It e o medo de crescer

Nova adaptação do clássico de Stephen King equilibra drama e terror, com um elenco apaixonante.

Tão complexo quanto uma história de terror é viver a infância. Um mundo cheio de negativas, oras você é muito grande, oras você é muito pequeno; Há medida que você cresce, tudo que vivenciou nessa fase vai construindo quem você é. É a o momento da vida em que os medos se desenvolvem: depois disso, ou você o domina, ou é dominado por isso. Parte de algo que você não consegue entender ou racionalizar. Todos nós passamos por isso.

Por esse motivo, It de Stephen King — mesmo com suas profundidade — é uma obra essencial da literatura: mostra em suas mil e tantas páginas que o medo é parte da condição humana. A narrativa investiga qual a origem do medo e qual sua extensão na vida.

Escolhendo manter-se próximo ao universo do livro, a adaptação cinematográfica também segue este caminho. Dirigida por Andy Muschietti, com colaboração de Cary Fukunaga (que deixou o filme por diferenças criativas), o objetivo deste primeiro capítulo é mostrar a transição da infância para a juventude é afetada pelo medo, e o confronto com a vida adulta. Quando encontramos os membros do clube dos perdedores em 1989, cada um enfrenta os seus próprios temores: Bill (Jaeden Lieberher) é traumatizado pelo desaparecimento do irmão mais novo; Beverly (Sophia Lillis) sofre abusos domésticos; Eddie (Jack Dylan Grazer) é hipocondríaco e sofre com a mãe controladora; Mike (Chosen Jacobs) sente-se responsável pela morte dos pais; Stanley (Wyatt Oleff) questiona a sua fé; Ben (Jeremy Ray Taylor) tenta se encaixar em um novo ambiente; e Richie (Finn Wolfhard) tem medo de palhaços.

É exatamente este grupo que dá frescor a este clássico da cultura pop. Muschietti faz a química entre eles funcionar muito bem na tela, coletiva e individualmente. Derry é uma cidade com ar de pacata, mas é misteriosa, densa e cruel com essas crianças: adultos a ignoram, os aterrorizam, os desprotegem. A tensão está por todos os lados, e eles não parecem seguros a nenhum momento. A personalidade que o lugar ganha é uma marca de Stephen King, e o diretor capta isso bem, especialmente com um elenco que sabe roubar a cena.

Completando o elenco principal, Bill Skarsgård tem nas mãos um personagem que se tornou um símbolo o excelente Tim Curry. Auxiliado pela tecnologia, o ator criou uma atmosfera sombria e realmente assustadora para o Pennywise, desafiando os limites do conceito de humanidade. Não é questão de ser melhor ou pior, é uma das novas camadas para o palhaço dançarino, que tem propriamente uma essência monstruosa.

Pennywise, porém, é apenas uma (boa) parte do terror que It entrega. Através de metáforas — o banheiro sangrento de Bervely, a mulher no quadro para Stan, um homem sem cabeça para Ben, e Georgie para Bill — o filme deixa bem visual que o desafio para estas crianças é o enfrentar o medo, e no final iniciarem um novo capítulo em suas vidas.

Diferente de muitas produções recentes, It clama por uma sequência, embora termine como uma boa produção cinematográfica deve terminar: com a sensação de que a história foi integralmente contada. Queremos ver este grupo, 27 anos depois, transformados por tudo que viveram na infância, como foi crescer em Derry, e mais uma vez encarando Pennywise — dessa vez com um tanto de inocência perdida.

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