HQ: Hip Flask — Seleção Não Natural

Hip Flask tem um roteiro clichê de ficção cientifica: o primeiro volume da saga Elephantmen não apresenta muitas novidade para o leitor.

Serei pai e mãe para esses monstros. Serei seu Deus.” — Dr. Nikken

Roteiro

A história se inicia em 2218, quando uma corporação com o nome de Mappo está fazendo experimentos para a criação de uma nova espécie, uma evolução com a mistura de animais e seres humanos. O experimento é tão complicado geneticamente quanto as imoralidades que são demonstradas em seu processo, com cobaias humanas usadas para a criação dos embriões, o treinamento que as criaturas recebem e as vidas que são obrigadas a ter no interior da empresa, tudo isso às escondidas da população do mundo moderno.

Os seres antropomórficos (são vários tipos de animais) recebem um treinamento muito parecido com o filme O Soldado do Futuro, educados e treinados para obedecer e defender a Mappo em qualquer circunstancia, entregando sua vida e seu livre arbítrio pelo bem da corporação. Não recebem o conhecimento do mundo externo, assim como o leitor, que se sempre fica aprisionado junto às criaturas e passa pela lavagem cerebral que elas são expostas. Acompanhamos o processo da educação e testes com os animais até sua vida adulta.

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Por se tratar do primeiro volume, ele apenas nos introduz neste universo criado pelo autor e desenhistas. A história deste encadernado se encerra com a invasão da Mappo e mostrando que os “experimentos” estão livres e vivendo em nosso mundo. Com isso são geradas várias questões sobre a existência dos mesmos: eles são realmente humanos? Uma especie racional? O quão perigoso é sua existência para nosso mundo?

O enredo principal da história parece girar em torno da segregação e o racismo que essa nova espécie vai receber, o que não é uma novidade para os tempos em que a HQ foi lançada (2002). Como foi dito anteriormente, algumas passagens são muito parecidas com acontecimentos de filmes ou seriados sobre um possível futuro distópico, parece mais uma historia em um molde que já conhecemos. O universo tecnológico criado, com essa tecnologia suja, não tem como não lembrar de Blade Runner, porém é muito mais poluído visualmente.

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Arte

Os desenhos desta graphic novel são de uma qualidade ímpar. Muitos podem dizer que ele é carregado demais, com muitos elementos em um pequeno espaço de tempo, porém esse fator faz com que o leitor demore nas páginas para captar cada detalhe nela apresentado. Vários quadros não possuem falas e são apenas lidos pelas imagens nele apresentados.

Hip_Flask_arte

A arte final e as cores acrescentam e muito aos detalhes já destacados do desenho, além de apresentarem uma suavidade com um jogo muito bom de luz e sombra. Pela temática da HQ ser um futuro distópico ciber punk, é de se entender essa gama absurda de detalhes, e isso não é ruim. Ele valoriza muito o universo que nos é apresentado, mostrando que muita coisa é compreendida sem o narrador ou algum outro personagem precisar explicar.

Outro destaque da arte é como as cores e os ambientes conversam bem entre si; alguns detalhes das ilustrações apresentam relevos que parecem saltar do papel

Acabamento

O primeiro volume desta saga é publicado no Brasil pela editora Nemo, possuindo um acabamento muito bom, com um porte grande. A revista, mesmo com poucas paginas, é agradável para o leitor possuir nas mãos, a impressão é muito boa. O formato grande ajuda na visualização das imagens, mesmo quando algumas aparentam estarem um pouco embaçadas ou pixelizadas.

Hip-Flask

Conclusão

Por se tratar do primeiro volume de toda uma saga, pode ser que sejamos surpreendidos com uma história contendo um enredo mais diversificado e sem os clichês que foram apresentados nessa redição. Enquanto isso, mesmo com uma arte muito bonita e um acabamento exemplar, o preço da HQ é caro para o roteiro que nos é apresentado.

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