter feito muita coisa errada, ele agora quer se desvencilhar dos erros dos outros, mas sua natureza o aponta para mais conflito e ele simplesmente não consegue “não fazer alguma coisa”.

Homeland-Uh-Oh-Ah 2

Este episódio cujo nome nunca mais será mencionado foi estabelecido em cima do conceito do relacionamento. Pessoas que querem se relacionar X pessoas que precisam se relacionar, sem necessariamente saber como fazer isso. A busca pelo próximo é um imã para muitos destes personagens, e o isolamento de Carrie só prova o quanto toda sua situação anda separada da dos demais. O relacionamento mais estável de sua vida está morto, e sua condição está praticamente sem salvação. Ela ergueu um muro para viver sozinha com sua doença, e talvez a única pessoa que possa invadir esse espaço seja Brody. Então… volta, Brody. E traga consigo um pouco de cada um dos personagens de volta.

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