Homeland 4×05 — About a Boy

Fórmulas antigas ainda funcionam em Homeland. Tais fórmulas garantiram ao episódio aquela mesma tensão que ganhou muitos telespectadores desde a estreia.

Ela é uma daquelas pessoas com quem você se conecta.” — SHERAZI, Fara

Ao ver o carro-chefe de uma temporada, seguindo o extinto de qualquer amante de produtos televisivos, nós já traçamos um rumo para a série em nossa mente. Imaginamos o que irá ser abordado nos próximos episódios, quais reviravoltas nos tirará o sono, o que acontecerá com cada personagem, e por aí vai. Com Homeland isso nunca funcionou.

Aayan prova a teoria acima. Colocado como uma mera vítima desde sua primeira aparição, o garoto evoluiu dentro do plot central e junto com a consagrada Claire Danes, tem dado um show de atuação — principalmente se tratando de cenas que causaram tanto desconforto. Sejamos justos, a série sempre estabeleceu um padrão rígido de qualidade.

Até então, nunca tinha sido deixado claro para o público quem é Aayan. About a Boy trouxe explicações e chegou a colocá-lo em conflito interno: prazeres carnais (lê-se Carrie) ou devoção religiosa (lê-se Islamismo)? Já sabemos qual foi sua escolha. O teatrinho da Sedutora Mathison rendeu uma menção ao Brody, parte da qual não parece ter sido encenada.

Essa sacada dos roteiristas foi genial, assim como a abordagem da relação do garoto com seu tio terrorista. Surpreendentemente, Aayan admira Haqqani e isso vai além do laço familiar que os une. O garoto sabe sobre o Talibã, sabe sobre a falsa morte do terrorista e sabe que as coisas podem complicar caso a notícia de seus “”encontros”” com Carrie se espalhe.

A conversa de Fara com Quinn sobre Carrie foi outro ponto inteligente, reafirmando a principal mensagem passada desde The Drone Queen: qual é a linha que divide os caras bons dos caras maus?

Ficou no ar também a questão do comprometimento da Fara com a CIA. Ela já fez bem mais do que lhe foi pedido e continua se arriscando. Seria a morte da agente o plot twist dessa temporada? Ok, esse é um palpite bem arriscado.

Saul, que não contribuiu em quase nada nessa temporada, apareceu para um jogo de cão e gato com Farhad Gazi no aeroporto. A vigilância deu um tom tenso ao episódio e pode ter animado aqueles telespectadores exaustos diante de tantas cenas avulsas, mas o amadorismo da conclusão surpreendeu. Lembrei até da reta final da 2ª temporada, onde a falta de dedicação gritou. Neste caso, nem foi por falta de tempo. Houveram muitas cenas descartáveis, portanto, podiam ter feito algo muito melhor.

Com o mentor (ou ex-mentor) de Carrie sequestrado, Fara questionando a si própria sobre o trabalho na CIA, Quinn com ciúmes e nossa Station Chief totalmente sem limites, novamente ficamos supondo qual vai ser a grande virada dessa vez.

The Weekend (1×07), Broken Hearts (2×10) e Game On (3×04). Esses três episódios mudaram completamente o rumo de suas respectivas temporadas, agradando o público ou não. Nessa 4ª temporada, esse elemento decisivo precisa aparecer logo. Enquanto isso, a série se apoia em roteiros previsíveis, salvos por algumas artimanhas sutis.

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