Jessica Jones 1×08 — AKA WWJD?

AKA WWJD? é definitivamente o ponto de convergência da série.

Assista isso e me diga quem foi realmente violado. Bem-vinda à minha casa!” — KILLGRAVE

Todo o roteiro do oitavo episódio de Jessica Jones leva o telespectador a acreditar que a heroína está prestes a tomar a decisão mais errada possível. Sim, mais errada do que se mudar com Kilgrave.

Só para nos mostrar no final que os roteiristas não pretendem nos enrolar por muito tempo. Por mais que alguns vejam AKA WWJD? como um episódio de enrolação, muita coisa foi dita e feita em pouco mais de cinquenta minutos para que ele tenha tão pouco crédito.

A principal arma aqui foi mostrar ao público, mais uma vez, que Jessica não tem a mínima noção do que está fazendo. Diferente do que acontece normalmente no Universo Marvel, para ela não é tão fácil encarnar o papel de heroína, ao menos não quando o assunto é seu grande inimigo.

Até porque Kilgrave não é o tipo de vilão tradicional também. Ele não tem interesse em destruir a cidade, destruir a humanidade, construir um reino de discórdia e violência. Seu principal objetivo é conquistar a única coisa que não pode ter.

Tecnicamente esse é o roteiro de qualquer filme com um antagonista forte. O problema é que nesse caso o poder do vilão é um tanto ameaçador demais. Ele não voa, tem super força ou lança raios com um cedro mágico. Algumas palavras são o suficiente para colocar qualquer um de joelhos.

Baseada nesse conflito, Jessica Jones aborda não só o lado da heroína nesse episódio. Afinal já sabemos que o vilão é um psicopata medonho com um poder ainda mais aterrorizante. Agora é hora de mostrar o lado dele na história.

Até porque todas as histórias tem dois lados, duas narrativas, mas nada justifica o comportamento psicótico do vilão, que no fundo é facilmente comparado à uma criança mimada. E não foi isso que a série quis passar, esse novo ponto de vista não serve para absolver Kilgrave, apenas nos dá uma visão do contexto que o levou a esse ponto.

A tortura psicológica aplicada desde o primeiro episódio continua em um novo nível. O passado de Jessica é escancarado na frente dela. O contato direto com seu inimigo torna tudo mais real para a personagem, a pressão aumenta a cada segundo. Ainda assim, nenhuma decisão é tomada impulsivamente. O que traz um certo equilíbrio para ela.

Também somos apresentados à uma nova ótica de como os poderes de Kilgrave funcionam. Todos concordamos que a dádiva de fazer todos agirem de acordo com suas vontades pode ser um fardo pesado demais.

No entanto não há esforço por parte do personagem para se tornar bom. Ele quer o que quer, ao menos não temos mais um caso de um psicopata regenerado na TV. Não há inversão de valores aqui. Há margem para questionamento do público, não da essência dele.

O texto do episódio chega a brincar com a ideia do que Jessica Jones faria? O que Trish faria? Quem é pego de surpresa quase cai na armadilha imaginando que a heroína realmente daria uma chance a Kilgrave, mas então chega a hora da reviravolta e nós entendemos. É isso que Jessica faria, ufa!

E é exatamente esta reviravolta no final que torna o episódio o ponto de convergência da série. Até AKA Top Shelf Perverts a série parece estar em uma subida contínua. Apresentando fatos e incrementando a trama. No fim de AKA WWJD? tudo isso desmorona para uma descida incontrolável de acontecimentos quase imprevisíveis.

Vale lembrar que o episódio também aborda uma questão muito importante atualmente: estupro. Desde o início a série vem falando sobre isso, mas neste episódio há uma discussão bem clara sobre os limites do sim e do não. Como uma mulher incapaz de tomar uma decisão responde à uma violação ou estupro?

O tema no entanto não foi tratado de forma forçada. Um acerto de contas e uma discussão bem natural entre Jessica e seu violador deixou o recado bem dado. Sem tornar a série um show militante, mas ao mesmo tempo mostrando que o assunto é importante e deve ser entendio em sua diversidade.

E você, o que achou de AKA WWJD? Não se esqueça de deixar a nota para o episódio no placar abaixo.

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