Humans: inteligência artificial com sentimentos humanos

Adaptação de série sueca traz nova abordagem para um tema batido na ficção-científica

Você é apenas uma máquina estúpida, não é?” — HAWKINS, Laura.

Em um dos grandes clássicos da ficção científica, Eu, Robô, Isaac Asimov criou a bíblia do comportamento robótico. Este é um dos livros mais influentes sobre inteligência artificial, e define as regras do comportamento dessas máquinas, desde os primeiros autômatos até os superinteligentes, capazes de pensar e tomar decisões que afetam os seres humanos.

Desde então, o cinema, a literatura e a televisão produziram conteúdos que beberam diretamente dessa fonte. Desde o subestimado A. I. — Inteligência Artificial até a recentemente cancelada Almost Human, as narrativas se debruçam a investigar esses autômatos e pensá-los como um aperfeiçoamento do homem; uma inteligência artificial com sentimentos humanos.

A mais nova produção do gênero é Humans, adaptação de uma série sueca, produzida por uma parceria entre o canal americano AMC e o britânico Channel 4.

inteligência artificial com sentimentos humanos

Humans aborda um período em que robôs, conhecidos como Synth, convivem com seres humanos. Com uma aparência humana, eles servem as pessoas realizando trabalhos de risco ou domésticos, também como acompanhantes de idosos ou parceiros sexuais de solitários. Retomando os questionamentos éticos propostos por Asimov, se desperta a preocupação com o avanço dos Synth na sociedade e até que ponto eles são substitutos dos humanos.

No primeiro episódio, abordou-se três histórias paralelas. Na primeira delas, um pai de uma família de um subúrbio inglês, Joe (Tom Goodman-Hill), compra um Synth para auxiliá-lo nas tarefas domésticas após sua esposa ausentar-se da casa. Os motivos para esse afastamento de Laura (Katherine Parkinson), a mulher em questão, são pincelados e sugerem um problema emocional decorrente da morte de seus progenitores.

Essa Synth tem um passado misterioso, conforma deixa claro o flashback envolvendo Anita (Gemma Chan). Ela faz parte de um grupo de robôs pensantes e tinha uma história amorosa com o humano Leo (Corlin Morgan). Esse seguimento do episódio foi muito instigante, especialmente ao mostrar como é complicado para um robô programado para servir, ser dotado de questionamentos internos.

Destaque para o momento em que Niska (Emily Berrington), uma robô criada parar servir sexualmente aos humanos, conforma-se com seu destino e aceita uma relação sexual. Cena fria, crua e cruel.

A terceira trama envolve um senhor senil, George Milicam (William Hurt), e seu defeituoso autômato, Odi (Will Tudor). Chega a cortar o coração perceber que o robô é o único elo entre George e sua falecida esposa. Apesar de não ter tido um desenvolvimento maior e aparentemente desconexo com as outras duas tramas, nota-se que George é muito mais do que o foi mostrado.

Um ótimo trabalho de atores, especialmente os que interpretam os robôs. Apenas um leve incômodo com a protagonista, a asiática Gemma San, mas facilmente superado depois de um tempo com ela em cena. William Hurt magistral como sempre. Colin Morgan, mais conhecido por seu papel em Merlin, tem um bom desempenho como Leo. O mesmo se pode dizer dos Hawkins, com destaque para Katherine Parkinson, que encarnou com perfeição a mãe suburbana.

Humans entregou um instigante primeiro episódio, que faz o espectador ir logo para o segundo e descobrir como esses robôs lidarão com seus sentimentos. Além de lançar luz sobre o comportamento humano em relação a facilidades tecnológicas. Tem tudo para vingar e colocar-se como uma boa série do gênero.

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