Humans 1×07 — Episode 7

Humans vai muito além do óbvio ao propor o que nos faz verdadeiramente humanos

Consciência só pode nos trazer sofrimento” — VOSS, Karen

O que nos faz verdadeiramente humanos? A consciência é a centelha de vida principal existente em cada pessoa na Terra. Isso as distingue dos demais animais. No entanto, será que a capacidade pensar e discernir pode ser considerada um privilégio?

É impressionante como as discussões acerca da humanidade nunca ficam no superficial quando discutidas em Humans. A série se encarrega de conferir toda uma carga filosófica, sem soar didática e nem beirar o pedantismo. Isso a faz uma das melhores séries de ficção científica da atualidade. E a mais subestimada também.

Karen Voss é a personagem mais surpreendente desta temporada. Como se não bastasse o choque inicial de descobrir que ela é uma sintética, este sétimo episódio mostra que ela foi criada à imagem e semelhança de Beatrice, a mãe de Leo e esposa do Dr. David Elster.

Humans

Isso explica o tamanho da temeridade que ela tem de imaginar que, num futuro ainda mais próximo, os sintéticos terão consciência. Ela viveu muito tempo entre os humanos e, por ser policial, entre os piores tipos de humanos. Rejeitada pelo seu próprio criador e sendo obrigada a conviver com pessoas que não suportam a presença dos robôs, Karen decide que o melhor a fazer é destruir toda máquina com consciente. É compreensível.

Ao atirar em George Millican (em uma cena extremamente bem conduzida, sem cair no melodrama, mas sem deixar de comover), mesmo que tenha sido sem querer, Karen desencadeia uma série de fatores que comprovará, no ponto de vista dela, que robôs conscientes decretarão o fim da humanidade. E quem sabe o futuro da raça humana não seja mesmo os sintéticos?

Assim como também é compreensível todo o senso de família compartilhado por Joe, Laura e Mia. Apesar da diferença biológica, eles fazem de tudo para proteger seus familiares. Por isso é tão especial e tocante o abraço entre as duas. Mia perdoa Joe pelo que aconteceu e faz Laura entender as atitudes do marido. Mesmo gerando um pouco de raiva nos espectadores, Joe fez o que fez para defender sua família. E Mia entende isso.

Aliás, todo o episódio focou bastante no conceito de família. Pais e filhos, o amor incondicional, as escolhas. E o mais interessante de tudo é que não eram exatamente os humanos que estavam discutindo isso. Um debate tão atual em uma série de televisão subestimada consegue ser mais contundente que qualquer outra discussão em congressos da vida.

Quando Karen surge, o espectador já sabia o desenlace da situação. Mas ainda restava uma esperança. Toda a família dos sintéticos estava ali reunida de uma maneira ou de outra (Max ainda em recuperação). No entanto, por mais que tenha vindo do mesmo criador, Karen não os reconhece mais e aquele final deixou todos com um grande nó na garganta.

Semana que vem é o último episódio da temporada e fica a angústia de saber que toda a humanidade demonstrada pelos robôs poderá ser estilhaçada pela frieza praticada pelos humanos.

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