Homeland 3×05 — The Yoga Play

Homeland tem sido um jogo intrigante de emoções. No episódio anterior, vimos Carrie trabalhando com a aceitação, pois era o estágio final de uma grande ilusão imposta, desmascarada por uma reviravolta. Agora que todas as cartas estão reveladas, e os personagens de volta aos status que conhecíamos, Yoga Play demonstrou uma outonada simbólica: todos se reinserindo em espaços de familiaridade. Agora é a hora da reaproximação.

A reaproximação surgiu de várias maneiras no episódio. Carrie e Saul já agem juntos passando a sensação de coletividade, de duas mentes como uma só. A enganação dos episódios anteriores caiu completamente e é como se nada tivesse acontecido. O que, para os dois, nada realmente aconteceu. Para o espectador, no entanto, foi evidenciado não através da interação deles, mas sim de Carrie com outros, principalmente Quinn e Jessica.

Homeland 3x05

Carrie definitivamente é uma pessoa magnetizada, pois sua condição mental é algo utilizado a todo o momento por outros personagens. Sua obstinação em cumprir missões é marcante, e o fato de Jessica tê-la procurado para achar Dana fortifica a imagem que ela passa de agente competente. Ela é uma bagunça, sim. Mas também é a pessoa mais determinada do mundo, e Jessica sabe disso por experiência própria. Já Quinn parece usar isso como um pretexto para a aproximação, o que cria um vínculo de atração/proteção entre os dois. Todas as histórias parecem partir dela agora, e que a torna uma partícula geradora de interesse. Com isso, Carrie se torna novamente a protagonista oficial de Homeland.

O que é interessante observar, já que o status de protagonista vem através de expressões presentes na história. Não basta ser ditado, tem que ser colocado em prática o fato de você ser a pessoa mais importante daquele universo. Ainda dentro do turbilhão de emoções exercidas na série, a expressão cumpriu um papel importante em Yoga Play. Depois de Carrie, os personagens mais importantes no momento presente agiram de acordo com a cartilha imposta para o episódio; Saul expressa publicamente — mesmo que sombriamente — seu desgosto em não se tornar diretor da CIA, e Mandy Patinkin traduz em uma série de microexpressões faciais e corporais (um sorriso torto e olhos descrentes, e uma postura que se motiva a cada sensação), exibindo assim formas de se construir não um personagem total, mas uma faceta dele. Com isso, Dana também se abre para o quanto não aguenta mais mentiras e volta para o único lugar onde com certeza não mais as receberá. E senta em seu quarto e chora.

A partir de agora, as coisas formam um jogo, e consequentemente, uma série de jogadas. A “yoga play” do título foi uma semente plantada que demonstra isso, e todos se movimentam a partir do ritmo e das casualidades do jogo em si. A explosão em Langley foi só o gatilho sendo apertado, e nesse episódio, Javadi já deu seu próximo passo.

Com tanto trabalho competente sobre construção de personagens, os plots acabam automaticamente ficando em segundo plano, mas cumprem um papel importantíssimo de ser o que dita as motivações e personalidades de quem os vive. Shaun Toub entra na série como a nova sombra, a nova ameaça, aka Abu Nazir 2.0, e Carrie já caiu direto nas mãos dele. E a julgar pela conversa final de Saul e Quinn (Saul traído, preocupado, esgotado. Cansado.), haverá uma comoção completa em cima disso. E se Homeland continuar pavoneando todas as suas qualidades imensas como tem feito ultimamente, não espero nada menos que ótimo para o que a série parece ter reservado para nós.

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