Jane the Virgin 3×03 — Chapter Forty-Seven

Enfim o momento mais esperado de Jane the Virgin acontece e Chapter Forty-Seven o realiza de forma realista.

Tudo bem. Eu transei. Sou uma pessoa que transou.” — VILLANUEVA, Jane

Chegou a hora da despedida da florzinha de Jane. O episódio não só teve o acontecimento mais importante até aqui como também apresentou outros enredos secundários e que também merecem atenção. Mas vamos por partes. Primeiramente, a não-virgindade de Jane.

Confesso que desde sempre fiquei apreensiva quanto a esse momento. Não sabia de que forma a série ia apresentar essa questão muitas vezes delicada e que muitos têm uma concepção errada.

Sim, ainda existem essas pessoas. Vendo alguns comentários sobre Chapter Forty-Seven, cheguei a ler que Michael era o culpado pela falta de prazer de Jane. Talvez, antes de tudo, devemos lembrar que foi uma primeira vez. Em todas as esferas da vida, as coisas não saem exatamente como planejamos nas primeiras vezes. Por que com a perda da virgindade seria diferente?

Na verdade, seria diferente porque a virgindade da mulher e perda dela sempre foram romantizadas. Ou seja, um julgamento que não cabe mais em pleno século 21. Na série, essa concepção passada de avó para neta ajudou a formar toda a frustração de Jane por não ter tido um orgasmo.

A primeira vez não é e não precisa ser como naqueles romances clichês que Jane the Virgin, ironicamente, se baseia tanto.

Justamente por esse detalhe, por ser uma comédia romântica que utiliza todos os clichês a seu favor, a série foi perfeita em descarta-lo dessa vez. A primeira vez de Jane, o marco mais importante até aqui, foi realista e isso é bom justamente para acabar essa “romantização” em cima desse assunto.

Ela não só esperou tanto por esse momento, como também se sentia pressionada para não ser mais virgem aos 25 anos, casada e com filho. Todos esses conflitos juntos acabaram por trazer um choque de realidade que afetou o psicológico da protagonista, como a crise de identidade e o sentimento de culpa por não ter tido uma conexão carnal com Michael.

Xiomara, quem sempre foi importante nos conselhos amorosos e sexuais, teve papel fundamental em Chapter Forty-Seven ao dizer que as coisas iam se acertar no tempo delas. Afinal, a conexão emocional entre um casal também é crucial e Jane e Michael têm isso de sobra.

Com tudo colocado em panos limpos e com ajuda bem-vinda da sex tape da discórdia, os recém-casados enfim tiveram uma boa noite de sexo. Não que tenha dado para saber dos detalhes, mas pelo menos é o que a criativa animação deu a entender.

E como era de se esperar, Gina Rodriguez deu aula de atuação. A atriz foi perfeita nos sotaques e trejeitos das várias versões da Cecília. Posso dizer que também surpreendeu ao arranhar um espanhol quase perfeito.

Paralelamente ao enredo principal do episódio, estava a trama de Rose e Luisa. A relação delas aqui foi construída para ser o avesso do casal principal da série. Para elas, sobrava atração sexual e faltava conexão sentimental.

Em outras palavras, faltava Luisa confiar na vilã depois de tantos assassinatos que incluem o pai da ex-médica. Convenhamos que todas as interações entre elas foram sensacionais com esse misto de humor e melancolia. Ao mesmo tempo em que dei altas risadas com Rose frustrada por não ser sexy ao falar “eu te amo”, também fiquei triste quando ela percebeu que Luisa tem medo dela.

Tudo isso para a decepção prevalecer no fim. Realmente esperei que a vilã mudaria a página de seu passado como Sin Rostro e passasse a ser uma pessoa de bem, sensata e positiva. Porém, mais falsa impossível depois de ter matado, também, a mãe de Rafael. O que nos leva a pensar, o que tem naquela bíblia que Mutter quer que seja entregue ao filho? Aguardemos os próximos episódios.

Enfim, o que resta é esperar que Jane the Virgin tenha algumas reviravoltas na manga envolvendo a trama de Roisa. Afinal, não pode ser tão fácil e simples assim Luisa voltar, entregar a ex e essa história acabar por aí.

Agora, precisamos falar sobre Rogelio e uma das melhores metalinguagens apresentadas pela série até aqui. Não restam dúvidas que a CW tem um grande senso de humor por fazer tanta autopropaganda e depois zoar com a própria imagem. Cada menção ao canal era mais engraçada que outra, seja com Jane dizendo que não o conhecia ou Rogelio elogiando a programação das séries de super-herói. Apesar de ser tão criticada e subestimada, a CW merece um pouco mais de reconhecimento depois disso.

Por fim, com o principal objetivo de Jane the Virgin alcançado, que o bem-estar de Petra venha logo em seguida. Ela e Anezka não fizeram tanta falta na conjuntura do episódio, mas são indispensáveis para a série em geral.

E esse foi o perfeitamente realista Chapter Forty-Seven. Vamos ver como a série vai se sair sem o peso da virgindade de Jane, o que não parece ser um grande problema perto da qualidade e criatividade apresentados a cada episódio.

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