House Of Cards é remédio ou veneno?

A estreia de House of Cards já foi pauta de várias matérias aqui no Box de Séries, porém dessa vez a gente não vai discutir se vale ou não a pena assistir a trama, mas o que sua estreia representou para a mídia. Com a convergência os meios tiveram que se adaptar as novas plataformas e principalmente ao comportamento do espectador. E um dos reflexos dessa transformação é a migração dos conteúdos produzidos pelos canais para a internet. Hoje, boa parte das emissoras americanas disponibilizam na integra os episódios de suas séries. Não por boa vontade, mas pelo velho (e brega) ditado, “Se não se pode vencer, junte-se a eles”.

O futuro da TV é móvel e se configura no comportamento do espectador multitasking. E o que o Netflix fez?! O caminho oposto dos grandes conglomerados! Uma trama produzida única e exclusivamente para a internet que pode ser acessada quando e onde o usuário quiser. House of Cards é um marco na história da convergência em termos de distribuição de conteúdo. Entretanto, como todo grande acontecimento, existem efeitos colaterais.

O sucesso o drama político refletiu até na Social TV — mesmo não sendo transmitido no veículo. Segundo dados divulgados pelo LA Times, logo nas primeiras horas do dia 1º de fevereiro a série gerou um buzz de 10 mil menções no Twitter, sendo que 62% delas eram positivas. O lançamento também se teve bons resultados nas pesquisas do Google, o Netflix conseguiu um aumento de 38% enquanto o protagonista Kevin Spacey atingiu a marca de 15%.

A convergência não é um o ponto final, nem o futuro, é o presente da comunicação . (Fonte: Alex Fine)

Mas o diferencial da plataforma de TV Everywhere foi à maneira como a ela disponibilizou House of Cards. É o pesadelo de qualquer pessoa que assiste seriados: quando o cliffhanger atinge seu ponto máximo o episódio acaba e você tem que esperar uma semana — no mínimo — para descobrir como será o desenrolar daquela cena. Entretanto, na trama do Netflix não tem esse mimimi, todos os episódios da série ficaram disponíveis desde a sua estreia.

Até aí ótimo, todo mundo vai ver quando bem entender sem precisar ficar atrelado ao cronograma das emissoras. Mas com essa mudança vêm as dúvidas; como a gente faz para comentar a série com os amigos, se eu não sei se todo mundo teve tempo de assistir a primeira temporada ? Como eu vou postar no Twitter sobre o episódio que vi, e não tomar um unfollow porque eu contei um spoiler? E o roteirista da série, ele desenvolve uma trama às cegas e só sabe o feedback do público depois que o produto está finalizado?

Seria muito bom ter todas essas respostas agora, argumentos inquestionáveis e exatos sobre como será esse novo ecossistema que o Netflix acabou de inaugurar. Mas é isso que acontece nas mudanças, a renovação vem junto com as incertezas. São perguntas ainda sem respostas definitivas diante dos novos hábitos que nascem junto com House of Cards.

Ao lançar uma série voltada para a internet a empresa de TV Everywhere deu ao público uma liberdade de escolha até então inédita. E com isso trouxe a dualidade que todo fenômeno recente de comunicação tem. Se essa nova estrutura de distribuição será um sucesso? Se a Social TV vai se adaptar a isso? Se você não será xingado por contar um spoiler? Se as pessoas vão fazer maratonas a cada estreia? A gente não sabe; mas é exatamente esse o grande mérito de House of Cards. Mesmo se a série não fosse tão boa quanto é , só o frescor que o Netflix trouxe a mídia já fez jus a cada investimento.

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