Humans 1×02 — Episode 02

Segundo episódio expande a relação entre criadores e criaturas

Ele é a Mona Lisa. Ele é a penicilina. Ele é a bomba atômica” — HOBB, Dr.

Se o homem é capaz de criar robôs para executar as tarefas mais físicas, o que farão as pessoas que não possuem vocação para os estudos e dependem de tais empregos? Como competir com uma máquina criada específica para realizar aquela função?

Lá pelas tantas, Harun, o namorado de Mattie Hawkins, se questiona isso enquanto fuma um baseado com a amada. E a pergunta dele é extremamente válida dentro do contexto da série. Se um autômato é programado para realizar esses serviços mais chatos, pouco sobra para os humanos não fãs de estudos.

Laura mesmo vê sua função de dona de casa ser substituída por Anita, que desempenha tudo sem se cansar. O problema é quando ela percebe que a Synth está, pouco a pouco, assumindo um papel bem maternal para a pequena Sophie.

Humans

A dinâmica entre Laura e Anita é tensa. O tempo todo o roteiro joga com essa situação, colocando o espectador sob a ótima da mãe. Por vezes, as falas da robô são cheias sutilezas, sugerindo muito. Ela é flagrada olhando de soslaio, mente, dissimula. Se Laura não confia em Anita, o roteiro leva o espectador a não confiar também.

Os diálogos entre Laura e sua filha Mattie são os melhores. É na boca das duas que os maiores dilemas filosóficos transitam. A jovem é questionadora e inquieta. Ela percebe que algo não está bem com Anita. Por seu espírito contestador, é uma personagem da qual se pode esperar muito.

O fato é que, pelo pouco que se sabe sobre a Synth, não há razões para confiar cegamente nela. Os flashs dela na água com uma criança são bem parecidos com o que outro autômato teve. A obsessão de Leo em encontrá-la mostra que o passado de Anita é cheio de segredos. E o sorriso que ela dá quando descobre que será devolvida à fábrica? Há muito por trás da aparência plástica e asiática dela e Humans sabe jogar com isso.

O casal Jill e Peter possuem Simon. Esse é um arco narrativo muito apropriado para a série. Afinal, Jill necessita de ajudas apropriadas, mas Peter tem um pouco de preconceito contra robôs, além do fato de esconder no trabalho que possui um. E a investigação que ele comanda poderá auxiliar ainda mais na elucidação do mistério que envolve os robôs pensantes.

Mesmo tentando de tudo para não ter um novo Synth, George Millican vive momentos estressantes com sua nova ajudante. Sabe-se que ele e Elsten, o suposto criador dos Synth pensantes, trabalharam juntos no desenvolvimento tecnológico dessas máquinas. O que se vê em George é criatura voltando-se contra criador.

Niska continua sendo uma das personagens mais interessantes da série. Apesar do pouco tempo em tela, seu grito mudo na frente do espelho valeu pelo episódio inteiro. De todos, é a única que decidiu se rebelar e seguir seu rumo. Sua cena também revelou a banda pobre que é o mundo da prostituição e das perversões humanas.

Muita coisa aconteceu em pouco tempo. Mas não ficou a impressão de nada corrido. Tudo foi desenvolvido com muita calma. Humans consegue manter o ótimo ritmo estabelecido na estreia.

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