Killing Jesus (2015) | Crítica

Uma nova visão da história mais conhecida do mundo

Praticamente toda a gente conhece esta história, em um mundo onde mais de 2,2 bilhões de pessoas seguem os princípios de Jesus de Nazaré. Algumas, entre muitas, produções são de baixo custo, outras custam caro, mas todas cumprem com a intenção de representar os feitos bíblicos. O mais interessante ou não — porque também pode ser encarado como o esperado — é que até hoje rendem bastante (vide War Room nos cinemas estadunidenses). Além de representativo, Killing Jesus é muito bem-vindo, por apresentar uma visão atual dos mesmos acontecimentos.

O telefilme roteirizado por Walon Green é baseado no best-seller nova-iorquino de Bill O’Reilly e Martin Dugard e surpreende com a maneira que foi escrito. Quanto à sua cronologia, nada foi esquecido. Mesmo com a não representação de alguns momentos, percebe-se que aquele fato está ali presente — por ser mencionado, não por conhecer — e não provoca quebra de entendimento. Se Mel Gibson, com seu polêmico e violento A Paixão de Cristo (2004), abordou a fé e a esperança, Green surge com uma linguagem mais comercial e com foco em outras necessidades para a sociedade. Nota-se um cenário político-social, que revela detalhes de um homem que, com suas mensagens e sermões, acaba sendo perseguido por ameaçar o poder de um grupo de conspiradores. Com arcos que mostram personagens mais complexos, há toda uma insinuância presente nos personagens. A narrativa humaniza a figura central de Jesus, e assim como ele, os antagonistas carregam motivações, dúvidas e conflitos.

Nesse tipo de produto isso é muito raro, pois o que temos como fonte é que filmes desse âmbito são feitos por adoradores, como é o caso do escrito e dirigido por Gibson, ou por produtoras interessadas em ambientar mais uma vez. Não havia mudança significativa entre os já produzidos, porque ousar com um tema tão popular é arriscado. Green arriscou, apenas mostrando algo que já estava na cara de todo mundo, e não poderia ser mais coerente, porque necessitamos que a discussão de assuntos como esse seja exposto em todos os momentos. A cinematografia mostra mais uma vez que o homem é o lobo do homem, mas sem quebrar com paradigmas construídos por um dos maiores e mais antigos grupo religioso do mundo.

A direção oscila entre o correto e a falta. Espera-se uma boa fotografia e isso a produção não cumpre; figurino e maquiagem pecam e não firmam o ar sério que a produção necessita. Porém, nem só de críticas negativas está carregada a equipe comandada por Christopher Menaul, pois ela é certeira ao seguir a storyline do roteiro. Não é sempre que um diretor consegue abordar bem um texto detalhista e o contrário é visto aqui. Com um elenco mediano, Menaul conseguiu o feito de fazer o drama acontecer e as emoções surgirem; enfim, impacto não falta. A união do roteiro com a direção apresenta uma dinâmica ótima.

Killing Jesus

A produção não se preocupou em escalar atores da mais alta patente, mas não foi incorreta. Os destaques são Klára Issová e Joe Doyle, que vivem Maria Madalena e Judas, respectivamente. Ambos entregam a intensidade necessária, proporcionando as melhores cenas do telefilme, disponibilizado pelo National Geographic Channel. O elenco em si não deixa de ser bom, mas não aparenta ter noção do ótimo texto que tem em mãos.

Ao final, a sensação é de que Killing Jesus foi mal aproveitado, com seu texto reinventado e que apresenta uma boa história, mas com um elenco salvo somente por uma boa direção, com exceção para áreas mais particulares da mesma. Se foi questão de custo, não dá pra saber, mas sua má estruturação é perceptível.

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