House 8×16 — Gut Check

House não está na melhor época para críticas: a enxurrada de episódios ruins fazem qualquer episódio mediano parecer uma obra-prima. O que faz com que Gut Check, décimo sexto episódio desta final season seja incrível, ou apenas… bom.

De qualquer forma, sob vários aspectos (para não dizer todos), o episódio é perfeitamente executado — começando pelo fato de que uma boa direção faz toda a diferença: os enquadramentos são incríveis (a câmera avançando pela máquina de ressonância magnética na direção de Chase e Park), a montagem é extremamente dinâmica (até caótica, como em um dos diferenciais), e os dilemas morais e a inversão de valores é mais complexa do que se viu em episódios como Blowing The Whistle.

Pela primeira vez em algum tempo, o paciente tem um papel relevante no episódio todo — afinal, se um paciente não causa todo um estardalhaço entre os membros da equipe, o paciente não serve para nada. Mais do que isso: talvez seja a primeira vez em toda a temporada que Taub foi um personagem interessante.

Os conflitos do episódio são as dinâmicas de poder derivadas do bullying; o quanto a nossa eficiência muda quando nós estamos contra ou à favor do que estamos lidando; sobre como a imparcialidade é importante em dilemas éticos; o sentimento de despropósito de um homem sem herdeiros; e o quanto a família é importante para todo mundo — principalmente aqueles que não tem mais nenhuma.

Por vários motivos, House é, mais uma vez, uma série que já explorou muito do que existe no mundo, e vários acontecimentos já não são novos. O que faz com que, Wilson ter um filho de 11 anos seja uma verdade grande demais… pra ser verdade. Mesmo assim, dado o clima de esperança da última temporada, nós tentamos muito acreditar.

Claro que, eventualmente você sabe que, Wilson ter um filho pode até ser OK, mas ter um filho que diz “eu te amo, pai”, isso sim é impossível.

Se toda a manobra parece exagerada, no final vale apenas o que se tira de todo o evento: às vezes o que vale pra todo mundo não vale pra você — ou, talvez você simplesmente não sirva para ser um pai, não importa o quanto você acha que quer.

De qualquer forma, assistindo ao episódio pela segunda vez, sabendo qual é a verdade, é divertido ver que tudo o que o garoto fala, soa como se House estivesse falando através dele. Talvez todo o lance da mulher ter dito ao Wilson que era verdade, seja mesmo um pouco exagerado…

O importante, de todo o episódio é que, seja ele genial ou só um pouco bom, é que ele visivelmente não é ruim. E, tendo esse dado em mente, é bom observar alguns fatos importantes: o Foreman não aparece em momento nenhum, o House não age como se fosse um moleque de 15 anos, e a Adams tem só umas quatro ou cinco falas.

Não estou dizendo que esses aspectos são uma receita para o sucesso — mas é pelo menos interessante que tudo isso aconteça bem quando aparece um bom episódio.

No final, Chase termina feliz com uma mulher que ele não vai pegar; Park volta pra família dela, porque o problema dela já ficou com o Chase; e House e Wilson terminam como um casal de velhas solteiras — que provavelmente é a melhor forma para os dois.

Não foi uma obra-prima — mas foi divertido. Para uma série que estava em séria decadência, isso já é mais que o suficiente.

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