House 8×13 — Man of The House

Colin Bucksey dirigiu toda uma vida em episódios de séries diferentes — incluindo NCSI, Burn Notice, Numb3rs, The Secret Circle, Person of Interest e até três episódios de Breaking Bad. Talvez pelo currículo enorme, tenham dado a ele o direito de dirigir seu primeiro episódio de House (talvez por um acaso, justo na última temporada da série).

Talvez não tenha sido uma ideia tão boa.

Man of The House tinha tudo para ser um episódio incrível — afinal, ele fala sobre casamento, o maior conflito possível entre homem e mulher. Numa série que trata de convenções sociais, descascando todos os motivos irracionais que os sustentam, existem poucos temas melhores do que este — se é que existe algum.

Mas o décimo terceiro episódio da temporada pode ter sido simplesmente um dos piores da história de toda a série.

Não quero dizer que estava sem graça como na temporada anterior, em que as coisas chegaram a ficar impressionantemente chatas. Man of The House é um episódio incrivelmente mal feito.

Em primeiro lugar, o roteiro tem problemas existenciais: falar de casamento é um tema para a temporada anterior. Final da temporada anterior. Falar sobre casamento agora e trazer a esposa ucraniana de House — de quem a gente mal se lembrava — foi a tentativa mais pífia que alguém podia ter feito de relacionar o paciente com o protagonista.

Se alguém falasse da Cuddy durante o episódio, as coisas seriam mais emocionantes.

Os personagens — o paciente, a esposa do paciente, o vizinho de House — são todos ridiculamente mal escritos. O paciente — que também fez o papel de um infame homem de negócios em Encontro Marcado (1998 — aquele filme que o Brad Pitt é a Morte) não tem nenhuma da sagacidade de outros pacientes como a psicopata da temporada anterior ou mesmo a menina que abandonou a mãe pra morar na rua, do décimo episódio.

Ele simplesmente vira um cavalo ao longo do episódio — sinceramente, essa série já teve cachorros de outros pacientes, mais interessantes que esse cara. A esposa é tão interessante quanto — ela tenta parecer uma mulher amável, mas tem cara de vilã num filme de vampiros com a Milla Jovovich.

Em uma das cenas, Chase vai atrás da mulher — sem nenhum motivo — só pra dizer que ela tem que aguentar o marido dela ser um cavalo por mais um tempo. Ela mostra um vídeo em que ele atua como o animal que está se tornando, e depois diz “eu nunca sairia com o homem neste vídeo” — e o Chase olha pra ela sem dizer nada e a cena acaba. É uma das piores cenas da história da televisão! Ele não tem motivo pra estar ali, e ela simplesmente te diz que esse tratamento está dando problemas entre os dois.

As cenas com a Dra Park são um cansado raio de sol no episódio: ela poderia ser um personagem muito mais divertido. Acontece que ela só é engraçada quando está zoando alguém, e a série está ocupada demais fazendo o House zoar todo mundo o tempo todo, então… não acho que ela vá aparecer muito mais por aí.

Grande parte das cenas está longa demais — como se tivessem esquecido de cortar o início e o final do take (as partes inúteis em que não há ação relevante). E, em diversos momentos, as atuações são péssimas e as cenas te fazem presenciar um silêncio constrangedor. Aquela em que eles são incriminados por fraude foi uma das piores tentativas de solucionar um roteiro que eu já assisti na vida.

E outra coisa: o negócio do House ser um personagem engraçadão e não um homem ressentido e mal educado tem um limite. Esse limite, provavelmente, é quando ele está usando camisa havaiana e uma peruca gigante do Elvis.

O que nos leva também ao Dr Taub — que agora tem o antigo cargo do Foreman, o que vai implicar em… provavelmente nada. A cena em que ele diz “Quer saber? Talvez ter filhos me tenha feito crescer” foi a coisa mais desconfortável que ele poderia ter dito numa série em que todo mundo é manipulador e sadicamente divertido.

O final do episódio é uma chuva de desgraças: o paciente escolhe viver à beira da morte pra ser o homem que a mulher dele ama — o que já foi feito por um personagem que dava palestras motivacionais e vendia DVDs (aquela que incentivava gordos a emagrecer e ser vitoriosos). Ou seja, num personagem muito menos complexo e muito mais sem graça, não teve impacto nenhum.

Agora, a competição entre os médicos para ser o segundo no comando e a mulher ucraniana dançando no apartamento do House parecia o final de uma esquete d’ Os Trapalhões. Quase como o final de um episódio dos Super Gêmeos — em que todo mundo fica feliz e o macaco faz alguma coisa idiota e todo mundo dá risada.

A fotografia era horrível, o enquadramento estava constantemente fora de lugar, as atuações eram de uma peça de escola e a trilha sonora nem estava lá. Foi… lamentável.

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