House of Cards 4×01 — Chapter 40

Chapter 40 é uma estreia calma e ditando o ritmo da temporada, sem deixar de construir o conflito entre o casal.

Você é mais forte do que ele. Mas precisa colocá-lo no seu devido lugar.” HALE, Elizabeth

Depois de deixar os espectadores de cabelo em pé com o fim da temporada passada, finalmente estamos de volta à Casa Branca. Ou melhor, a corrida para manter-se nela. A estreia dessa temporada de House of Cards não ousou nem tentou repetir fórmulas, entregando em Chapter 40 nada menos que aquele episódio que te coloca a par de tudo e dá o pontapé inicial do que veremos nos próximos episódios. Longe de ser ruim, conseguiu muito bem atualizar o público sobre como anda a relação do casal mais poderoso, inclusive testando a memória dos fãs, apresentando uma trama que parecia encerrada. Entretanto, a série vem mostrando certos deslizes em alguns pontos específicos.

O grande mote do episódio foi, é claro, determinar como Claire e Frank irão lidar um com o outro depois de uma briga feia e um “estou te deixando” no nível mic drop. Quem esperava que Claire, de alguma forma, tentaria concorrer contra o marido ou esperava que logo de cara eles lavariam muita roupa suja, se decepcionou. Acredito que isso, inclusive, ajuda a criar uma tensão para o possível momento no qual isso acontecer. Se acontecer. O plano de Claire é relativamente simples e praticamente nada novo: subir a escada da política. Frank agora é somente uma ferramenta nessa corrida, ao invés da parte mais importante.

Já sabíamos que queriam isso, porém antes o plano parecia apenas uma faixada para que ele comandasse por trás. E é exatamente isso que causou a briga no fim da temporada passada. Tudo girava em torno dele. Todos os planos, todas as decisões, inclusive todas as recompensas. Ela precisou abrir mão de muita coisa e não está nem um pouco afim de continuar assim. Quer as rédeas da própria carreira inclusive. Como ela disse, só quer um degrau para alcançar níveis maiores e por isso decidiu começar por baixo para não precisar de Frank. Independência total. O que não é nada menos que justo.

É interessante notar também como os dois tratam as coisas de maneiras bem diferentes por dentro. Já havíamos visto isso antes, quando Claire precisou contar na segunda temporada sobre o abuso que sofreu e agora nós vemos acontecer praticamente a mesma coisa. Por mais que seja a mãe dela e ela ter total direito de se emocionar ao vê-la sem cabelos, o custo emocional sempre foi dela na relação entre os dois. Foi Claire quem abortou e precisou admitir isso em rede nacional, passar forçadamente por um trauma em rede nacional e agora descobrir o câncer da mãe, além de utilizá-lo como fez. Nesse aspecto, o roteiro da série sempre marca pontos, demonstrando que ela é a força por trás do casal.

Frank agiu de maneira totalmente condizente com quem ele é. E a sua atitude ameaçadora e dominante torna-se cada vez mais nítida. É, inclusive, um pouco amador fazer ameaças à Leann de forma assim tão aberta. E como era de se esperar, tudo pra ele é questão de sair ganhando, estar por cima e continuar na Casa Branca. Frank nem sequer tentou ganhar Claire de volta ao longo do episódio, oferecendo, ao fim de tudo, somente um tratado de paz. É bem provável que essa atitude se estenda pela temporada toda, ou chegue a ponto de uma tentativa de dominação total da esposa. O ego de Frank nunca vai permitir que ela perca, independente de quem for.

E são nestes pontos envolvendo Frank que a série desliza um pouco. Uma das coisas mais poderosas e cativantes era a quebra da quarta parede e como Frank sempre conversava com seu público. Era uma janela incrível para seu psicológico. Na terceira temporada tivemos poucos destes momentos e nessa estreia não tivemos nenhum. Talvez a série ganhasse com a volta mais fote desse elemento, principalmente se Claire apresentasse momentos assim para refletir a sua luta para escapar da influência de Frank. Ou talvez isso acabaria por acrescentar a um roteiro já frenético e deixaria o público perceber as nuances de seus comportamentos.

Sem esquecer, claro, a maneira interessante com a qual a série trouxe de volta um personagem que julgávamos extinto com o fim da segunda temporada: Lucas Goodwin. Uma leve lembrada para quem esqueceu: era o paquerinha de Zoe, que tentou hackear os sistemas do governo para provar a relação de Frank na morte da jornalista. Obviamente o roteiro não trouxe ele de volta apenas por trazer, ainda mais em uma temporada que promete levantar do túmulo todos os inimigos dos Underwood. É esperar pra ver.

Não adianta, a série não vai conseguir ou tentar repetir o feito da segunda temporada e começar jogando gente para debaixo do ônibus (ou, no caso, na frente do trem). Essa cadência de crescer aos poucos sempre foi regra na série, então agora é ver até onde Claire vai chegar antes de precisar enfrentar Frank de uma vez por todas e “o colocar no seu lugar”, como disse a sua sábia mãe.

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