Jessica Jones 1×13 — AKA Smile (Season Finale)

Após um confronto tenso, AKA Smile traz o inadiável.

Dizem que todos nascem heróis. Mas se você deixar, a vida irá fazê-lo passar do limite até que se torne um vilão. O problema é que você nem sempre sabe que passou do limite.”— JONES, Jessica

Recebido com entusiasmo pelos fãs da Marvel, o projeto do estúdio em parceria com a Netflix tem chamado cada vez mais atenção da crítica pela abordagem adulta e ousada de suas produções — especialmente de Jessica Jones, lançada na última sexta-feira (20).

Junto com Luke Cage, Jessica é uma das heroínas menos conhecidas pelo público. Polêmica e totalmente fora do padrão, é também considerada um símbolo de uma Marvel extremamente distante da maioria do público, que só agora vem ganhando espaço graças ao mais popular serviço de streaming.

Marvel’s Daredevil encaminhou as pessoas para esse caminho, já o projeto conduzido por Melissa Rosenberg marca a imersão definitiva no segmento, bem como faz surgir certo receio em relação ao que nos aguarda. Afinal, uma nova abordagem não é suficiente para sustentar uma série de TV que, como qualquer outra, depende de um conjunto de fatores.

Antes das considerações finais, alguns comentários sobre AKA Smile, um episódio focado em aproximar o bairro opaco e traumatizado da nossa heroína incomum ao escuro e perigoso apresentado pelo Homem sem Medo no primeiro semestre do ano. Tal aproximação é feita através de Claire Temple, um verdadeiro imã de gente especial.

Os diálogos de Jessica com Claire são repletos de referências, bem contextualizados. Já é muito divertido imaginar como será a dinâmica de Defensores, minissérie responsável por reunir os heróis urbanos.

Claire faz parte também de momentos de pura tensão. Após levar um tiro na cabeça, Luke é submetido a um procedimento incomum para continuar vivo. Você consegue ficar aflito mesmo desconsiderado a hipótese da trajetória dele acabar ali, mesmo porque sua série solo está agendada para o ano que vem.

O ritmo de despedida introduzido no episódio anterior se intensifica na medida em que a trama aproxima Jessica Jones de seu torturador. Kilgrave é resultado de uma fórmula que reúne vários elementos que amamos ver em vilões: o sarcasmo cômico, o marcante sotaque britânico e o incrível dom do convencimento, mérito de David Tennant.

O Homem Púrpura atuou na série como a personificação de todos os medos, traumas e angústias da protagonista. Um adversário direto e indireto, assumindo várias vezes papeis diferentes e opostos uns aos outros. Uma construção cuidadosa que resultou num dos mais cativantes antagonistas da Marvel, mesmo que o intuito não tenha sido esse.

O confronto final de Jessica e Kilgrave traz o que já era esperado por meio de uma cena coerente à série. Sem tantos artifícios, muito mais voltada ao lado psicológico, com diálogos bem feitos e um desfecho inadiável diante das últimas aspirações do outrora Kevin. Mas, caso renovada para uma 2ª temporada, pode a série continuar em pé mesmo sem um pilar importantíssimo?

Os últimos minutos são marcados por rápidas conclusões para as tramas paralelas: Jeri segue em frente mentindo, Trish tem acesso aos documentos da IGH sobre Jessica por meio de sua mãe exploradora e Luke Cage some novamente.

Marvel’s Jessica Jones

Fica claro no último monólogo da protagonista a decisão dos roteiristas de mantê-la na zona intermediária entre heróis e anti-heróis. Sendo complicado para o público enxergar como uma personagem tão complexa irá lutar mais pela frente pelo bem comum. E não é só isso. Muitos outros aspectos sobre Jessica ficaram perdidos.

A premissa de heroína aposentada foi praticamente dissipada ao longo dos episódios. Até começaram a abordar o passado da protagonista antes de Kilgrave e depois de entrar para a família Walker, mas logo perderam o fio da meada e quem assiste fica com a dúvida: Safira já existiu ou os tempos de heroína de Jessica referem-se somente a quando ela, vestida de sanduíche, salvou uma garotinha? Além de impossível, é extremamente irritante tentar montar um quebra-cabeça com peças faltando.

As sequências de ação foram outro fator que decepcionaram. Ninguém esperava ver lutas épicas como em Demolidor da Marvel, mas muita coisa poderia ser feita para as cenas não soarem tão amadoras e medíocres.

Sem ousadias por parte da direção, ficou difícil distinguir até onde foi a tentativa de referenciar os filmes noir, facilitando a crueza da produção ser atribuída a um possível — e quase certo — baixo orçamento.

O humor foi bem balanceado e o forte apelo sexual também se encaixou. O elenco não decepcionou nas atuações. Olhando para trás, é possível notar que faltam momentos de destaque, aqueles que te convencem a reassistir a série. Uma proeza para poucos.

Não dá para dizer que Jessica Jones foi um erro. Talvez apenas um desafio grande demais para uma equipe de roteiristas e diretores medianos. Uma história com potencial para ir além caso trabalhada e dividida melhor, sem se perder. Vale a pena pelo intenso jogo psicológico e pela atuação consistente de David Tennant.

Obrigado aos que acompanharam as críticas do Box de Séries! Ano que vem tem Demolidor, Luke Cage e, talvez, Jessica Jones também retorne. O que você acha? Deixe registrado nos comentários, além de atribuír uma nota ao episódio abaixo.

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