Jessica Jones 1×11 — AKA I’ve Got the Blues

Com um enredo previsível sobre pílulas mágicas, AKA I’ve Got the Blues chama atenção pelos flashbacks.

O que não nos mata nos deixa mais estranhos.”— JONES, Jessica

Os últimos episódios foram marcados por uma sequência de acontecimentos intensos. Portanto, já se esperava que Jessica Jones reduziria o ritmo, além de começar a preparar o terreno para o final. O que surpreendeu mesmo foi o caminho que escolheram para isso.

Deixar a trama principal descansar automaticamente empurra para os roteiristas o desafio de manter as pessoas interessadas na história ao mesmo tempo que compram o episódio em si. Sendo assim, duas opções figuraram: 1) Focar na relação entre personagens com direito à flashbacks e 2) Criar uma nova ameaça para impedir uma dispersão do público. Ao tentar unir tais opções, AKA I’ve Got the Blues evidencia o quanto David Tennant faz falta quando seu Homem Púrpura tira um tempo para lidar com questões familiares mal resolvidas.

Foi uma surpresa enorme acompanhar Will Simpson se aproximar ainda mais do supervilão Nuke das histórias em quadrinhos. Ainda assim, a sensação de que o enredo é totalmente fora do proposto prevaleceu. Até em Demolidor da Marvel as pílulas milagrosas soariam forçadas; trata-se de um instrumento previsível que se espera ver em Marvel’s Agents Of SHIELD, por exemplo. Saídas fáceis típicas das produções mainstream.

O projeto guiado por Melissa Rosenberg é destaque absoluto no quesito cenas com destruição de cenários. Mais uma vez, apostaram na mesma fórmula: Jones arremessando os inimigos de um lado para o outro, golpes coreografados demais e falta de ousadia da direção.

Em contrapartida, foi muito interessante ver como traumas tão diferentes aproximaram Jessica Jones de Trish Walker — quem também correu risco de vida no tempo presente, apesar de ninguém de fato acreditar por um segundo sequer que ela realmente morreria. Patsy e sua mãe exploradora continuam representando um tópico inesperado para a série, e diferente da inclusão de Nuke, este soa coerente e eleva o jogo psicológico promovido à um novo patamar.

Vale observar também a forma como a linha do tempo está sendo construída. Os flashbacks não seguem uma linearidade, nem mesmo um padrão. Já vimos um pouco do acidente que deu habilidades especiais à Jessica, um pouco de sua chegada na família Walker e também do período em que ela foi controlada pelo Homem Púrpura, sem qualquer didatismo, claro. Pode-se dizer que é desafiador, ainda que não dê para se perder.

O desenvolvimento de Malcolm também tem sido coerente e importante para ressaltar onde querem chegar com toda a discussão em torno da filosofia dos super heróis não convencionais. Já foi quase possível superar a mudança repentina e inexplicável ocorrida — Malcolm passou de viciado para representante oficial das vítimas de Kilgrave num piscar de olhos.

Se redimindo após um longo filler, AKA I’ve Got the Blues termina com o reencontro quente — literalmente — de Luke Cage com Jones.

O episódio parece ter sido mal montado, repleto de momentos descartáveis, pontas soltas ou mal amarradas. Uma pena, visto que só faltam dois episódios para a conclusão da temporada.

Abaixo, você pode dar uma nota ao episódio e também deixar registrada sua opinião. Não esqueça também de retornar ao Box de Séries para as próximas críticas de Jessica Jones.

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