Jurassic World (2015) | Crítica

Novo filme da saga Jurassic Park, Jurassic World agrada fãs, mas tem graves problemas.

Não há nada vivo no Jurassic World que seja natural.” GRADY, Owen

Foi preciso ver três filmes para finalmente chegar a um real desastre com dinossauros em um parque aberto ao público. Mas finalmente vimos isso acontecer e com sequências que deixarão os fãs muito contentes.

Jurassic World entrega o prometido: boas cenas de ação, perseguição, fuga e combate. Combate entre dinossauros e humanos, e entre dinossauros e dinossauros.

Seu grande destaque é tão óbvio quanto seu roteiro, Chris Pratt. O ator segura a onda, mostrando-se um dos principais talentos de bluckbusters da atualidade.

jurassic world

Quem assistiu há mais de 20 anos ao primeiro longa, dirigido por Steven Spielberg, e virou fã, com certeza se emociona com esta nova jornada.

Personagens como Dr. Alan Grant e Ian Malcolm podem não estar lá. Mas toda a atmosfera original participa desta retomada. Há até quem acredite que o personagem de Pratt já participou da saga.

Obviamente este quarto filme não é, nem nunca será, um marco cinematográfico como foi o primeiro. Mas tem seu apelo e pode servir como início de uma nova jornada.

A questão com Jurassic World é que ele impressiona pela grandiosidade, mas não pela realidade. E isso dificulta a imersão da audiência. Estamos falando de um filme no qual dinossauros estão vivos, e isso é impossível. Ok! Porém, o grande encanto de JP era perceber que tudo ali, no filme de 1992, parecia real.

As instalações eram semelhantes às de qualquer parque temático da época. Os jipes que passeavam pelo parque não estavam a anos luz de nossa realidade atual. Enquanto isso, o novo parque Jurassic World parece viver em uma realidade paralela, na qual todos os desastres envolvendo as ilhas Nublar e Sorna foram esquecidos. E a tecnologia é muito melhor!

Faz parecer que todos os aparatos do parque são capazes de apagar a memória das pessoas que existem neste universo. E esquecer de incidentes graves como o de San Diego e os perigos que as ilhas trouxeram àqueles que resolveram pisar nelas antes.

Incidentes acontecem, e continuam acontecendo até mesmo no Jurassic World. Mortes de funcionários são registradas periodicamente. Porém, agora o parque traz a falsa sensação de estar mais seguro, com capacidade de conter tudo que ali vive. Quase tudo!

E aí entra o grande embate do filme: o natural contra o artificial. Chega a ser engraçado se considerarmos o paralelo entre Jurassic Park (1992) e Jurassic World. Mas não estamos falando dos filmes, e sim do grande vilão desta história e os grandes vilões das histórias anteriores.

A alta tecnologia, que afasta o Jurassic World da realidade, é muito conveniente para a trama. Há um grande perigo que dribla qualquer esquema de contenção. Porém, na realidade apresentada neste longa, há recursos mínimos que poderiam evitar problemas simples. Só que toda a ação do longa depende justamente dessas falhas — não tecnológicas, mas de roteiro.

O inimigo da vez é o Indominos, uma espécie inventada através de experimentos genéticos pelo Dr. Henry Wu. Mas ele é apenas um bicho caro, que custou milhões e não pode ser abatido. Portanto, novamente temos um antigo vilão: a iNGen.

Como anunciamos aqui no Box de Séries no final do ano passado, a trama realmente gira em torno de armas genéticas. E isso traz possibilidades de novos longas — quem sabe até na Ilha Sorna, nada explorada nesta nova sequencia.

Seria uma maneira de seguir as homenagens ao filme original, copiando até mesmo o evoluir da história de 1992. Afinal, esta é uma das coisas que Jurassic World fez melhor. Seus grandes momentos são os de nostalgia, que praticamente recriam cenas marcantes do primeiro longa — ou mesmo situações narradas apenas no primeiro livro, de Michael Chricton, e que nem foram para às telas, como o “aviário”.

É inegável que o “material inédito” também tem seu valor para os fãs da série e de dinossauros. O ataque dos dinossauros alados aos visitantes, e a primeira luta de um anchilossauro acabam sendo tudo que gostaríamos de ver.

Ainda assim, Jurassic World derrapa em coisas básicas: um roteiro previsível (é fácil saber qual o cruzamento do Indominus, entre outras coisas) e personagens com embates óbvios. Chega a parecer roteiro de filme infantil, de tão didático.

A história tenta controlar emoções básicas, colocando a ganância humana como principal gerador de perigo, o divórcio dos pais como apelo emocional, e uma garota desprotegida que precisa salvar seus sobrinhos. E ser salva!

A grande oportunidade deste reboot está no desenvolvimento dos personagens. Mas com embates tão rasos, eles acabam sendo rasos também.

Temos os irmãos Gray e Zach, que enfrentam a eminente separação dos pais e o distanciamento entre eles próprios por conta da idade. Ambos terão de se aproximar para sobreviver.

Bryce Dallas vive Claire, uma mulher super analítica que não sabe lidar com um fator muito presente em toda a franquia: o caos. Ela teve um relacionamento que não deu muito certo com Owen Grady, o treinador de raptores e herói que respeita o instinto e poder dos dinossauros. E a culpa disso foi dela. Ou do estereótipo que embutiram na personagem.

Assim como seus sobrinhos, é claro que Claire e Owen evoluirão enquanto pessoas. De uma maneira machista.

Em algumas horas de drama Claire aprende que família tem mais valor do que carreira, que o supérfluo pode matá-la e que Owen é o homem que sabe fazer tudo melhor, inclusive salvá-la.

Ainda assim, há potencial para uma divertida gama de novos filmes.

Se eles resgatarem a magia do original, já terá valido o ingresso.

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