Homeland, minha filha, o que estão fazendo com você?

Sabe quando você fica um tempo longe de uma grande amiga e, quando você a reencontra, ela mudou a cor do cabelo para uma tonalidade ligeiramente exótica e te pergunta se você gostou e você não curtiu nenhum pouco porque ela ficou parecida uma coadjuvante saída de um filme B do John Carpenter, mas é obrigado a mentir, pois não quer magoá-la? Esse pode ser você, caríssimo internauta. Todavia, não sou eu. Sou capaz de gerar um climão com a resposta, porém digo exatamente isso: que ela se parece uma coadjuvante saída de um filme B do John Carpenter com a cor exótica de cabelo.

A amiga que voltou com a cor de cabelo meio exótica foi a série Homeland, da Showtime, e isso está, sim, relacionado àquele tom amarelo de burro quando foge que a Claire Danes está exibindo. E, meu Deus, como a mulher está magra e com os peitos murchos! Mas tudo bem, é o personagem e a gente entende. E, para mim, é extremamente doloroso falar mal de Homeland, pois é uma série pela qual eu tenho um carinho gigante.

Tem carinho, mas fala mal. Então você é desses?

Porém, a série está navegando por águas turbulentas, guiadas por um capitão que já afundou outro navio, Dexter. A Showtime é a grande responsável por destruir todas suas grandes atrações, numa tentativa desesperada de continuar atraindo público e crítica. A notícia da renovação da série não foi recebida por mim com alegria e, sim, com imenso pesar. Porque eles vão afundar Homeland.

A primeira temporada foi uma daqueles momentos raros da TV, como o primeiro ano de namoro em que você curte o comportamento oscilante de sua namorada por considerá-la exótica. Carrie sempre andou na tênue linha entre realidade e loucura, normalidade e psicose. E isso era um barato. Sua cara de louca rendeu a ela alguns prêmios, dentre os quais, um Emmy e um Globo de Ouro.

Choro rendendo prêmios desde 1990...

Raciocínio lógico: se isso fez tanto sucesso na primeira, vamos aumentar um pouquinho na segunda. E novamente deu certo! Mais prêmios por sua atuação insana. Outro raciocínio lógico: se isso fez m ais sucesso na segunda, vamos elevar a enésima potência da terceira. E é isso que estamos vendo.

Acontece que fazer isso faz a série incorrer em clichês!

Xico, seu herege, como ousa dizer que Homeland é clichê? Se tem uma série com a qual eu me surpreendo é Homeland e você me vem com esse seu olho torto me falar que a série é clichê??? VOCÊ É UM MAL AMADO!

Sou mal amado, não, meu povo. Mas nunca é demais divulgar a hashtag #MaisAmorParaXico. Os roteiristas atuais são gênios. Conseguem fazer um pato comum parecer um pavão. E é justamente isso que fizeram com Homeland. Os velhos lugares comuns, usados à exaustão pelo mestre do suspense e até por novelistas brasileiros, estão todos ali, disfarçados com um verniz de modernidade.

A mocinha apaixonada que luta para provar a inocência do seu amado. O vilão que se passa por bom moço e chega a convencer a todos de sua inocência. A protagonista que é internada em um hospício acusada de ser louca, quando, na verdade, não é bem isso. O agente duplo que engana o espectador ao passar-se por traidor, mas que está trabalhando do lado da lei o tempo todo. Você já viu essas histórias muitas outras vezes (até Amor *blurgh* à vida usou alguns deles)! Então não diga que Homeland é completamente original.

I want to be alone!

E a culpa é de quem? Um pouco dos fãs que exaltam tanto a série e não querem que ela se finde. E a outra grande parcela é da Showtime, que escuta os fãs e quer ver as máquinas registradoras tilintarem ainda mais. oHhohNo fim das contas, a maior prejudicada é a própria série, que fica investindo em tramas bobas (ou alguém aí está contente com o núcleo da filha do Brody e seu amiguinho freak?) ou em cenas impactantes e humilhantes com sua protagonista.

Torcer para que Carrie não tenha o mesmo destino que Dexter e que os produtores tenham um triunfo na manga (#NarcisusFeeling). Aqueles peitos murchos e aquela magreza não ficarão tão bem em uma camisa xadrez e um macacão jeans. Muito menos teriam forças para sustentar um machado. Uivemos, irmãos, uivemos! Auuuuuuuuuuuuuuuuuu!

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