Homeland 4×12 — Long Time Coming (Season Finale)

Cansativo e silencioso, o episódio final não condiz com a temporada mais corajosa da série. Teve de tudo: atores cansados, soluções rápidas e muito, mas muito, filler.

Temos que ver os fatos como eles são.”— ADAL, Dar

Homeland nunca precisou ser dinâmica para conquistar a audiência americana. É óbvio que amamos quando a série nos pega de surpresa com cenas de tirar o fôlego, mas isso está bem longe de ser o essencial. Para que qualquer trama funcione bem é preciso que antes uma base seja construída para sustentá-la. Pergunte só aos roteiristas; tais profissionais conseguiram fazer um recomeço decente para a série, porém, falharam ao concluí-lo e ressaltamos que isso não se deve ao fato do episódio focar na vida normal.

O polêmico cenário principal da temporada foi Islamabad, fator chave para a repaginação da série. Desde seu piloto, Homeland sempre ficou devendo muito ao público em relação ao Oriente Médio. Ambientada na América, a produção da Showtime nunca escondeu seu atrevimento. O canal em si já é controverso e o produto parte de uma premissa que também não fica atrás, ou seja, tudo se encaixou perfeitamente. Nunca me esqueço da brasileiríssima Morena Baccarin (saudades Jessica!) falando numa coletiva de imprensa sobre os americanos que torceram o nariz quando um vice-presidente do país foi colocado como vilão em Marine One. Mas, e o Oriente Médio, como fica? Não fica, na verdade. Pelos outros dois anos que se seguiram, só testemunhamos a abordagem do segmento esfriar sistematicamente… até a estreia da 4ª temporada.

Após o impasse internacional com a Venezuela, Homeland bate de frente — quase que pelo mesmo motivo — com autoridades paquistanesas e israelenses. Diplomatas que preferem não se identificar acusam a série de ter mostrado uma versão estereotipada do Paquistão, “longe da realidade”, além da sugestão implícita de que há uma firme aliança do governo com grupos terroristas.

Não vamos entrar numa discussão desse cunho aqui. Dentro do contexto DA SÉRIE, os pontos citados passaram longe de incomodar visto que não é a primeira vez — e nem a última — que a série decide ousar. Anteriormente foram até mais longe ao transmitir em solo americano uma crítica clara ao governo americano. O que deturpou mesmo a visão dos telespectadores sobre essa temporada foi a leva de reclamações em relação ao péssimo sotaque paquistanês dos atores e às traduções desconexas. Ninguém quer ver Homeland se enquadrando na lista das produções chulas por um motivo tão pequeno, ainda mais conhecendo o potencial dos produtores.

Com diálogos curtos e silencioso ao extremo, Long Time Coming foca em Carrie Mathison e seu luto pela morte do pai. Infelizmente, não foi só Frank Mathison que nos deixou. James Rebhorn morreu aos 65 anos (clique aqui para mais detalhes) e, merecidamente, recebeu uma espécie de tributo. Papai Mathison apareceu pouco na série, mas conseguiu deixar sua marca. Foi muito interessante ver Carrie lembrando do pai e até, ironicamente, conhecendo mais sobre ele. E é nesse contexto que surge o plot mais desnecessário da temporada, senão da série toda. Qual a razão da mãe da Carrie e da Maggie aparecer agora? Forçaram feio a barra ao destacar a personagem reservando metade do episódio para uma situação da qual ninguém se importa. O único quesito importante tirado disso tudo foi quando Carrie se deu conta de que fez exatamente o mesmo que sua mãe ao deixar Frannie com a irmã; convenhamos que dava para ter chegado a essa conclusão só com um diálogo bem construído.

Levando em conta a atuação do elenco, nem pareceu se tratar de uma Season Finale. Todos pareceram desgastados, sem paciência, torcendo para que as cenas terminassem logo. Impossível não perceber também algumas falhas na direção de Lesli Linka Glatter, que mirou na melancolia e acertou em cheio na monotonia.

A primeira cena romântica entre Carrie e Quinn, um dos momentos que os fãs mais esperavam, foi um tanto quanto sem sal. Sem mencionar o diálogo previsível onde ambos chegam a conclusões que o telespectador já chegou faz tempo: ela, não consegue se relacionar com ninguém sem dar mancada; ele, só fala que vai seguir em frente mas nunca segue.

Até a reviravolta bombástica do finzinho de Krieg Nicht Lieb teve uma solução bem rápida, apesar de esperta. Dar Adal fez um acordo com Haqqani garantindo a integridade da carreira de Saul Berenson e, em contrapartida, a desonra de cada soldado e agente da inteligência americana que morreu no ataque contra a embaixada. Por mais estranho que isso pareça, Saul aceitou a atitude de Dar Adal.

Inteligente para o futuro da série, a decisão do ex e futuro diretor da CIA foi emblemática. Saul não quer só um cargo na agência como também quer redenção. Redenção num significado amplo, quero dizer. Não se trata de vaidade, se trata de fazer a coisa certa… mesmo que para isso seja necessário varrer algumas coisas para debaixo do tapete. Dá pra confiar em Saul e nesse plot caso ele retorne na, já confirmada, 5ª temporada.

A última cena de Carrie, logo após descobrir que Saul aceitou o acordo com Haqqani, representa bem o que o episódio poderia ter sido, mas não foi. Quem mais lembrou desse momento icônico da Season One?

Não foi um bom episódio, nem passou perto disso. Ainda assim, é importante ressaltar o quanto a série cresceu nesse quarto ano. Após a morte de Brody e o fim do arco que conquistou todos de imediato, Homeland entrou num confronto para seguir em frente com seu próprio público. Eis a receita que seguiram: novos personagens, novos plots, novo cenário principal. Mesmas questões ideológicas abordadas, mesma tensão característica. Eficiente, com seus tropeços específicos.

Brincaram muito com a linha que divide o certo e o errado, ousaram mais do que esperávamos e, por fim, construíram um terreno sólido para pelo menos mais uma temporada. Pode-se dizer que esse quarto ano, que começou bem fechado e independente, levou a série a um novo patamar. Uma indicação ao Emmy de Melhor Série Dramática seria bem-vinda, porém, Claire Danes vencendo em Melhor Atriz de Série Dramática parece mais justo. Destaque para a cena do quase afogamento de Frannie e a do sexo constrangedor com Aayan. Temos que agradecê-la por dar vida a melhor personagem da atualidade e também por garantir gifs maravilhosos no acervo da internet.

Que, na próxima temporada, Homeland dê continuidade a tudo que foi construído esse ano, seja nos Estados Unidos ou no Paquistão. Que tenha bastante tensão, reviravoltas repentinas, frases cômicas do Lockhart e cry face da Carrie, claro!

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