House 8×17 — We Need The Eggs

Uma vez ou outra, desde a quinta ou sexta temporada, House tem um episódio que é muito pouco House… e muito mais Grey’s Anatomy.

O dilema moral da semana é a ideia de que todos nós temos uma espécie de sex doll — cuja função é nos livrar de ter que nos aventurar em busca de um relacionamento de verdade (afinal, estes meio que machucam mais que uma boneca).

O problema é que a metáfora é tão subjetiva, que a gente nem tem tempo de digerir ou entender, e o episódio simplesmente continua. Além disso, por mais que seja uma alegoria interessante para se explorar, ela meio que… não é explorada. Desenrolam vários eventos ao redor daquilo, mas o drama e a tensão meio que não chegaram até ali.

É muito bonitinho o Chase rejeitar a Adams — porque, sinceramente, ela é a médica mais chata de todos os tempos; e é ainda mais bonitinho a Park e aquele Hipster Cafona encerrando o episódio como se a gente tivesse assistido Juno — bonitinho demais, na verdade; foi bem esquisito.

Quanto ao Taub… quem liga pro Taub, né? Ainda mais quando ele fica mentindo sobre coisas estúpidas, sendo burro e se auto-sabotando.

E o House… bom, aquela coisa toda de entrevistar as putas no consultório é bem ‘pegadinhas da oitava temporada’, parte do imenso repertório ‘House do Malandro’. Mas o final já é loucamente previsível — a partir do momento que a ‘linda mulher’ dele dá um fora, você já sabe que a esposa ucraniana vai herdar o lugar da Cuddy (de verdade).

E, lógico, você sabe que ele vai jogar fora a carta que diz que a mulher dele já ganhou um Green Card, só pra ela ficar por lá, ocupando o espaço que nem o Wilson ocupa mais — já que, nos episódios fracos (leia: “quase todos”) ele só aparece pra fazer figuração.

Na verdade, dessa vez, Wilson é responsável por dar liga ao drama de House, dizendo que ele só está fazendo tudo aquilo porque o último relacionamento dele acabou com ele na cadeia. O que é verdade — exceto que ele já fazia essas coisas muito antes de pegar a Cuddy. O que significa que ele só está no mesmo lugar, mas numa situação diferente.

O paciente do dia é jogado no canto dos perdedores assim que você descobre que ele brinca de boneca ao invés de pegar a bonitinha que fica se jogando em cima dele. Vários eventos são nascidos do nada pra morrer no nada.

Como colocar a boneca dentro da máquina de ressonância, ou o Chase falando que a boneca tem um tumor ou a Adams querendo agir como se a boneca fosse só uma boneca e depois dando pontos e fazendo curativos nela. Ah! E o paciente ter customizado a boneca pra parecer com alguém… alguém que ninguém se importa.

Isso sem contar a alucinação que o cara tem com a boneca dele seduzindo o pobre perdedor. Alucinações em House… bom, desde o episódio musical no meio da temporada passada, eu prefiro que elas simplesmente não aconteçam.

No fim das contas, o episódio só vale a pena pela cara que o House faz quando a Dra. Adams diz que o filme do Woody Allen favorito dela é Melinda & Melinda (se você não lembra, é uma careta). E também porque o Foreman não aparece — de novo!

Agora House tem apenas cinco episódios e depois, boom, nada. Nos episódios bons (até muito bons) da oitava temporada, a gente simplesmente se dá por satisfeito.

Mas em episódios como esse, em que nada de relevante ou dramático realmente acontece, nós somos forçados a lembrar que até agora nada de importante e duradouro aconteceu — algo que faça com que o final da série termine no ápice de um crescendo épico, como a quarta temporada de Breaking Bad ou a primeira de Dexter.

Sinceramente, a última coisa que essa série precisa é terminar com um episódio qualquer, exageradamente emocionante e muito sem graça, tipo o finale de Ally McBeal ou qualquer coisa assim.

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