Homeland 3×03 — Tower of David

Acontece com quase todas as séries que tentam modificar os ares que envolvem um personagem; é uma fórmula que envolve um país diferente, situações de risco e um atraente co-protagonista de sexo oposto para aquele núcleo.

Tower of David foi exatamente assim. Não que já tenhamos visto em outras séries um foragido na Venezuela em um prédio abandonado, mas sim o conceito desse tipo de mudança. Até então, com boa parte do episódio se focando só no paradeiro e desventuras de Brody, o episódio estava um grande sonífero, por mudar as caras e situações, mas só jogá-las como variáveis em uma única grande constante de roteiro de televisão.

homeland 3x03

Não sabemos o que já aconteceu com Brody antes de ir parar na Venezuela, e é também algo que não precisamos saber. Lá, ele está nas mãos de um grupo criminoso que aparentemente tem ligação com Carrie (embora eu não consiga imaginar como isso pode ser), tendo apenas um leve apoio da filha de um deles e de um “médico” que lá vive. Embora tentem convencê-lo de que ali com eles ele encontrará o refúgio seguro, sua situação é sufocante de diversas maneiras.

Vejam, Tower of David foi um episódio sobre prisioneiros. Enquanto acompanhamos Brody com os venezuelanos, isso não fica muito claro, até mesmo porque a situação toda estava desinteressante. Pela metade do episódio, no entanto, ocorre uma analogia ao cortar bruscamente para Carrie, coisa que aposto que ninguém acharia que veríamos neste episódio em questão. A partir daí, a coisa melhora, e muito. Os venezuelanos e os médicos dizem a eles que eles estão bem e seguros e que só querem ajuda-los, mas só eles sentem o que realmente está acontecendo; estão presos.

Pela primeira vez em muito tempo, houve empatia e momentos de brilho dedicados a Carrie. Sua angústia não foi gratuita e ela não passou o episódio inteiro correndo de lá para cá tentando arrumar alguma coisa para fazer. Carrie finalmente voltou a ser a protagonista de sua própria história. Se isso se mantém por muito tempo, só continuando em frente com a série. Mas foi realmente bom ver boas sacadas de direção (com os cortes bem posicionados para quando a história voltava para ela) e de roteiro. A justaposição com a história de Brody não foi ao léu; mesmo com continentes separando-os, os dois nunca estão longe um do outro. E não é apenas o amor que nutrem que os mantém ligados, mas as situações que os envolvem. Carrie e Brody estão ligados também pelo acaso, e suas desgraças semelhantes é o que permite que eles se enxerguem e se amem. O verdadeiro refúgio deles está no outro.

homeland 3x03 (2)

Uma coisa pertinente em Homeland é o quanto o ritmo da série muda com facilidade. Mesmo que a temporada não esteja perfeita, já é perceptível um leve traço de melhora da temporada anterior. Porque a essa altura na segunda temporada, dezenas de coisas já haviam acontecido, e era empolgante, e era tenso, e era legal. As coisas estão indo com mais calma agora, e é nesse passo que a equipe técnica e criativa arruma fôlego para realmente se dedicar nos diferenciais da série, sendo esse paralelo traçado entre os dois personagens neste episódio tendo sido definitivamente um dos pontos mais brilhantes até hoje. Para nós, o espectador, a união de Carrie e Brody nunca fora tão fortificada e evidenciada como agora, nem em cenas de sexo e afeto. Agora, ambos estão ligados por algo maior e mais forte.

Outro ponto interessante no episódio foi a questão da droga. Eles se tornaram escravos dela, um para fugir da dor, a outra para fugir de si mesma. A cena final, absolutamente magnética e assustadora, trabalhou inclusive a iluminação para coloca-los sob o mesmo foco. Foi uma cena importante para nos lembrar de que Carrie pode estar nos entediando com sua personalidade e Brody pode nos deixar questionando sobre sua importância para a série de agora em diante, mas que estão diante de nossos olhos dois personagens muito bem escritos que, juntos, complementando-se, formam quase um terceiro personagem.

No geral, Tower of David foi um ótimo episódio, pois forneceu um escapismo para o restante da série — que, convenhamos, não anda empolgando como antes — e ainda assim fortaleceu o que a série tem de melhor e mais promissor, que é a alma de seus personagens e a máquina esmagadora que é o mundo em cima deles. Na review anterior, eu encerrei pedindo para que Brody trouxesse com ele um pouco mais do que gostávamos em Homeland, e ele certamente trouxe.

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